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Quando ela chega à fase adulta

Naquela data nasceu um ser humano como outro qualquer. Seu estado físico e seus reflexos neurais estavam dentro de padrões médicos de uma saúde normal, portanto nascia sem restrições para enfrentar um mundo cheio de possibilidades.

Enfrentou vacinas, doenças, alegrias, tristezas e se desenvolveu até a fase adulta, sem grandes percalços. Teve tempo para aprender a falar, andar, amar, esbravejar, sorrir e tudo o mais que é possível durante a vida.

Ontem, encontrei com essa pessoa perfeitamente imperfeita. Em nosso papo, me revelou suas angústias e seus dilemas.

Me confessou ter atingido a paixão, mas que tem dúvidas sobre como seguir em frente. Essa pessoa está tomada pela angustia de decidir entre casar e ter filhos ou conhecer o mundo.

Até este momento nunca houve limitações para seus sonhos, mas agora se encontra em uma encruzilhada, entre carreira e família. Essa pessoa é intensa e quando escolhe algo se dedica incondicionalmente.

Ela chegou em uma etapa da vida, onde o gênero a diferencia do homem que pode ter nascido no mesmo momento que ela e com as mesmas condições. Ele não precisara decidir entre ser pai e ser executivo.

Porém, ela está em um momento em que escolher ser mãe, talvez a impeça de viajar a trabalho e crescer na carreira, pois não poderá passar noites no escritório sem que seus filhos sofram um abandono maternal.

Após alguns brindes, entendi que a principal preocupação dela não era em ser mãe dedicada ou em ser uma grande executiva. Ela estava em um período normal da vida da mulher que chega na fase adulta. Escolher entre um caminho e outro, mas o que mais a afligia eram as consequências sociais de cada caminho.

Como optar por ser mãe e do lar, ou com um emprego onde se dedicaria parte do tempo, e outro ficaria em casa, uma vez que as amigas estavam subindo na carreira?

Como abrir mão de todas as oportunidades que teve para chegar até aqui com sua formação impecável? O medo era de sentir culpada por desperdiçar oportunidades que muitas não tiveram, pois até este momento nunca lhe passou pela cabeça que ser uma mulher dedicada ao lar, não era falta de oportunidade e sim uma opção.

Por outro lado, era difícil imaginar-se como uma executiva viajando o mundo e passando noites no escritório, dedicando-se a um time ou a uma empresa, e abrindo mão de ser mãe. Neste caso, o medo era de abrir mão de um direito que a natureza lhe concedeu de gerar um filho e frustrar as expectativas de seus pais de serem avós, uma vez que ela é filha única.

Entendi os dilemas de minha amiga e de fato, em nossa sociedade atual, a encruzilhada é real. As duas possibilidades ainda não são viáveis de forma harmoniosa. Porém, ela nasceu em um pais onde é possível que uma mulher escolha um caminho. Ela não precisará enfrentar leis para fazer sua escolha, basta ouvir seu coração e saber o que a fará mais feliz. Basta ter coragem para declarar que está confortável com o caminho que escolheu seguir e todos, sejam seus filhos, seus pais ou seus colegas de trabalho, terão orgulho da mulher feliz que irá conviver com eles.

 

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