Nem ménage salva esse casamento
Existem vantagens em ser uma pessoa desprovida de preconceitos, mas sem dúvida a mais divertida e enriquecedora dessas é que as pessoas se sentem à vontade de falar sobre qualquer coisa com você.
Eu usufruo dessa vantagem aprendendo com a experiência dos outros. Acho fantástico quando alguém me procura e diz: Só consigo contar isso para você.
Que maravilha! Que oportunidade única!
Hoje foi um dia de aprender com uma dessas oportunidades. Vanessa, minha amiga que está casada há 8 anos, me convidou para almoçar, pois estava aflita com uma situação.
Ela me contou que cedeu a um grande desejo de seu marido, transar com duas mulheres. Não pensem que foi fácil para ela aceitar essa situação. Desde o início do casamento, sempre que ele bebida um pouco, costumava dizer que tinha vontade de ir ao puteiro como nos tempos de solteiro, mas que não queria fazer nada escondido dela e que só voltaria a este antro de perdição se ela o acompanhasse. Ela questionava, queria entender, mas não havia uma explicação razoável, além de uma tara ou fantasia.
Pois bem, quando o casamento começou a dar sinais de que a chama da fogueira da paixão tinha se tornado uma tênue luz de vela, ela começou a considerar o assunto. Quem sabe assim a vida sexual voltasse a ser como era no início e seu casamento estivesse a salvo.
Estavam eles no bar, e novamente a proposta do marido apareceu. Ela sempre se sentia incomodada com isso, por não se achar suficiente para ele e também por ter receio de ficar nua perante outra mulher, que provavelmente seria mais gostosa que ela. Porém, naquela noite, ela decidiu encarar o grande desafio. Foram a um puteiro e ele pediu duas prostitutas para acompanhá-los. Isso mesmo, duas, pois o cara quando é abusado gosta de exagerar para mostrar que pode.
Ela já tinha tomado duas taças de vinho e achou melhor não beber em um ambiente que para ela, de certa forma era hostil. Ele que já tinha bebido bastante continuou na mesma pegada e até usou uma droga ilícita, fornecida por uma das moças.
O rala e rola começou, mas o cara não conseguiu chegar nem ao primeiro round e apagou. Ela já tinha começado a brincadeira e de certa forma, sem me contar muitos detalhes, contou que brincou mais um pouco e depois ficou conversando com as garotas que a elogiaram bastante e questionaram o por quê dela perder tempo com o tal cara.
No dia seguinte, ressaca moral.
Ela reclamou que ele a tinha, de certa forma, largado sozinha em um ambiente hostil e que a noite que era para ser uma fantasia entre eles, não passou de uma experiência desagradável com ele, mas como um grande impulsionador de sua autoestima, pois as garotas gostaram da companhia.
Ele ficou revoltado, se colocou como vítima da situação, que só bebeu pois não conseguia encarar a situação sóbrio, e que ela não prestava por ter coragem de encarar a situação de forma tão natural.
Após discutirmos alguns detalhes do tema, chegamos à conclusão que o marido da Vanessa, nunca imaginou que ela toparia tal situação. Ele usava essa fantasia para se autoafirmar e limitar a autoestima dela. Porém, quando ela aceitou o desafio, o tiro saiu pela culatra para ele.
E agora? Como fica esse casamento?
Provavelmente não fica. Vanessa não admira mais o marido, que se já não dava conta dela antes, imagina agora que ela sabe que é mais poderosa que ele. Além disso, ele deixou de ser confiável à medida que não assumiu suas responsabilidades no ocorrido e ainda tentou transferir as razões de seu fracasso, mais uma vez, ao comportamento natural dela.
Vanessa descobriu que não adianta usar o sexo para tentar salvar o casamento. Quando um casamento dá sinais de fracasso, há muitas outras questões envolvidas e não é uma noite de fantasia, esbórnia, drogas e rock and roll que resolva isso.
A grande lição é que fantasias devem ser realizadas quando há cumplicidade, ou seja, quando o casal está na mesma vibração e com o mesmo propósito de se divertir.










