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liberdade
Poucas coisas nesta vida são melhores do que encontrar as grandes amigas. Num desses encontros, uma delas precisou desabafar: “Meu marido está desempregado, pedi uma ajuda para limpar os banheiros e ele deixou tudo encharcado! Nunca mais peço isso para ele! Deu mais trabalho arrumar a bagunça que ele fez do que se eu própria tivesse limpado…”
Embora nossa amiga estivesse visivelmente em prantos com a inundação de seu banheiro e com a insensibilidade de seu digníssimo esposo, a amiga recém casada tentou amenizar o infortúnio defendendo o dito cujo aspirante a Aquaman: “Coitado! Bem que ele tentou! Dê mais uma chance. Explique para ele como se faz. Desse jeito ele nunca mais terá motivação para ajudá-la.”
Porém, a primeira rebateu: “Mas ele usou a mangueira do quintal para lavar tudo! Todas as toalhas ficaram ensopadas e perdi um montão de coisas que não poderiam ser molhadas.”
A casada há mais tempo resumiu sua versão do caso: “Típica reação masculina para que você nunca mais peça isso para ele! O meu marido sempre quebra algo quando imploro para que ele lave a louça!”
Não sei exatamente em que momento uma delas me perguntou: “Freda, o que você acha?”
Bem, neste fatídico exato momento – em que tinha poucas frações de segundo para responder – a massa encefálica em minha cachola disparou o “módulo emergencial” na tentativa de criar qualquer sinal de “empatia” pela vítima. A primeira tática utilizada pelos meus neurônios inexperientes no assunto foi visualizar um marido para, então, inventar como torturá-lo.
Esforço em vão. Meu cérebro nunca havia projetado tal entidade odiosa em meu futuro existencial.
Assim, quando o processamento do comando “imagine seu marido” foi iniciado, meu cérebro perdeu-se numa falha de processamento por não encontrar nenhum indício de informação. Deu-se início ao Plano B…
A tentativa desta vez foi colocar-me no lugar da minha amiga… Novamente meu cérebro começou a sofrer os efeitos de uma espécie de “referência circular”. Os cenários da projeção não faziam o menor sentido, especialmente considerando-se a série histórica que os alimentava…
“Dividir um banheiro com um cromossomo capenga? Nem pensar!”
“Limpar pingos de ‘mijo’ pelo chão? Nem morta!”
“Esperar que alguém lave o meu banheiro? Inútil!”
“Preocupar-se tanto com o banheiro e outros afazeres domésticos? Até parece… Minhas bagunças são apenas minhas…”
Em vista das inúmeras buscas em um conjunto vazio de respostas, meu pobre e ignorante cérebro ativou o módulo “alienação automática” e logo concluí que seria bem divertido usar a mangueira para dar um “trato” em meu banheiro.
E a resposta improvisada saiu quase sem querer: “Ele pode ter experimentado um método engenhoso para deixar o banheiro limpo por mais tempo…”
Bem, nem preciso descrever a reação das minhas amigas com essa ajuda desastrosa… Da próxima vez, apenas ligo o módulo básico “Os homens são uns ridículos!”, que não tem erro.
Naquele dia, voltei para casa nas nuvens. Afinal, esse e outros dilemas “conjugais” não fazem – e nunca farão! – parte da minha livre, leve e solta realidade de solteira.
Quando resolvi ser livre eu entendi finalmente o que é estar leve, solta como uma pipa aos sabores do vento, mas forte o suficiente para aguentar as tormentas. Leve para entender que o que me faz mal não me cabe, mesmo que esse mal seja conhecido como amor. Não que eu esteja depreciando a palavra, mas já se sabe que se te faz mal, você está supervalorizando o sentimento errado achando que é amor. O amor tem que ser leve, sem te pesar nos ombros te fazendo entristecer e nem doer no peito, te deixando amarga.
Resolvi ser livre e assim comecei a entender que isso não quer dizer estar sozinha, quer dizer apenas que não dependo de outro alguém para ditar como o meu emocional deve reagir, como o meu humor deve se portar diante de atitudes que não competem a mim mudar porque não dependo de nenhuma aprovação para ser quem sou, eu apenas sou.
Resolvi ser livre e aprendi a dar valor ao fato de estar solta, de não ter que dar satisfações do meu dia a dia, do tamanho da minha roupa, da demora em atender um telefone, do olho torto aos meus amigos, do comodismo em se acomodar na vida e na relação, achando que amores sobrevivem do “mais do mesmo” diário.
Eu aprendi que me libertar não é sofrer, nem mesmo chorar, não é me sentir incompleta por não ter alguém para me beijar nas noites frias, para me dar carinho nos dias difíceis… Na verdade, me libertar é saber que posso chorar e sofrer quando quiser, mas também é valorizar quem eu sou, emancipando a mim mesma, me conhecer mais do que ninguém, reconhecer a minha força interior e entender que não preciso estar dependente de ninguém para sorrir.
Hoje eu sei que minha liberdade vale muito mais do que um status de relacionamento que muitas vezes nem me faria feliz, só me faria menos “falida” para a sociedade. Aprendi que a sociedade pouco importa na minha vida, pois nunca me importei com os seus valores. Quando somos livres, nos livramos de tudo o que nos prende, de tudo o que nos deixa estagnadas e nos impede de avançar, arcamos com nossas atitudes, consequências e incertezas sem pestanejar, porque sabemos que até isso nos levará a algum lugar.
Convidada: Marcia Rocha (seguidora)
Fiquei incumbida de uma retrospectiva, mas creio que fazer todo mundo se lembrar dos acontecimentos de 2015 seria pura autoflagelação travestida de “masoquismo light”. Especialmente por já estarmos em 2016 e ele não parecer muito promissor.
Assim, miremos ocorrências menos sinistras. No caso, as minhas mazelas pessoais…
Vamos à lista:
- a grande promessa NÃO cumprida: aumentar o saldo na conta “investimentos”
- noites trabalhando como louca: diversas
- noites que passei livre, leve e solta: todas (inclusive as que trabalhei como louca, afinal, a empresa é minha e adoro trabalhar)
- ondas radicais: várias
- mergulhos de tirar o fôlego na água: apenas um, infelizmente (a grana estava curta)
- mergulhos de tirar o fôlego no ar: apenas dois, infelizmente (a grana continuava curta)
- quantidade de vezes que coloquei minha vida em risco: bem mais do que minha mãe gostaria de imaginar
- seres insuportáveis que cruzaram meu caminho: um número bem maior do que você poderia imaginar
- quantidade de vezes que mandei os seres insuportáveis “à merda”: o número da resposta anterior multiplicado por um número que variava de 5 a 50
- as pessoas mais extraordinárias que me fascinaram pelo caminho: minhas parceiras do Solteirar
- vezes que não me controlei e disparei “verdades inconvenientes” sem dó nem piedade: muito mais do que você recomendaria
- pessoas que se enfureceram com minhas “verdades inconvenientes”: as vítimas da resposta anterior e todas as demais que ficaram sabendo
- a maior loucura sem arrependimentos: minha Honda CRF 230F off-road vermelha (ela pode ser de ‘segunda mão’, mas o amor foi ‘à primeira vista’)
- a maior loucura com zilhões de arrependimentos: nenhuma (acredite se quiser!)
- o projeto mais excitante: construir um website sem igual no mercado
- o trabalho menos excitante: pagar tributos e ser obrigada a seguir toda a “burrocracia” de merda deste país recordista em corrupção
- o maior orgulho: o Solteirar
- porres inesquecíveis: bem mais do que o meu fígado poderia suportar
- sexo: o suficiente
- % de vezes em que tomei a iniciativa: 100% (algo “sem esforço” só rolava antes da decrepitude)
- quantidade de “botas” por conquista efetivada: fazendo um cálculo rápido, precisei investir em 3 cantadas para cada “conversão realizada” (antes da decrepitude, a razão atingia a marca de 1,5 cantada/conversão – praticamente “inacreditável” para alguém com minha aparência)
- cortes de cabelo zoados: 3
- novas tattoos: 2
- paixões avassaladoras: várias (especialmente meu time de futebol sempre campeão, muitos dos textos do Solteirar e o novo filme da saga “Star Wars”), mas, por graça dos deuses soberanos da “Solteiração”, nenhuma em forma humana
- a maior revolta: um dos maiores crimes socioambientais da humanidade (Samarco + Vale do “ex-Rio Doce”) lidera as paradas, seguido das trapaças do abjeto presidente da Câmara dos Deputados (especialmente o projeto de lei 5069)
- o maior fora: perguntar a um dos meus melhores amigos – na frente de sua digníssima esposa! – se eles haviam curtido um evento em que ele estava com a amante! Que culpa eu poderia ter se ele escolhe amantes parecidas com a esposa?
- o maior vexame: pulo esta pergunta por ser uma “sem vergonha sem limites”
- a maior estupidez: flertar com a invencibilidade (quase acabei com meu joelho de uma vez por todas)
- o melhor momento: difícil escolher entre a goleada do meu timão do coração sobre um de seus maiores rivais, o show do David Gilmour ou se quando voltei a mergulhar no rio São Francisco pelo bungee jumping de Paulo Afonso (BA)
- a pergunta mais irritante (excetuando-se, é claro, todas aquelas em que querem entender a causa do meu estado civil continuar inalterado): “Mas, afinal, você é de DIREITA ou de ESQUERDA?” Será que esse povo ainda não percebeu que ideologias seculares não resolvem os problemas do mundo pós-moderno? Não sou de direita, nem de esquerda ou muito menos de centro. Estou em movimento… E normalmente para FRENTE! O problema desse povinho que tenta enquadrar todos à sua volta em uma ideologia putrefata é presumir que todos sejam medíocres como eles…
- o pior momento: não sei bem se foi quando perdi mais um grande amigo (observação: e não foi o amigo do fora acima…) ou se quando calculei que os rendimentos da minha profissão não suportariam meu estilo de vida e os aumentos delirantes nos gastos com saúde dos meus pais; nesta hora, não tive dúvidas: corri me alienar acelerando minha possante…
- o óbvio ululante: (re)confirmar a cada minuto de minha existência inútil como sou uma “FDP” de primeira grandeza… E o melhor: não ligo a mínima para o que todos vão pensar disso! Isso sim é liberdade…
E um brinde a retrospectivas bem mais animadas em 2016, em 2017, na próxima década ou na próxima semana!
Ilustração: Agradecimentos a NormalGuyMo.
Mensagem para você:
Desculpe minha frieza, mas toda essa insensibilidade vem de um coração que já cansou de sofrer.
Desculpe se faço questão de aparentar indiferença por já estar calejada por esse tal amor.
Desculpe se qualquer sinal positivo que possa partir de mim me apavora e me deixa insegura.
Desculpe se não demonstro que me preocupo e que às vezes só preciso de você.
Desculpe se não te ligo e nem corro atrás, talvez só precise entender que não amo você.
Desculpe se crio minhas próprias regras pra viver, sigo-as cegamente e depois me perco sem saber o que é certo e o que é errado.
Desculpe por saber que ser assim não é o certo, mas meu orgulho não me deixa sair dessa zona de conforto.
E por fim, desculpe, mas faz parte dos meus planos manter o controle e dessa vez não escolhi perdê-lo por você.
Quando a presença de alguém dispara a revoada gelada de borboletas em seu estômago, já profetizavam alguns sábios gregos há milênios: você foi amaldiçoada!
Especialmente para pessoas como eu, uma das maiores catástrofes nesta vida é ser alvo da tirania de uma paixão romântica.
Explico: egoístas libertárias e libertinas logo se sentem aprisionadas e mortas em vida ao cair nas armadilhas limitantes da paixão, já que a verdadeira paixão é exageradamente aniquiladora de sua independência e de suas múltiplas potências vitais. E nem só o amor romântico alimenta o espírito humano…
Muitos até anunciam que em seus relacionamentos há espaço para a liberdade. Para mim, essas pessoas não têm nem uma coisa, nem outra. Vivem pela metade. E talvez por isso precisem da “cara metade”.
Todos os amantes apaixonados em certa medida sufocam o “objeto” da paixão. Ou, então, não se trata de paixão, mas de companheirismo, variações distintas de amor, respeito ou qualquer outra coisa.
Ora, se você não tem a mínima aptidão para a escravidão voluntária e nada em sua natureza subversiva pode fazê-la suportar o cárcere de uma paixão, é simples: não se apaixone. Afinal, separar-se do ser amado será inevitável e doloroso.
Em alguns casos, doloroso a ponto de suprimir seu vigor para descobrir o novo, neutralizar seu ânimo para estar com os amigos, dizimar sua força e capacidade produtiva, assassinar seu prazer pelo sexo casual e até mesmo refrear sua evolução como ser humano por meses.
Para desajustadas como eu, uma paixão resume-se a poucas semanas de deliciosa embriaguez interrompidas pelo pânico com a consciência da masmorra emocional e seguidas de meses amargos de abstinência e recuperação… Enfim, pura perda de tempo!
E tanto pior se alguém apaixonar-se por você. Como o vírus da paixonite aguda normalmente precisa de um tempo de incubação, é bem provável que a vítima possa ser seu(ua) amigo(a). Péssima notícia: é enorme a chance de que essa amizade seja destruída irreparavelmente.
E, como não controlamos a neuroquímica que governa nossos impulsos, a maldição até poderá ocorrer acidentalmente. Talvez quando um ser sedutor a fizer rir como ninguém. Ou quando tiver a misteriosa capacidade de desvendar sua intimidade. Sabe-se lá… Neste caso, apenas renda-se por um instante! Para tudo há uma primeira vez.
Sabemos que a submissão ao amante não resistirá muito à sua voraz índole libertária, mas degustar as drogas mais mortais também é um exercício de liberdade, desde que o uso prolongado não a faça sucumbir.
Há quem acredite que a dor provocada pelo fim de uma grande paixão é um prato cheio para a criação de obras artísticas memoráveis. Se for o caso, aproveite a chance, mas lembre-se que o sonho de liberdade foi a mais formidável matéria prima das obras-primas. Assim, qual delas – liberdade ou paixão – mais contenta o espírito humano?
Bem, se você lê meus delírios, deve pertencer à mesma linhagem de loucas varridas, as que abdicaram do cabresto de uma vida desesperada à procura de paixões avassaladoras. É bem provável que você, como eu, simplesmente não conceba a idéia de abandonar a liberdade depois de milênios de luta para conquistá-la. E, como a paixão e a liberdade desmedidas são inconciliáveis,
você escolheu a segunda.
Você provavelmente também não se intimida quando jogam na sua cara que a liberdade não assegura a felicidade. Você sabe que, se isso for verdade, nada poderia assegurar. Muito menos o amor romântico…
De qualquer modo, se você for vítima dessa droga, trate de livrar-se dela assim que voltar do entorpecimento (e você voltará). Insistir em utilizá-la a transformará em uma zumbi inútil e desprovida de amor próprio.
E, se você chegar ao fundo do poço, não desista! Encontre uma nova e desafiadora montanha para escalar, ingresse em um novo projeto, ultrapasse seus limites, preencha sua biografia e comemore cada conquista antes que seja tarde!
Na migalha de vida que lhe resta, melhor apaixonar-se cada vez mais pela maior heroína de sua vida: você mesma!
Covardes são aqueles que mais mentem
Covardes são os que fogem das responsabilidades
Covardes são os que traem os amigos
Covardes são aqueles que roubam as glórias e méritos dos outros
Covardes são aqueles que se fingem de mortos
Covardes são os que adoram depender de outrem
Covardes são os que são verdadeiros medrosos na vida
Covardes são aqueles que duram mais, mas vivem menos.
Amar não é para covardes
Autoestima elevada não é para covardes
Lealdade não é para covardes
Liberdade não é para covardes
Arriscar-se não é para covardes
Ser não é para covardes
Viver não é para covardes
Solteirar não é para covardes
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