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Nada demais, apenas três amigas e um café: o meu laboratório social.

É claro, a dona do café sou eu, elas não conseguiram pedir ainda, uma porque está ocupada com seu cardápio de machos no whatsapp e a outra já decidiu dormir sozinha e, como quer realmente dormir, recusa cafeína.

Enquanto as histórias se desenrolam, observo, a intensas goladas, a postura majestosa, arrogante e, acrescentaria ainda, imponente de uma das minhas amigas. Ela, que é cheia de transas, descreve euforicamente cada detalhe das suas peripécias. E, após jogar seus orgasmos múltiplos no meu café, quando nos voltamos para o ritmo de tartaruga da vida sexual da minha outra amiga – que a passos lentos custa conseguir uma trepada – ainda interrompe cada capítulo da história para uma prévia do seu manual de acasalamento da mulher moderna.

A minha reflexão neste momento, ultrapassa o antagonismo que vivem as minhas amigas e seus respectivos talentos em atrair parceiros; e meu ponto de crise se estabelece em um antigo desejo que corriqueiramente percebo que ainda buscamos: a liberdade sexual.

O cotidiano é o hall dessa batalha e qualquer ponto que destoa a curva de moralidade, desde o uso de objetos até a vivência de práticas consideradas pervertidas, como o poliamor, SDSM¹, orgias e tantas outras, traduz uma quebra de tabu. Porque no fim o que queremos mesmo é explorar um gozo sem limites.

Mas, e quando encontramos pessoas que de todas as opções ainda preferem o tradicional, daquele jeito sussurrado, calmo e que, no fim, enlaça as mãos enquanto espera pelo café da manhã? Ou, até mesmo, as que decidem, simplesmente, se abster de qualquer atividade ligada ao coito? A imagem que tenho a minha frente deixa a sensação de que não entendemos o fato de que algumas pessoas não querem fotografias de sexo casual. E essa postura parece não refletir socialmente a mesma conotação libertária daquela evidenciada por alguém que se mostra mais proativa na busca pelo clímax.

Estou no segundo café, mas ainda no primeiro, diria que, estamos criando sem perceber um ambiente ditatorial por sexo. Há uma necessidade de estabelecer transas e qualificá-las. Um intenso exercício de comparação. Um pré-julgamento por falta de experiências. Uma prematura inicialização à prática. E um torpor ao saber que ofertas sexuais estão sendo negadas.

Mais do que sexualidade, essas reflexões a meu ver se referem à autonomia.

Quando saí da casa dos meus pais, vi realizado, de repente, aquele contínuo sonho de liberdade e o primeiro pensamento que me tomou foi que, dali em diante eu poderia fazer o que eu quisesse e nada me destituiria desse poder. O êxtase não durou muito tempo, consolidei minha independência em todas as vezes que disse não para o que eu não queria fazer. E enquanto fui julgada de careta, antiquada ou qualquer outro adjetivo, eu na verdade, só conseguia me sentir livre.

Porque entendi que liberdade não é o que você faz, mas sim, o que você sente quando faz a escolha que quer.

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Pra que voltar se não é pra ficar?

Mexer em todo aquele passado mal resolvido e vivido, por pura diversão?

Podia simplesmente sumir e me deixar achar que foi melhor assim. Mas cada vez que ressurge, é como se eu tivesse de novo o peso da decisão de estar ou não com você, mesmo que não dependa apenas de mim.

Fora o julgar, é só falar de você que todos ao meu redor só esperam que eu “tome a decisão certa”, mas dessa vez é diferente, não é? Não, mas assim eu fico a acreditar nos primeiros minutos de êxtase por te ver.

Vai passar? Não sei, mas enquanto isso for difícil pra mim, só quero que se vá, e deixe por aqui adormecido tudo que, um dia, eu sei que vai passar.

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Eu que já fui solteira, casada e hoje divorciada, acredito que não há diferença entre uma solteira e uma divorciada, pois ambas estão solteirando sem compromisso. Na minha opinião,  o estado civil “divorciada” é desnecessário. Após a separação, a mulher deveria voltar a ser solteira e pronto.

Porém, existe uma diferença significativa na rotina e liberdade das mulheres com filhos, sejam elas casadas, divorciadas ou solteiras. O ideal seria uma substituição dos três estados civis por quatro classificações:  casada, mãe casada, solteira e mãe solteira.

Embora eu conheça bem a diferença entre a rotina de mulher casada sem filhos e uma mãe casada, neste texto, vou explorar o meu estado atual: mãe solteira.

Começo ressaltando que frases de solteirice como: “Fazer o que quiser quando der vontade”, “Viver com a mínima rotina no cotidiano” ou “Sair com as amigas sempre que quiser” não fazem parte da realidade de uma mãe solteira.

Isso não significa que não seja delicioso ser mãe. Não dá para ver aquele gatinho na hora que te dá vontade, nem encontrar as amigas na balada todos os finais de semana, muito menos viver sem rotina. Porém, é possível viver de forma plena o papel de mãe, sem esquecer-se de ser mulher.

Divertir-se com os filhos é uma delícia. Eu sou mãe de menina e, quando estou com ela, vivo no mundo das princesas. Temos vários compromissos e uma vida bastante agitada e divertida. Isso faz com que as obrigações se tornem mais leves. Por outro lado, quando não estamos juntas, exerço plenamente minha solteirice.

O segredo para conciliar esses papéis é viver cada um deles intensamente. Quando estou no papel de mãe, chego a ignorar ligações que eu adoraria receber quando estou sozinha. Assim como quando estou solteirando não fico me culpando por estar me divertindo sem a presença dela, pois confio que ela está feliz onde estiver.

A fórmula é baseada em amor, respeito e sinceridade. Minha filha sabe que sempre pode contar comigo, assim como tem certeza do quanto eu a amo. Se vou sair e deixá-la com alguém, nunca minto que vou trabalhar ou algo assim, o que me permite não me sentir culpada.

E assim segue minha rotina de mãe solteira, “encontrando as amigas sempre que possível” e elas entendem isso perfeitamente. “Fazendo o que tenho vontade”, pois tenho vontade de brincar com minha filha quando estou com ela e de me divertir sozinha quando ela está ausente. E “vivendo com rotina”, mas de forma divertida.

Sendo assim, apesar de ter passado por alguns estados civis, tenho certeza que o estado civil mãe solteira é o que mais me faz feliz.

Convidada: Rita Rodrigues

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http://solteirar.com.br.br/o-que-o-oscar-fez-por-nos/

Cotidiano:  adj. Que ocorre todo(s) o(s) dia(s); particular do dia a dia; diário.

s.m. Aquilo que acontece todo(s) o(s) dia(s); o que é banal; comum.

 

Quando um evento como o Oscar acontece, o mundo para por alguns instantes para prestigiar o glamour e significado artístico que ele concebe. Neste ano, para surpresa da plateia e da audiência, tivemos ainda um espetáculo à parte no que tange a temas políticos. Questões como o tratamento dado aos imigrantes e as desigualdades racial e de gênero revolucionaram os insossos discursos de agradecimento.

O efeito midiático desse levante foi quase que instantâneo. Em segundos houve um verdadeiro bombardeio de manchetes gritando em prol das tais causas sociais. É uma cadeia de curtidas, marcações e compartilhamentos, que forma pequenos exércitos, ressuscita militantes e resgata as estatísticas de desastres passados.

Ao encarar essa vitrine de notícias, algo martela compulsivamente meus pensamentos: houve algum momento outrora em que as desigualdades deixaram de existir ou as guardamos no cotidiano e a elas nos adaptamos?

Penso e encontro nesta interrogação o valor de termos levantado bandeiras de equidade em uma solenidade de alto prestígio, pois há nela um poder intrínseco de revolver a banalidade da rotina e com um escarro, nos devolver à face uma sociedade que ainda precisa ser fortalecida e reconstruída.

O porém da história é a espera pelo próximo convite de acesso à alta cúpula de cerimônias, em que, talvez, teremos novamente expostas as nossas marcas do dia a dia. E fica, na verdade, um desejo de que quando a mídia silenciar os seus gritos, ainda sobrem ecos suficientemente fortes que mantenham firmes as vozes.

 

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O Solteirar nasceu da essência feminina, que luta por seus direitos de liberdade e igualdade de expressão.

Datas como 24/02/32 (onde as brasileiras conquistaram seu direito de voto) e 08/03/1857 (quando as novaiorquinas do setor têxtil fizeram manifestações por melhores condições de trabalho) não podem passar em branco para nós. Elas começaram a luta e estamos aqui para contestar o que ainda precisa ser melhorado e comemorar as condições adquiridas hoje.

Para isso, preparamos duas semanas especiais, com promoções e textos comemorativos!

Parabéns a cada um de vocês que apóia a liberdade e a igualdade!

 

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http://solteirar.com.br.br/rainhas-x-homens/

Definitivamente o homem, em sua maioria, não consegue lidar com mulheres vitoriosas, decididas, mais altas, bem postas ou melhores de toda a forma. Ele se atrapalha, patina, detesta e tenta à sua maneira, até inconscientemente, sabotar as que estão ao seu derredor.

É fácil encontrar exemplos: o chefe, o namorado, o marido, o irmão, até o pai, o vizinho que encrenca com a “posuda” ao lado etc.

A sociedade o protege, a mãe o mima, a religião coloca-o num patamar superior (por Deus), a estrutura econômica faz dele seu braço direito, tudo o empurra, até seu salário é maior, mas mulher na sua frente ele não suporta.

Se bonita ou sexy, é vadia. Se frágil, feminina demais, é abusável e qualquer um deve e pode aproveitar. Estas ele aceita, mima, perdoa, patrocina etc., porque se sentirá sempre superior. Mas ai daquela que pretende sobressair-se à sua frente! Ela deve ter um defeito e, de preferência, sexual – deve ser lésbica, deficiente, feia demais, frígida ou equivalente. Um exemplo de (in)segurança masculina é que nas escolas fundamentais da Inglaterra, há um movimento para que não haja mais classes mistas porque estudos indicaram que as meninas estão se destacando mais nas escolas e prejudicando os meninos.

Vamos lembrar aqui dos já cruéis e famosos testes de sofá para as diversas categorias. Eles se acham no direito e só se sentem absolutamente seguros se puderem começar com uma subjugada, para ela nunca estar à sua frente. Algo que os tranquiliza. “Como são fortes…”

Mulher superior é inaceitável, broxante, sacrifício demais. Se for a esposa, então, é separação. Se ela começou a ganhar mais, ele só aceita o calvário por se justificar como o melhor macho (leia-se pinto) do pedaço. “Ela não aguentaria ficar sem ele na cama…”

Tratar uma mulher de igual para igual é território masculino desconhecido, pior do que a forca, o fundo do mar, o espaço… Ele não sabe como. Não há em sua visão reconhecimento à igualdade, quanto mais à superioridade, coisa que a mulher faz com muito tato, sabendo convencer pais, maridos, irmãos ou chefes há séculos.

E, mesmo em gritante desvantagem social, econômica e com a religião como espada à sua cabeça, ela tem influenciado e trabalhado em prol de uma humanização dos seres, em especial a de seu gênero que, em muitas regiões – infelizmente não em todas –  tem relativos avanços. Falta tanto, mas já temos um bom começo. Vamos nos tornar rainhas de algum modo e ensinar a todos a nos tratar como tal.

 

Solteirando pelas redes sociais