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Os folgados em um avião

O cidadão sentado na poltrona do meio e você sentada no corredor.

Logo após 15 minutos da decolagem, o cara resolve ir ao banheiro.

Você, com aquela cara de simpática fingida, tem que se levantar.

Pior: já sabe que depois terá que levantar novamente quando ele voltar.

Santo Deus, por que não vai ao banheiro antes do embarque?

 

Você sentada na janela. Quietinha, sem perturbar ninguém.

Dali a pouco um ronco bem ao pé do seu ouvido vai lhe incomodando até quase o fim da viagem.

Você disfarçadamente esbarra na pessoa “sem querer querendo” torcendo para que aquele barulho chato e meio nojento cesse. Tática quase sempre não muito bem sucedida.

Resta apenas ficar olhando para o relógio para ver se os ponteiros andam mais rápido.

 

Mulher literalmente sem noção embarca atrasada.

Carregando várias bagagens de mão, tenta guardá-las no compartimento de
malas.

Sem sucesso, eis que a “dona encrenca” resolve tirar exatamente a sua mala do
lugar (que estava ali bem pequenina e ajeitadinha) para colocar a dela.

Folga é pouco para esse tipo de atitude.

 

Avião mal aterrissou e o fulano já desata o cinto, fica de pé no corredor querendo praticamente sair pela janela.

Daí percebe que as portas ainda demorarão a abrir.

Impaciente, o cara continua no corredor, agora apoiando todo corpo em sua
poltrona.

Liga o celular e começa praticamente a gritar avisando que já chegou e aproveita
para contar vantagem sobre aquela transação financeira importante que fechou
ou aquele carro importado que acabou de comprar.

Aquela voz esnobe bem em cima do seu cangote (ou com o traseiro bem no seu
rosto).

Ao desligar o celular, o fulano ainda dá uma olhada para os lados só para
verificar quem da “platéia” estava prestando atenção nas suas ostentações.

O mais engraçado é que depois a gente sempre acaba alcançando esses
apressadinhos na esteira de bagagem.

Dá até vontade de dizer: “Aí, babaca, só para lhe avisar, minha mala chegou primeiro que a sua e já estou indo embora, ok?”

 

Sabem me dizer se há algo tão especial nos minúsculos banheiros de um avião? Ou se os dez primeiros passageiros a saírem do avião ganham algum prêmio? Ou é simplesmente falta de educação mesmo?

Otávia Fernanda
Otávia Fernanda
Paulista de 46 anos, estado civil volátil. Ex-executiva que cansou da vida escrava e resolveu ser atriz, escritora e filósofa nas horas vagas. Cursou Engenharia, Direito, Administração e tem MBA, mestrado, doutorado e o diabo a quatro, mas não recomenda a ninguém. Morou 4 anos em Londres, onde foi colunista em jornais e revistas locais. Provocadora e introspectiva, adora questionar o status quo. Escreve um pouco de tudo e pensa tudo sobre pouco.
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