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Sermos Fortes

O caminho feminino de relativa autonomia começou com a necessidade da mão de obra feminina, durante e após a Segunda Grande Guerra, com um salário pago desde então inferior ao masculino. Abriu-se outra avenida quando do advento do uso da pílula anticoncepcional: a mulher não é mais a fêmea que ano após ano paria a prole que lhe cabia e tolhia.

Depois, as lutas pelo voto, pela universidade, pelo uso não aleatório, mas simbólico da minissaia e do biquíni, e sempre – até hoje – pelo respeito e pelas chances profissionais.

Parece que é voltar sempre ao mesmo assunto, mas fatos como o que protagonizou José Mayer contra uma jovem com um terço de sua idade, funcionária da empresa atacada despudorada e vilmente até na frente de outras pessoas, dão a dimensão de como está arraigado o sentido de abuso que os homens incorporam e sentem-se no direito de praticar. E repete-se em milhões de lugares tanto no espaço profissional como até nos próprios lares de outras milhões de mulheres… Ninguém é a única ou a culpada.

Sabemos também que é ínfima a porcentagem da denúncia. Aflições, choros, sofrimentos, vergonha, desmaios e a norma é o silêncio.

A delicadeza, a cultura secular de supremacia do macho, a educação equivocada e a fragilidade corporal parecem acerbar a gana desses brutos. E se parece que a mulher está tomando à frente, mais decidida, corajosa, esclarecida, nesse sentido precisa vencer muitas etapas. Pior ainda se a violência vem de quem ela ama. Aí ela perde sempre e os exemplos são inúmeros e trágicos para o ser feminino.

Temos que denunciar, que participar e criar grupos de apoio, e anteciparmo-nos. Sim. Pensar, criar estratégias, ter coragem, conversar bastante com familiares e amigas para criarmos defesas não só psicológicas e emocionais, mas até físicas. Como reagir, como tentar safar-nos. A grande maioria dos abusos começa com pequenos atos e se, com força já rechaçarmos estas investidas, estaremos nos poupando de coisas piores. Falar com nossos conhecidos, gravar e postar para todos nossos grupos, pedir ajuda, enfim, não dar “sopa para o azar”. Mesmo sendo nosso superior hierárquico e vai daí o lembrete, para que nossos atos não propiciem análises equivocadas, pois eles acham que são irresistíveis mesmo sendo ridículos e que se forçarem um “pouquinho” na visão troglodita masculina abrirão caminhos…

Chega de assunto-tabu, é como qualquer outro perigo… Assim, nós mulheres não vamos nos calar. Sexo frágil nada! E ponto final.

 

* Foto: Globo.

 

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Hipólita
Hipólita
Paulistana, madura, livre por excelência. Não liga para aplausos ou vaias. É exigente e absolutamente irreverente (viva a rima!). Adora literatura, gosta de escrever, cozinhar, fazer crochê e curtir a natureza: flores, pássaros e a beleza. Acredita que refletir faz parte de aprender a ser mais feliz e que desafios a vencer são fundamentais. Está fora de pessimismos ou tristezas.
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