Home Tags Posts tagged with "amor platônico"

amor platônico

by -
0 2629

Sob a luz da inocência, sua nudez me apresenta

Mas a compulsão da febre se dará com outro

Vai me restar um abraço e uma ideia fixa: o calor dessa pele por baixo da roupa.

 

Sob sussurros, seus segredos me revela

Mas a devoção e o perfume serão de outro

Vai me restar o cheiro e uma obsessão: o suspiro que viola a inércia dessa pele.

 

Sob risos, sua alegria me entrega

Mas o regozijo não se dará aqui

Vai me restar a estima e uma demência: como rescindir essa tortura fraterna.

 

Estou amando. Mas disfarço para ele não desconfiar e para não atrapalhá-lo.

Adoro amar platonicamente. Quando assim amamos, deixamos a pessoa amada partir sem sofrimentos e sem culpas quando o destino a ela apresentar uma nova paixão.

Mas, para uma amante platônica, sempre há uma questão: algum dia amei ou amarei alguém? Quando me arriscarei e criarei coragem de enfrentar uma desilusão e sofrimento para em troca ter e sentir todas as benesses de um amor correspondido?

Embora eu já saiba a resposta, às vezes me pergunto se esse tipo de amor é amor mesmo ou é covardia. Mas, logo em seguida, como numa espécie de auto-engano, vem meu superego e me mostra que se trata apenas do acaso. Há desejos que não podem ser realizados, porque não era a hora ou não era mesmo para acontecer… Só isso e ponto.

Contudo, de alguma forma, minhas fraquezas sempre dão uma maneira de eu escapar da racionalização e, vez por outra, lhe abraço… Ainda que para você seja um abraço de amigos. São nesses momentos que mais sinto a dor e o prazer de amar platonicamente.

 

Gosto do conforto dos amores platônicos.

Simplesmente resumido em “o amor pelo que ainda não é seu” e, pra ser sincera, na maioria das vezes não será mesmo.

Eles não me cobram muita coisa. Não preciso agir, interagir, seduzir ou sorrir; só preciso estar ali, disposta a admirar tudo que não posso ter.

Há sempre esperança, há sempre um “pode ser que dê certo” para nos manter conectados, ou melhor, me manter conectada.

Não comparo a graça da conquista com a dor da possível decepção. Simplesmente não quero tentar. Contento-me com esse “Show de Truman” que montei para nós.

O amor real nunca atingirá toda minha expectativa. Sou bastante criativa e no meu cenário estou feliz, estou completa. O amor platônico é um amor egoísta, é o meu amor por ele e fim. Não existem discussões por melhores caminhos ou entendimentos distorcidos de indiretas mal dadas. Estarei sempre certa, apesar de sempre só.

Se sou feliz? Talvez a felicidade seja a gestão da aceitação de tudo aquilo que não se pode ter e daí minha predisposição a amores já resolvidos, ou para o sim ou para o não. Não corro riscos, já sei o final de tudo isso, mesmo que seja eu sem ele e fim.

*“O Show de Truman” é um filme norte americano de 1998 dirigido por Peter Weir e escrito por Andrew Niccol.

Solteirando pelas redes sociais