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amor
Nenhuma paixão é verdadeiramente livre.
Nelas, existe sempre um pouco de insanidade e cegueira.
Um descontrole. Uma obsessão. E um consequente prazer.
Um estado transiente – de quase de absorção.
Tolo em expectativas, tolo em crenças, tolo!
Esse vício na carne. Esse dilatar da pupila. Essa equação insolúvel.
Mas, senão ela, quem daria adrenalina a um corpo inerte admirando o objeto de sua cobiça?
É como estar prostrado sob o cano na expectativa do contato com um projétil mortal.
Que o vazio da monotonia é mais morte que a dor letal.
Quando resolvi ser livre eu entendi finalmente o que é estar leve, solta como uma pipa aos sabores do vento, mas forte o suficiente para aguentar as tormentas. Leve para entender que o que me faz mal não me cabe, mesmo que esse mal seja conhecido como amor. Não que eu esteja depreciando a palavra, mas já se sabe que se te faz mal, você está supervalorizando o sentimento errado achando que é amor. O amor tem que ser leve, sem te pesar nos ombros te fazendo entristecer e nem doer no peito, te deixando amarga.
Resolvi ser livre e assim comecei a entender que isso não quer dizer estar sozinha, quer dizer apenas que não dependo de outro alguém para ditar como o meu emocional deve reagir, como o meu humor deve se portar diante de atitudes que não competem a mim mudar porque não dependo de nenhuma aprovação para ser quem sou, eu apenas sou.
Resolvi ser livre e aprendi a dar valor ao fato de estar solta, de não ter que dar satisfações do meu dia a dia, do tamanho da minha roupa, da demora em atender um telefone, do olho torto aos meus amigos, do comodismo em se acomodar na vida e na relação, achando que amores sobrevivem do “mais do mesmo” diário.
Eu aprendi que me libertar não é sofrer, nem mesmo chorar, não é me sentir incompleta por não ter alguém para me beijar nas noites frias, para me dar carinho nos dias difíceis… Na verdade, me libertar é saber que posso chorar e sofrer quando quiser, mas também é valorizar quem eu sou, emancipando a mim mesma, me conhecer mais do que ninguém, reconhecer a minha força interior e entender que não preciso estar dependente de ninguém para sorrir.
Hoje eu sei que minha liberdade vale muito mais do que um status de relacionamento que muitas vezes nem me faria feliz, só me faria menos “falida” para a sociedade. Aprendi que a sociedade pouco importa na minha vida, pois nunca me importei com os seus valores. Quando somos livres, nos livramos de tudo o que nos prende, de tudo o que nos deixa estagnadas e nos impede de avançar, arcamos com nossas atitudes, consequências e incertezas sem pestanejar, porque sabemos que até isso nos levará a algum lugar.
Convidada: Marcia Rocha (seguidora)
Hoje me sinto diferente
Sensação estranha, sinto dor
Angústia um tanto envolvente
Peito apertado, falta de amor
O ar já não se faz presente
O corpo sucumbe, o pensamento é vago
A sensação de um amor ausente
A solidão da mente, ausência de afago
Hoje o peito arde em frieza
O gelo domina o meu ser
Sei que vai passar esta tristeza
E que o alívio desejado vou ter
Amanhã é um novo dia
E o hoje será apenas lembrança
Deixo para trás a covardia
Para buscar coragem e esperança
Só um tipo de paixão me interessa: as vigorosas. E isso não remonta viver sob a incessante caça de relações utópicas, mas sim, estar sob a tutela da salubridade e da boa vontade.
Afinal, relacionamento é vontade, é desejo, é querência. Significa alinhamento de ânimos sem a garantia de permanência dos ponteiros e, também por isso, significa ajuste. As relações de sucesso não violam, não agridem e não comportam lástimas – apesar das divergências.
Figuram uma superfície homogênea, plana ou montanhosa, mas sem talhos, cavidades ou golpes, a premissa máxima é uniformidade.
A rotina dos elos amorosos é doação, com eventuais cenas de escambo. Comportam a sexta-feira tóxica, o sábado constipado e o domingo vadio, mas por resultante cativam onipresença.
Os vínculos sadios não regem cárceres, não há clausura nem furto: é entrega ou nada. São multidimensionais e através de lentes subjetivas, palpáveis.
Dizem que relacionamento é paciência, para mim é, antes de tudo, paz. E, mesmo na plenitude do caos há de se encontrar uma trégua.
Não é que eu queira só o nirvana das coisas, a volatilidade do júbilo significa tortura. No fim das contas qualquer relação lhe usurpa uma parte da vida, quero ficar com aquelas que me regozijem. Conexões baseadas em flagelos deixaram de me seduzir, pois são passos a caminho do suicídio.
Demorei centenas de tentativas frustradas até chegar a essa conclusão.
O sexo tem exigido tanto de nossa atenção, que estamos – todos – quase sempre a prestar declarações e fornecer estatísticas de nossas preferências para exercitar o coito.
Atualmente, parece ser significativo entender quais práticas um indivíduo é capaz de fazer para obter um orgasmo.
Nunca achei necessário ter em mãos essa releitura tão profunda da minha própria sexualidade. Sempre tive curiosidades e desejos, mas, incrivelmente, paciência também. Neste patamar, eu figurava alguém que não sabia tudo o que era capaz de fazer por um pouco de gozo, mas já sabia que o seu ambiente de possibilidades não se limitava pelo gênero.
Com o tempo fui obrigada a buscar as tais respostas e definições que o mundo tanto precisa para diferenciar as pessoas. Foram tantas as decepções que tive e proporcionei, que nunca passei de um objeto nulo na interação com o sexo oposto.
Por fim, me cansei de viver constantemente sob um processo de auto-humilhação.
Alcançada maior consciência sobre meu corpo, passei a vivenciar os temas de cunho sexual longe dos holofotes da sociedade. Tornaram-se íntimos, sem a obrigatoriedade de respostas concretas e pertinentes somente a mim. Um dia aceitei a verdade.
Sim, sou gay.
E, ao contrário do que se pode imaginar, não foi um grande amor que me levou a redenção dos meus preconceitos. Ser homossexual não é uma história de romance, é uma crônica sobre um encontro particular e inevitável.
Depois disso, o mundo permaneceu intacto na plenitude de sua rotina de movimentos rotação-translação, enquanto eu, no meu universo particular, mais do que mudar, pude finalmente, existir.
Pensando em nós, em nosso jeito feminino de ver a vida, acredito que o Natal seja a maior das desculpas para sermos mais completas, mais todo mundo e, principalmente, mais nós mesmas, bem do jeito que a gente gosta. Ou seja, o Natal pleno ultrapassa tradições e, principalmente, a inquietação consumista.
Estreitar laços com parentes, amigos distantes ou não. Ampliar relacionamentos, aplanar diferenças fúteis ou sérias, contatar quem se extraviou…
Comprar, com amor, o presente do filho, afilhado, amigo, pais, avós, enfim, o algo especial que mexe com almas e corações, não se ligando aos cifrões, mas às emoções.
Pena de quem passa batido pelo Natal. Perde a chance grande de viver mais intensamente, confraternizar, fazer feliz e ser mais feliz. Enfeitar ambientes, enriquecer ceias e almoços, tornar tudo mais gratificante… Você merece e os outros, também.
Feliz Natal a todas e que este presente da vida reflita em todos os dias do Ano Novo!
Ilustração: Agradecimentos a Moshlab Wallpaper
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