O Ser Criança
A verdade é que o ser criança habita um mundo paralelo a essa perturbação crônica em que vivemos. Ele é sempre alegre e não se sujeita a poupar balas para o futuro. Devora a panela de brigadeiro, se lambuza no doce de leite e depois entrega um beijo babado à vítima de seu carinho. Não evita as cáries, os tombos, os choques. Coloca em risco a própria pele pelo prazer da descoberta. Na pouca idade temos os dois pés calcados nesse domínio até que o ciclo temporal nos exige maturidade, perfeccionismo, pudor e espontaneidade censurada. É um desafio rotineiro não deixar que o ser criança nos seja usurpado em sua totalidade. Por isso, precisamos viver mais a simplicidade das coisas.
O prazer das expedições de quintal. O sono pacificador de colo de avó. Só assim o cotidiano se tornará palco aberto do ser criança e o sonambulismo das nossas vidas ganhará vigor.










