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Eu sou uma bruxa muito poderosa. Tenho até um gato preto. Muitas pessoas se assustam quando eu falo isso, mas vou explicar para vocês o porquê.

A bruxa que temos na nossa imaginação, mostrada nos filmes e desenhos, é a velha feia com verruga no nariz, unhas compridas, vestida de preto e que mora em uma casa velha, com morcegos no teto. Tem como animal de estimação um gato preto (assim como eu). Seu veículo é uma vassoura que voa e faz suas poções mágicas em seus caldeirões.

Essa imagem foi resultado da difamação das bruxas pela Igreja Católica durante a Idade Média. Naquele período, qualquer mulher que tivesse algum tipo de poder de cura, através de uso de plantas medicinais, conhecimentos meteorológicos ou sabedorias diversas era considerada bruxa. Alguns estudos apontam que a palavra bruxa em Sânscrito significa mulher sábia. Com a chegada do cristianismo, determinado pela dominação masculina, essas mulheres começaram a ser perseguidas. Parece que os homens têm medo de mulheres poderosas, não é mesmo?

Na minha opinião, todas as mulheres são sábias e têm poderes mágicos femininos. Cabe a cada uma de nós descobrir o poder e a sabedoria que tem. Citando uma frase de Laurie Cabot, uma das bruxas mais famosas dos EUA:

“A capacidade de mudar e a arte da transformação fazem parte da magia de uma mulher, mas é necessária uma grande dose de coragem para fazer uma mudança para melhor, especialmente em situações difíceis e desafiadoras.”

Eu me considero sábia, capaz de realizar transformações a cada dia da minha vida usando meus poderes de cura comigo e com os outros. Sendo assim, sou uma bruxa. E você?

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Tempos modernos. Grande avanço tecnológico, mas pouco, do comportamento humano. Para alguns e algumas o machismo arrefeceu. Não para as mais atentas ou desbravadoras. E pior, ele é exercido por mulheres também. Não é tema deliberadamente abordado. Não interessa para muitos.

Então, temos de tratar deste assunto. Ele afeta drasticamente nossa vida em todos os sentidos. Veremos aqui algumas de suas manifestações, só algumas… E superficialmente.

Quando uma mulher é estuprada, o “ser superior” acha-se no direito da posse. E não podemos dizer que só doentes mentais são estupradores. Isto é exemplo do machismo mais atroz. E o quadro é assustador e comum. Informe-se e resguarde-se.

Também a mulher que apanha ou é morta pelo simples fato dele se julgar na prerrogativa de decidir ou forçar o que ela não quer. E, estarreça-se, são 20 (vinte) mulheres mortas por dia no Brasil. Um assassinato a cada hora e meia. E quem divulga esses dados? Não interessa de novo. É melhor contar uma estória de príncipe encantado. As estatísticas de mulheres que apanham de companheiros são tão abaixo da realidade que só desavisadas acreditam nelas. E o que se tenta fazer para coibir é maquiagem. Lembra o ditado: “em briga de mulher não se mete a colher”. E grassa a violência!

Das tribunas legislativas ou religiosas levantam-se leis e acusações que punem, prendem, destroem mulheres que cometem aborto. Quem são eles? Deuses? São 250 mil mulheres que recorrem ao SUS para tratar as sequelas de procedimentos malfeitos ao ano em nosso país e, com certeza, só as mulheres desvalidas estão nessa estatística*. Elas são jogadas na fogueira da incompreensão, da tirania que homens e mulheres acham-se no direito de exercer. Crueldade. E ressalta-se: ninguém aqui é a favor do aborto. Ele é extremo, devastador, doloroso… Mas, se for opção escolhida pela infeliz, em vários sentidos, o que deveria haver seria apoio, e na maioria das vezes, chances intelectuais, culturais e econômicas, que com certeza ela não teve ou tem. A classe A ou B não entra neste rol. Seus recursos a liberam e não só o econômico, mas principalmente seu esclarecimento.

Na vida profissional, de novo, as estatísticas são bem reveladoras do poder do macho. A mulher é condenada até por ficar grávida, e isto coloca-a na rabeira de salários e oportunidades. Também é classificada como menos capaz pela esmagadora ala masculina e muitas até vestem a carapuça. Só que nós mulheres somos responsáveis por metade da força de trabalho no mundo, excluindo-se daí, nossa segunda jornada que é a doméstica, bem exaustiva. Poucos homens levantam do sofá, e nem têm vergonha, para eles é normal. Prevalece o direito do “melhor”. À “inferior” cabe a obrigação divina de servir.

Poderíamos elencar dezenas de outros exemplos, estes são os mais contundentes. Assim, não encarar ou não identificar o machismo que os milênios reforçam não melhora o problema. Esconder-se em bolha de felicidade e dizer que seu homem é diferente não ajuda as outras que sofrem. E nunca se sabe o dia de amanhã.

Repensar, avaliar, reconhecer suas formas e tomar atitudes é preciso, é tarefa de mulheres e homens. A sociedade tem de ser mais respeitosa e igualitária e menos discriminadora, em todos os sentidos, para que todos vivam o melhor possível.

*Vejam aqui alguns números. 

 

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