Completo 40 anos de idade daqui alguns meses. Todos os anos, momentos antes do badalar da meia-noite, faço meu balanço de descobertas, aprendizados, erros, acertos e tudo mais que couber na minha pausa reflexiva. Este ano não vou aguardar os doze meses da minha última primavera. Abri uma exceção para observar meus passos junto com o Solteirar, que completa seu primeiro ano neste mês de agosto.
O Solteirar surgiu como uma brincadeira. A idealizadora, ao nos confessar suas divagações, parecia descrever uma mesa de bar rodeada de mulheres contanto suas cômicas, trágicas e alcoólicas histórias sobre ser solteira. Mas, ao ser desafiada a colocar no “papel” todos esses anos de experiência, tive receio de revolver o passado, de questionar o presente e de sentir a insegurança do futuro.
Não sei se disse sim ou se apenas silenciei. Talvez a própria inércia das minhas emoções me guiaram para a resposta, não me recordo.
Para o balanço deste ano, escolhi um momento especial para me inspirar. Por volta dos 22 anos decidi encarar minha acrofobia¹ e descer um tobogã de uns bons metros de altura num parque aquático. Não preciso dar detalhes da sensação de arrependimento que me consumia enquanto a fila ia diminuindo e minha hora era iminente. O fato é que aqueles 10 segundos de queda foram tão incríveis e libertadores que eu só pude agradecer à loucura que me fez superar o desejo de desistir.
Este pedaço de memória representa completamente meu último ano. Nesses últimos 365 dias tive a mesma sensação daquela queda. Entreguei-me às mulheres que buscam a libertação de seus medos e tento traduzir em cada texto a nossa rotina de preparação para o passo que antecede o salto de liberdade.
E não à toa, este ser metódico, quebra seu ritual quadragenário particular de comemoração: nasceu uma nova Glória com a descoberta desse impulso de coragem, o Solteirar.
¹ A acrofobia o mesmo que “larofobia” é o medo irracional de lugares altos.
Sempre ouvi que ser gostosa era ser voluptuosa e sexy. Cresci com essa crença que limitou minhas vivências, oportunidades e aventuras.
Quando adolescente, era magrela e acreditava não ser nada atraente. Gostosa e sexy? Impossível. Esses eram adjetivos para algumas amigas que tinham auto estima elevada, altura superior a minha e seios fartos.
Com o passar dos anos, comecei a me valorizar mais e perceber que eu tinha atributos interessantíssimos como inteligência, perspicácia, simpatia, disposição e sagacidade. Ah! Eu estava me tornando uma mulher interessante. Então, entendia que todos que se aproximavam de mim tinham empatia, afinidades ou qualquer outra coisa não relacionada a desejo sexual. Afinal, eu não era gostosa nem sexy.
Pensando assim, fui transformando os homens ao meu redor em melhores amigos. Logo, melhores amigos não estão na lista dos caras que vão te levar para cama para não estragar a amizade.
É claro que tive alguns relacionamentos sérios, mas após o fracasso de alguns desses relacionamentos, e com o advento das redes sociais, comecei a encontrar amigos de longa data. Alguns que me conheciam desde a época em que eu me considerava horrorosa.
Qual não foi a minha surpresa? Os mesmos sentiam falta da amiga que eu era. Saudades da confidente, da divertida e da inteligente, e me confessaram sentirem falta do meu perfume, da minha cara de garota travessa, da minha sensualidade e até dos meus olhos e do meu jeito super sexy de encarar a vida.
Pasmei!!!! Fui explorar mais o assunto e ouvir mais os caras que estavam ao meu lado, no meu cotidiano. Geeeente!!! Eu de fato era uma mulher sexy. Incrível descoberta!
Com autoestima mais encorpada, comecei a me permitir relacionamentos despretensiosos com amigos ou conhecidos que começaram a me mostrar que eu era uma mulher gostosa e sexy. Ao que tudo indica, sempre fui.
Iupi!!! Os anos se passaram, a minha pele não é mais a mesma, o corpo já não é tão jovem e acreditem: sou uma mulher madura e me sinto cada vez mais sexy e gostosa. E sabe como posso ter certeza disso? Me aventurando, me permitindo, reparando, observando e me deixando observar.
Se tivesse descoberto isso há alguns anos, não sei o que seria dos homens à minha volta.