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“esperando um sim ou um nunca mais!”

Estou em um cenário similar ao caos: a fila do caixa do supermercado. Ignoro a falha técnica que ocorre lá na frente e no meu completo egoísmo vou sendo consumida pela espera e pelas histórias da vida alheia – cujos temas não possuem filtros ou classificação indicativa para serem regurgitados em público.

Tento concentrar-me nos alto-falantes que sussurram algum sambinha ainda não identificado, mas com alguns segundos de trabalho, o volume do melodrama à minha frente é aumentado e interrompe o meu exercício. Desisto, encaro a situação e à minha frente estão duas amigas e um enigma: aquele homem do passado. E, essa foi a porta de entrada para as minhas alucinações.

Verdade seja dita, existem pessoas que nos fazem parar no tempo, de forma a estar sempre “esperando um sim ou um nunca mais!”¹. Nem preciso detalhar o quanto esses temas visitam e revisitam os sofás do meu consultório.

Lembro-me, neste momento, das minhas amigas. Pois, algumas não se envolvem com pessoas que tenham o mesmo nome do desastroso ex-namorado; outras, passados mais de dez anos, nunca assumiram qualquer relação após o célebre término; e, ainda, há aquelas que optaram por, simplesmente, não se relacionar mais!

É claro que alguns relacionamentos são traumáticos, mas a exceção de diagnósticos patológicos – que exigem acompanhamento – a moral da história é sempre a mesma: todo fim é um recomeço. E, ainda assim, por que passamos tantos anos a arrastar correntes por alguém? A troco de quê essa dedicação unilateral aos doces momentos findos ou à amargura dos arrependimentos? Por que a insistência em não enxergar um ponto final onde já não existe nada?

Não extingo das possibilidades a existência de júbilo em uniões restabelecidas, mas enquanto isso não acontece, onde se encontra aquele desejo individual de realização? Resposta: Estacionado no passado ou à espera de uma chance no futuro. Meu desespero se agiganta em  ver esse cárcere às memórias transcorridas.

A chave para a liberdade está em perceber um simples detalhe: alguns parágrafos terminam com um ponto final, não adianta interpretá-lo como um indício de reticências.

Opa! E a fila retomou seu movimento…

 

¹Amado – Vanessa da Mata (https://www.youtube.com/watch?v=4wegmGMUunk)

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