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Confesso um dia ter me deixado tapear pela deliciosa utopia da igualdade…

Confesso ter acreditado que um operário “salvaria” o Brasil (como se alguém conseguisse essa proeza)…

Confesso que a arrogância embaralhou a tal ponto minha consciência que cheguei a julgar os esquerdistas – como eu! – seres humanos mais justos, honestos e capazes do que os “elitistas” do lado oposto do espectro político…

Confesso minha ignorância pretérita quando concebi que a política comportava apenas dois lados opostos.

Confesso que já sonhei que os projetos revolucionários da esquerda estariam livres da putrefação, como se não sucumbissem à entropia. E mais: avaliei que as iniciativas “sociais” também seriam imunes às fraquezas humanas.

Confesso minha estupidez tamanha em santificar um lado da política, mesmo depois de ter lido (e relido) a “Revolução dos Bichos”.  Por essa, mereço a alcunha de “anta” sem reclamar.

Confesso que considerei os capitalistas neoliberais como vampiros opressores obcecados pelo lucro. E incapazes de ter empatia pelos seres humanos que o produzem.

Um dia presumi que apenas a esquerda teria o legítimo interesse em “assegurar” a sustentabilidade ambiental, a igualdade entre raças e gêneros, a inclusão social, o necessário incentivo à cultura, as políticas públicas universais… E que seria o único “lado” a lutar contra a concentração de renda.

No ápice de meu delirante devaneio político, imaginei que somente a esquerda permitiria a participação do povo na gestão pública. Enfim, pensei que ela seria a “verdadeira democracia”.

Cheguei a apostar, durante meu longo surto de estupidez, que os líderes esquerdistas seriam mais hábeis para construir acordos internacionais estratégicos que integrariam a América Latina ao comércio mundial.

Confesso ter antevisto que, ao chegar ao poder, a esquerda daria uma lição de honestidade à humanidade, livrando-nos da corrupção entranhada em cada canto das esferas do estado.

Sim, ingenuamente acreditei um dia que “ser esquerdista” garantiria ficar livre de pesares em minha consciência político-social. Simples assim?

Confesso a falta de humildade em entender ideias diferentes das minhas.

Confesso, ainda, a mais elevada burrice em ter defendido que as “imaculadas” soluções esquerdistas seriam a resposta definitiva para a transformação da sociedade. Também julguei que os esquerdistas, com seus “princípios morais invejáveis”, estariam imbuídos de tomar decisões pelo resto da humanidade.

No entanto, ao longo dos anos, os fatos gritantes superaram minha ínfima capacidade de observação e me salvaram da ignorância eterna. Finalmente, estou livre do último cabresto ideológico que ainda me aprisionava. E já não acredito mais nos psicopatas de esquerda que, em nome de “projetos sociais”, sacrificam as raras opções para os pobres.

Hoje, não estou à esquerda ou à direita. Simplesmente sigo em frente com meu niilismo insuportável.

Agora órfã de fantasias sedutoras, miro a atenção para os projetos práticos que podem melhorar meu dia a dia.

E, se é que eles existem, os mais promissores parecem ser aqueles desprovidos de qualquer ideologia de botequim.

 

Imagem: Agradecimentos a Angeli.

 

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