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Fui ao consultório médico. A recepcionista começou com as perguntas de praxe para fazer a ficha: nome, endereço, data de nascimento, estado civil… estado civil??? Como assim? Que diferença faz o estado civil na consulta médica? Foi a primeira vez que me deparei com essa pergunta após ter me divorciado. Fiquei um tempo paralisada sem saber e, de repente, caí na gargalhada e respondi: aliviada. Sim, estado civil aliviada, me recusava a falar divorciada.

Na minha opinião, se declarar divorciada traz uma carga enorme, desperta uma sensação de fracasso na missão “felizes para sempre”, uma sensação de “não consegui”. Imagino que para as viúvas, a declaração do estado civil traga um sentimento até pior.

Gostaria que pessoas que já tiveram relacionamentos e que não têm mais, não importa o motivo, tivessem a chance de um recomeço. Que pudessem ser chamadas de solteiras. Seria interessante que a lei permitisse isso. Me sentiria mais feliz. Sentiria que tenho chance de recomeçar de novo sem carregar esse estigma.

Pensando nisso criei meu próprio estado civil: solteira aliviada. Uma solução divertida para quando me perguntam meu estado civil. E você, também é a favor de voltar a ser solteira?

 

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De Juliana Marques (fã do Solteirar)

 

“Você é solteira?? Por quê??” Sinceramente, não acho que existam perguntas mais irritantes do que estas que geralmente costumam aparecer naquele primeiro dia de aula na faculdade, quando todos estão se apresentando, ou então naquela reunião de família, que todas as centenas de tios e primos resolvem fofocar sobre sua vida pessoal.

Eu sou solteira e não tenho nenhuma vergonha em admitir isso, mas sempre tem aquela pessoa que nos deixa desconfortáveis quando o assunto é a solteirice alheia.

Alguns causos que já ocorreram comigo…

Num belo dia, estava eu toda serelepe para minha primeira aula na faculdade. O professor simpático entrou na sala e iniciou aquela mesa redonda para enturmar seus alunos e todos assim se conhecerem melhor. Foi perguntando a cada aluno se eles eram solteiros, casados, divorciados, viúvos, ou simplesmente encalhados sem nenhuma esperança de futuro.

E chega a minha hora. De todos da turma eu era a única que não tinha namorado, e muito menos aquele que almejava tornar-se um.

Dei um sorriso meio sem graça, tentando fugir das perguntas mais indiscretas, mas aquele professor fofoqueiro logo me pergunta:

– Não está namorando?? Que pena! Mas deve ter alguém por aí, né?!

Como você responde a uma pergunta dessas?? Eu tenho a minha variedade de respostas padrão.

A Educada : “Sabe como é, encontrar alguém é difícil nos dias de hoje.”

A Romântica : “Ainda não encontrei minha alma gêmea. Aquele que me fará suspirar a cada segundo e tirará toda a razão de meu ser.”

A Moderninha : “Eu gosto de curtir o momento. Sou um espírito livre e prefiro continuar assim.”

A Drama Queen : “É que ninguém me ama, ninguém me quer”

A Pessimista : “Pressinto que serei a tia velha louca dos gatos!”

A Realista : “Como é possível namorar alguém se a cada 35 homens bonitos, 20 são comprometidos e os outros 15 são gays?”

A Carente : “Eu até quero um namorado para chamar de meu, mas todos os rapazes de quem gosto nunca gostam de mim!”

A Feminista: “Não namoro porque não quero. Todo relacionamento é uma forma do homem impor suas opiniões e ordens a uma mulher que se sente obrigada a viver no mundo machista, pois acredita num falso sentimento que é o amor!”

O engraçado é que mesmo que respondamos de alguma forma aquelas perguntas, alguém sempre olha para você com aquele tom de piedade. Minha situação é passível de pena?!

Não importa como você agirá nessa situação, seja na faculdade ou na reunião de família, eles sempre te tratarão como um ser estranho. Desde quando todos têm que ter um relacionamento íntimo para ser considerado alguém “legal”??

Nas reuniões de família é ainda mais engraçado. Sabe aquela tia velha viúva que teve uns quinze filhos e adora dar pitaco na vida de todo mundo?? Então, ela é a primeira a soltar:

– Ahh tadinha da minha filha! – passa a mão na cabeça – Mas não deixe de acreditar e procurar querida, um dia você vai encontrar alguém. Logo logo aparece aquele homem bonito pra você namorar.

Mas por dentro ela tá dizendo:

– Ahh tadinha da minha filha! – passa a mão na cabeça – Ela é tão incompetente para arrumar marido. Daqui a pouco fica velha, feia e ninguém mais irá querê-la. Desse jeito nem com promessa de Santo Antônio.

Desculpa, mas estou mentindo aqui?? Quem disse que nossas idosas tias viúvas fofoqueiras não pensam assim de nós, combatentes fiéis do time das solteiras?? Pois bem, é exatamente assim que elas falam de nós pelas costas.

Todos acreditam que estamos solteiras por opção. Acho mais provável que é a falta de opção. Minha mãe vive reclamando que passo o tempo na frente do computador, e reclama quando vou nas festas com meus amigos. OK, desse jeito é que não vou arrumar namorado mesmo, né Mãe?!?!

Ela é tão fissurada para eu arrumar alguém que só falta organizar aqueles encontros às cegas para mim. Até me empurrar para meu melhor amigo ela já tentou…. Sofrível, eu sei!!

Desculpem estar divagando muito sobre o assunto solteirice hoje, mas chega um momento que canso das perguntas. Então eu aprendi. Alguém vem e me pergunta se estou solteira e já respondo logo, da minha forma curta e grossa:

– Sou solteira sim, e daí?!

 

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Eu que já fui solteira, casada e hoje divorciada, acredito que não há diferença entre uma solteira e uma divorciada, pois ambas estão solteirando sem compromisso. Na minha opinião,  o estado civil “divorciada” é desnecessário. Após a separação, a mulher deveria voltar a ser solteira e pronto.

Porém, existe uma diferença significativa na rotina e liberdade das mulheres com filhos, sejam elas casadas, divorciadas ou solteiras. O ideal seria uma substituição dos três estados civis por quatro classificações:  casada, mãe casada, solteira e mãe solteira.

Embora eu conheça bem a diferença entre a rotina de mulher casada sem filhos e uma mãe casada, neste texto, vou explorar o meu estado atual: mãe solteira.

Começo ressaltando que frases de solteirice como: “Fazer o que quiser quando der vontade”, “Viver com a mínima rotina no cotidiano” ou “Sair com as amigas sempre que quiser” não fazem parte da realidade de uma mãe solteira.

Isso não significa que não seja delicioso ser mãe. Não dá para ver aquele gatinho na hora que te dá vontade, nem encontrar as amigas na balada todos os finais de semana, muito menos viver sem rotina. Porém, é possível viver de forma plena o papel de mãe, sem esquecer-se de ser mulher.

Divertir-se com os filhos é uma delícia. Eu sou mãe de menina e, quando estou com ela, vivo no mundo das princesas. Temos vários compromissos e uma vida bastante agitada e divertida. Isso faz com que as obrigações se tornem mais leves. Por outro lado, quando não estamos juntas, exerço plenamente minha solteirice.

O segredo para conciliar esses papéis é viver cada um deles intensamente. Quando estou no papel de mãe, chego a ignorar ligações que eu adoraria receber quando estou sozinha. Assim como quando estou solteirando não fico me culpando por estar me divertindo sem a presença dela, pois confio que ela está feliz onde estiver.

A fórmula é baseada em amor, respeito e sinceridade. Minha filha sabe que sempre pode contar comigo, assim como tem certeza do quanto eu a amo. Se vou sair e deixá-la com alguém, nunca minto que vou trabalhar ou algo assim, o que me permite não me sentir culpada.

E assim segue minha rotina de mãe solteira, “encontrando as amigas sempre que possível” e elas entendem isso perfeitamente. “Fazendo o que tenho vontade”, pois tenho vontade de brincar com minha filha quando estou com ela e de me divertir sozinha quando ela está ausente. E “vivendo com rotina”, mas de forma divertida.

Sendo assim, apesar de ter passado por alguns estados civis, tenho certeza que o estado civil mãe solteira é o que mais me faz feliz.

Convidada: Rita Rodrigues

Solteirando pelas redes sociais