Entre Rotas e Estacionamentos, Google Maps e Waze – Cap. 3
Conquistamos com muito custo nossos direitos: trabalhar, votar, CPF próprio, carta de motorista… Esse último há quem conteste até hoje e, às vezes, até eu mesma.
Para sair da ressaca do Happy Hour do dia anterior, nada melhor do que um café da manhã com aquela amiga de infância que te conhece na vírgula do olhar. Depois dos últimos acontecimentos, precisava de uma sessão de terapia com alguém que saberia entender, rir e que me ajudaria a achar uma forma de ver minhas confusões pelo lado positivo.
Ela sugeriu um local perfeito… Eu só não conheço ninguém na região… Aliás, também não conheço a região, o que começa a ser um problema… Vai tudo muito bem entre mim e a direção do meu veículo em locais conhecidos, juro que me viro super bem no trânsito, mas basta sair um pouquinho da rota, pouco mesmo (bairro vizinho, por exemplo), que as coisas começam a complicar…
Calmamente me ligo na mocinha do Waze na convicção de que tudo dará certo. E as coisas vão bem até que naquele momento crucial, justamente onde o caminho fica desconhecido, a voz dela desaparece! Então, a minha respiração falha e, diminuo a velocidade… e o cara de trás buzina e gesticula “daquela” forma … Fica claro que ele xingou a minha mãe… Na sequência, ouço a célebre frase: “Em que posso lhe ajudar?…” e me pergunto: “Como assim, sua #%$ˆ&*??!!!! Me diga o caminho agora!!! Sinal do celular, onde você foi parar????”
Entro na primeira rua vazia para buscar uma alternativa no concorrente Google Maps e, com a graça divina, me vejo na rua onde deveria estar há 15 minutos atrás: praticamente em frente ao café! Um sorriso confiante nasce em meus lábios…
Hummm…rua cheia… Mas avisto uma vaga linda a 100m. Tudo perfeito! Acreditem, sou boa de baliza! Ah… Claro que só tinha essa vaga: pois havia dois malditos vasos de concreto quase no meio fio! Qualquer movimento mais brusco e a batida seria certa…
Então recomeço o meu percurso rumo à vaga desafiadora… O casal de velhinhos, que varria a calçada do outro lado da rua, para pra assistir minha performance (por que será que duvidam da minha capacidade?)… Nisso, lá se vão três tentativas frustradas de conseguir manobrar. De repente me assusto com um rapaz sorridente batendo no meu vidro e, sem entender direito, ouço: “Moça, pode deixar que eu estaciono para você!”. Me viro para o lado para estudar o espaço ainda remanescente e vejo um senhor passando rápido que diz: “Vou afastar meu carro para você conseguir estacionar!”.
Alguns de vocês devem estar pensando: “Deixe de ser feminista e entregue logo o carro, já que não consegue estacionar!”, mas eu lhes digo: “Não! Feminista coisa nenhuma, sou teimosa como uma porta!”
Na quinta vez – e com a ajuda dos dois rapazes – estaciono perfeitamente… Quer dizer, ficou bom, deu certo! Corro para o café, minha amiga me recebe com a frase:
– Você demorou! Por que não veio com o Waze?
– A mocinha do Waze desistiu de ajudar…
– Como assim? Que mocinha? Tem certeza de que estava com o Waze? Porque no meu é um homem que fala!!!
– Céus!! Será que o seu Waze funciona melhor que o meu só porque é um homem que fala???










