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Não sou do tipo que pega novinhos, não por preconceito ou por ser conservadora, apenas porque não me sinto atraída por eles.
Mas confesso que ser uma quarentona solteira nos dias de hoje não é fácil. Meus amigos mais novos são superdivertidos, descolados, interessantes e estão na faixa de 25 a 33 anos.
Segundo o IBGE, em 2013 a média de idade dos homens solteiros era de 30 anos. Até onde eu sei, a média fica entre um valor e outro, logo, deveriam existir solteiros na minha faixa etária, mas onde estão eles?
O mesmo instituto divulgou que os divórcios aumentaram 160% na última década e que a média de idade de divorciados era de 44 anos em 2014. Opa! Onde estão eles?
Não vou dizer que não encontro um ou outro por aí, mas geralmente são carregados de preconceitos, traumas ou começam a conversa sinalizando que só querem te comer, como se uma boa conversa ou um jogo de sedução significasse uma tentativa de amarrá-lo.
Sou quarentona solteira e às vezes só quero sexo, outras, quero um bom papo e altas risadas e muitas vezes quero alguém para me trazer novidades. Ter um bom emprego e uma conta no banco, já deixou de ser novidade para mim.
Outro dia encontrei um desses tipos em uma balada cara em São Paulo. Enquanto minha amiga beijava um garotão, eu fiquei ouvindo horas de propaganda gratuita do quarentão.
Outro ponto é que eles dificilmente abordam mulheres da mesma idade deles. Talvez por saber que é mais difícil impressionar alguém que já tem uma certa experiência de vida. Um dia desses, em uma balada descolada na vila Madalena, decidi abordar um quarentão visivelmente divorciado. Sim, é fácil identificá-los. Tive que aguentar o cara olhando a galera e fazendo julgamentos absurdos e carregados de preconceitos de quem ficou isolado do mundo por uma década e meia e ainda valoriza o que era importante no século passado.
Não posso dizer que talvez eles estejam solteiros por não serem legais, afinal também sou uma quarentona solteira por opção. Será que tenho azar e ainda não encontrei caras legais por aí ou o meu parâmetro de cara legal está contaminado pelos novinhos?…rs. O que adianta ter aparência do Murilo Benicio, Selton Melo ou Alexandre Nero, e ser chato, arrogante e sem graça? Prefiro viver acompanhada de Bruno Gagliasso e Caio Castro, que estão por aí cheios de novidades e vontade de experimentar o novo.
Portas fechadas. Quatro paredes. Luzes apagadas.
Um primeiro encontro que, provavelmente, também seria o último. Transamos, sussurramos e confessamos alguns segredos.
Ele parecia ser o sujeito mais legal do mundo!
Vesti-me, voltei para casa e, ainda delirante, repousei meu corpo cansado (e marcado) sob o sofá. Na manhã seguinte, já recobrada a lucidez, uni as peças que restaram daquela história: ele, eu, o sexo casual e dezenas de amigos em comum.
Será que ele vai contar tudo para todos?
Sim, ele vai. E a minha sensação de exposição e vergonha se transformou em ódio mortal por imaginar que a simples manifestação do meu desejo seria reproduzida de maneira vil, suja e covarde. Chorei por saber que seria humilhada com comentários indecorosos, que haveriam risos omissos e, talvez, na mente de algum abusado faria sentido tomar a liberdade de me faltar o respeito.
Chorei por saber que não sou a única mulher a passar por isso…
E, porque em pleno século 21 ainda temos nosso comportamento sexual tão questionado. Por que é permitido nos diminuírem? Por que preciso achar normal que minha intimidade seja exposta? Por que temos que essa linha demarcando a imoralidade feminina?
Por que ainda somos o lado frágil e hostilizado de uma relação de vantagem mútua?
Sequei as minhas lágrimas. Não posso me envergonhar de mim, se não encontrei dignidade nos parceiros que tive a reconheço em cada detalhe da mulher que me tornei. Desde a postura obediente de boa filha até a conduta obscena de vaca profana.
– Glória, está em casa?
– Sim, está tudo bem?
– Toma uma cerveja comigo?
– Claro!
E pelo pedido, é claro que não está bem…
“Amiga, estou com a autoestima arrasada. Sinto-me culpada e diminuída por ter caído em mais um golpe – o golpe da paixão. Ele é jovem, eu deveria ter suspeitado, deveria ter evitado a relação. A noite foi incrível, me entreguei num impulso adolescente. Que ridículo! Agora, fui surpreendida com um cenário de mentiras e descaso. Esperei uma ligação. Uma explicação. Uma explicação que, eu já sei, não existe. Sinto-me usada e a culpa me consome. Como saber de antemão que se está de posse de uma nota de 3 reais? Como? Ele é um ludibriador, eu deveria ter percebido, eu deveria saber. Estou arrasada, Glória. Envergonhada. Essa é a minha ressaca após a esbórnia da última noite. Caí no conto do canalha. Devo ser a única com tamanha cegueira.”
Fiquei em silêncio durante os intensos 120 minutos desse monólogo. Só me movi para pedir mais cerveja e pagar a conta.
Levei a minha amiga para sua casa e antes de partir a olhei: embriagada, sentimentalmente ferida e absorta num sono pesado. Ao observá-la lamentei, mais que tudo, a sua última frase. A verdade é que ela não é a única a acometer-se dessa cegueira. E, provavelmente, essa talvez não seja a sua última ressaca.
Existe um tipo de homem que me dá preguiça até de imaginar. Desejá-lo, para mim, é impossível.
Estou me referindo ao homem sem pegada. Tudo nele é conforme o vento sopra, tipo “deixa a vida me levar”. Se ele está na balada, fica te olhando horas e nunca chega. Se começam a conversar, pergunta se pode te beijar, ao invés de investir.
Porém, no meu convívio diário vejo diversos homens sem pegada corporativa. São profissionais inseguros que usam de alguns recursos para manter as aparências, mas nunca tomam uma atitude ou decisão.
O cara surfa na onda dos colegas, mas não toma nenhuma posição. Quando indagado sobre algum tema, faz um discurso motivacional e não diz nada.
Geralmente, esses homens tentam seduzir o interlocutor para garantir sua continuidade. Toda vez que encontro o cara, ele fala do meu cabelo, pergunta sobre meu cotidiano, meu final de semana, minhas férias. Penso: “Esse cara quer me foder e não é no bom sentido”.
Um cara desses nunca discute, geralmente dá um sorriso amarelo e tenta evitar o confronto, ficando em cima do muro e quando se sente acuado só não esperneia para não fazer feio, mas apela para nomes de superiores ou levanta a bandeira de defesa do subordinado.
Trabalho com muitos homens e adoro isso, porém homens inseguros são brochantes, irritantes e desmotivadores.
Quando entro em reuniões com homens assim, me perco no discurso deles logo após os 15 minutos iniciais. Minha mente viaja e fico imaginando. Quem cuida desse cara fora daqui? Como esse cara consegue pegar mulher? Se ele não parar de viajar vou ter que soltar um “vira homem, cara!” ou “Coloca o pau na mesa, você tem crachá para isso!”.
Portanto, homens que nos lêem, ficar em cima do muro é brochante, seja na vida pessoal ou profissional. Tomar uma posição e arcar com os resultados é sempre o melhor caminho. Você pode não ganhar uma promoção ou um beijo, mas no mínimo ganhará admiração e respeito.
Sempre pensei que fosse frase feminista ou machista a afirmação de que homens e mulheres possuem visões diferentes sobre os mesmos fatos. É claro que não podemos generalizar, mas quando comecei a observar tais comportamentos, tive certeza que não se trata de uma afirmação banal.
Recentemente, fui até uma loja de roupas e adorei uma peça de roupa. O vendedor, um lindo garoto, insistiu para que eu provasse o tal vestido. Eu sorri e toda sem graça disse que até gostaria, mas que não tinha o meu tamanho (M). Ele abriu um largo sorriso e disse: “Tem sim (me mostrando o tamanho P), e insisto que você prove, vai ficar ótimo”. Concordei em provar, o G azul, minha cor preferida e o P branco (por insistência dele). Achei o máximo quando o tamanho G ficou muito largo e o tamanho P serviu como uma luva. Eu nem queria um vestido branco, mas fiquei tão feliz que acabei levando. Dias depois, fui à outra loja da mesma rede e perguntei para vendedora se ela tinha o tal vestido na cor azul. Ela me olhou e disse: “Ah! Infelizmente não tenho o seu tamanho, só sobrou o P”. Sorri feliz da vida e respondi. “É o P mesmo que eu quero.”
Será que a moça tinha lente de aumento ou o mocinho me olhou com mais atenção que ela? Seja qual for a razão, ambos me olharam com visões diferentes.
Para completar minha experiência, fui trabalhar com os cabelos livres e naturais, apenas com uma passada de dedos e com aquele visual meio sexy selvagem. Como sempre estou com os cabelos escovados ou presos, sabia que estava fora do padrão. Quando entrei no espaço do café, dois homens que ali estavam me ovacionaram com assobios e um sonoro “uaaauuu”! Encontrei uma mulher no corredor que me disse: “Hoje você estava sem tempo, heim?!” No mesmo dia, ao entrar em uma sala de reunião, outra mulher disse: “Nossa amiga, que cara de acabada!” E outra completou: “Você deve estar cansada, heim?” O apresentador da reunião não aguentou e soltou a seguinte frase: “Hum, eu diria que minha impressão é bem outra, mas não posso revelar aqui.” Em seguida, me deu uma piscadinha com um largo sorriso.
De acordo com minha experiência “quase científica”, mulheres e homens possuem visões diferentes sobre o mesmo fato e a melhor conclusão é que prefiro a forma que os homens me enxergam.