O que ele vai contar?
Portas fechadas. Quatro paredes. Luzes apagadas.
Um primeiro encontro que, provavelmente, também seria o último. Transamos, sussurramos e confessamos alguns segredos.
Ele parecia ser o sujeito mais legal do mundo!
Vesti-me, voltei para casa e, ainda delirante, repousei meu corpo cansado (e marcado) sob o sofá. Na manhã seguinte, já recobrada a lucidez, uni as peças que restaram daquela história: ele, eu, o sexo casual e dezenas de amigos em comum.
Será que ele vai contar tudo para todos?
Sim, ele vai. E a minha sensação de exposição e vergonha se transformou em ódio mortal por imaginar que a simples manifestação do meu desejo seria reproduzida de maneira vil, suja e covarde. Chorei por saber que seria humilhada com comentários indecorosos, que haveriam risos omissos e, talvez, na mente de algum abusado faria sentido tomar a liberdade de me faltar o respeito.
Chorei por saber que não sou a única mulher a passar por isso…
E, porque em pleno século 21 ainda temos nosso comportamento sexual tão questionado. Por que é permitido nos diminuírem? Por que preciso achar normal que minha intimidade seja exposta? Por que temos que essa linha demarcando a imoralidade feminina?
Por que ainda somos o lado frágil e hostilizado de uma relação de vantagem mútua?
Sequei as minhas lágrimas. Não posso me envergonhar de mim, se não encontrei dignidade nos parceiros que tive a reconheço em cada detalhe da mulher que me tornei. Desde a postura obediente de boa filha até a conduta obscena de vaca profana.










