Pelo impeachment ou não? Eis a questão!
Hoje, 15 de março de 2015, é um dia que pode entrar para a História. Mas será mesmo?
No ar, a mais leve brisa causa-nos um arrepio instigante com a iminência do despertar do gigante (especialmente depois do barulho das panelas no último domingo). Estamos à beira de uma das maiores manifestações públicas de que nossas ruas já foram palco? O povo (sim, ele mesmo!) será o protagonista de uma ruptura histórica ou tudo não passará de caos ao som de rumores infundados de esperança?
Mas pelo que mesmo iremos marchar, clamar e se revoltar nesta tarde?
Cresci acreditando nos ideais esquerdistas… Fui seduzida em minha juventude pela ideia do brilhante Norberto Bobbio de que liberdade e igualdade não seriam intrinsecamente contraditórias, mas compatíveis. Tanto que fui defensora do PT na primeira eleição do Lula. Fiz isso acreditando num Brasil onde todos seriam igualmente livres e livremente iguais.
Hoje, 15 de março de 2015, não acredito mais em esquerda, nem em direita. Essa polarização ideológica é tão pertinente para mim quanto a existência ou não do Papai Noel para um adolescente.
Minha trajetória rumo a tão estratosféricos patamares de ceticismo político abundantemente é explicada pela trajetória do PT no poder. Sua inépcia na condução das grandes questões que assombram o país, sua obsessão colossal em se perpetuar no poder a qualquer preço e, finalmente, a imundície com os maiores episódios de corrupção de que o mundo já teve conhecimento, realmente me levaram a ter nojo da política. Fui traída pelo PT, o fascista, coronelista e oportunista PT…
Depois de junho de 2013, depois da eleição presidencial mais caluniosa e beligerante desde o estabelecimento do Estado Democrático de Direito, depois das inúmeras crises deflagradas pela incompetência e pelo ímpeto ilimitado desse partido em usar todos os setores e recursos da administração pública a seu bel-prazer e, principalmente, depois desse mesmo partido ter plantado o ódio e ter vendido sua alma ao diabo, quem sabe hoje, 15 de março de 2015, o diabo venha cobrar o seu preço.
O mais espantoso em tudo isso é que não sou a favor do impeachment. Afinal de contas, o que ele resolveria? Nada. Pelo contrário, ele empoderaria um partido ainda mais asqueroso: o PMDB, o mais fisiológico dos partidos fisiológicos.
Ademais, ainda não houve nenhuma prova de que a presidente sabia dos esquemas de corrupção na Petrobras. E, por mais incompetente que tenha se provado ao presidir o conselho da empresa e também ao liderar o Ministério de Minas e Energia – enfim, sua (ir)responsabilidade é inequívoca -, ninguém provou que ela estava envolvida ou que tenha se beneficiado do esquema de corrupção. Pelo menos não ainda.
Mas há tanto pelo que lutar: a reforma política séria e efetiva (não aquela defendida pelo asqueroso presidente do PMDB na Câmara, por mero “acaso” também citado nas investigações da Operação Lava Jato e orientado à despolitização crescente dos seus eleitores), a justiça com a punição dos criminosos que acabaram com a maior empresa do país e com nossa credibilidade para o mundo, a justiça pela identificação de todos os envolvidos no Petrolão, o fim do uso da máquina pública como manobra aos interesses de um partido, o fim de discursos e campanhas afrontadoramente mentirosas, enfim…
O fato é: hoje, 15 de março de 2015, EU PRECISO IR ÀS RUAS!
E não sou a única.











