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Desde criança eu não sonhei em casar de véu e grinalda. É verdade que sempre tive o sonho de ser princesa e, nesse caso, o vestido de noiva até chegava perto de ser a vestimenta para realizar a minha vida na realeza. Porém, a marcha nupcial sempre me causou um verdadeiro horror!

Nos meus sonhos, eu sempre fui independente. Tinha um belo carro conversível, uma casa descolada, fazia viagens incríveis e tinha um excelente companheiro. Esse marido dos meus sonhos era um cara de sorriso fácil, honesto, inteligente, bem humorado a ponto de me tirar risos espontâneos.

Talvez esteja aí a explicação de porquê meus relacionamentos têm efeito submarino, feitos para naufragar (como disse Miguel Falabella, em sua peça “Submarino”). Provavelmente minha expectativa está muito alta para esta sociedade conservadora, que se orgulha de padrões vazios de sentimentos reais.

A cerimônia de casamento nunca me importou. Sempre estive à procura, e ainda acredito que irei encontrar, de uma união entre vidas onde o mais importante será viver a tal da felicidade em estar juntos, mesmo em momentos de adversidade.

Sim, sou sonhadora, porém sei bem que as pessoas soltam gases, têm mal humor, suam, roncam, mas, mesmo assim, acredito no sentimento que motiva as pessoas a viverem juntas. Outro ponto importante, que eu também não sonhei, dividir a mesma cama, casa, estar colado o tempo todo para dizer que está casado. O casamento para mim está no coração, no sentimento que une duas pessoas a quererem estar juntas. Claro que sonho em dividir a mesma cama, até porque não curto sexo virtual, mas isso não significa que eu preciso dormir todas as noites junto com alguém, principalmente se esta pessoa sofrer de apnéia.

Tenho minhas esquisitices, gosto de respeitar o esquisito de cada um e, definitivamente, os padrões da sociedade muitas vezes sufocam as minhas necessidades básicas. Tudo isso junto, forma um tipo de repelente de homens, que se sentem perdidos neste turbilhão de emoções não descritas nos livros de história.

Estar fora do padrão causa bastante sofrimento, às vezes me pego pensando se valeu realmente a pena viver de acordo com os meus próprios padrões. Mas, neste momento, lembro que se eu não fosse eu mesma, provavelmente Juliette Silva, seria apenas um nome em algum cartório da cidade maravilhosa.

Não tenho como mudar a sociedade, mas vou vivendo de acordo com os padrões que eu acredito, incomodando alguns, fazendo outros rirem e plantando sementes de um mundo livre de convenções que nos aprisionam.

Tá sol lá fora! Vou continuar minhas reflexões na praia, tomando mate com limão e comendo biscoito Globo.

Descobri que sou clichê demais para ser única e que todos os outros seguem um padrão comportamental muito mais normal do que eu imaginava.

Todos os outros já decidiram fechar para balanço por um tempo.

Todos os outros mudam o cabelo quando precisam provar para si mesmos que são diferentões.

Todos os outros fazem coisas que sabem que não deviam, escondidos não sei de quem.

Todos os outros deixam de aceitar por medo de se decepcionarem e deixam de recusar para não se decepcionarem (esse lance de decepção é uma droga!).

Todos os outros mandam mensagens que não deviam com um ar de “vai que…”.

Todos os outros detonam o amor depois de uma decepção, mas logo estão achando o vizinho o cara mais fofo do mundo.

Todos os outros têm o seu dia/mês/ano mendigo, porque resolveram se livrar dos padrões de beleza (acordei rebelde ou foi meu cabelo?).

Todos os outros começam a dieta na segunda, só que não.

Todos os outros … (complete com qualquer coisa que só você faz).

Todos os outros fazem tudo… Droga! Minha vida única foi por água abaixo e sou tudo aquilo que não queria ser: normal, morna, previsível e nada diferentona.

Solteirando pelas redes sociais