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reeleição

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Desde que se iniciaram os horários partidários ficou clara uma coisa: não entendemos política. E não porque não sabemos o Manifesto Comunista de trás para frente ou porque pouco nos dedicamos à macroeconomia. O problema é a dificuldade intrínseca que temos – população e políticos – para PENSAR as coisas COMPLEXAS de forma COMPLEXA.

Para os pleitos aquém da presidência, como se dotados de uma sutil malandragem, votamos de maneira completamente estúpida: sem critério, sem análise, sem saber a atuação de cada esfera. O foco no 1º turno foi destinado para presidenciáveis eloquentes em ludibriar reformas ou com habilidade extrema em escarrar nas nossas fuças discursos politicamente primários. Consequentemente, tropeçamos em um 2º turno com a certeza de que, fosse quem fosse, estaríamos elegendo alguém que não nos representa.

Findos os capítulos da novela das margens de erro, não nos consolamos! Mas, sim, disparamos ideias separatistas e xenófobas, esquecendo o grau de exploração que AMBOS vivemos TODOS OS DIAS quando somos usurpados pelas diversas cúpulas de poder político e econômico a que estamos submetidos.

E, das discussões políticas: li discursos inflamados na defesa de um candidato; vi críticas ferrenhas às opiniões opostas e a quem não tem opinião; vi desejos de expatriação; vi tristeza e chacota. Por favor, não sejamos mais ridículos! Se nós honramos nosso esforço diário e exigimos uma qualidade ímpar nos serviços que prestamos e daqueles que terceiros nos prestam, sabíamos que não havia BONS candidatos de verdade! A crise política aqui é ser um povo OBRIGADO a votar e não ter opções dignas! Todos nós passamos por semanas de terapia frente ao espelho para convencermo-nos de que vamos optar pelo “menos pior”.

Apesar de todo o blá, blá, blá veiculado, não houve um só argumento soberano, o que fizemos foi encontrar uma desculpa que nos movesse em direção a algo que nebulosamente honrasse qualquer coisa a que dedicamos esperança. Abaixem esses dedos imponentes uns ao outros, ergam a cabeça, vão às ruas! Quando há 52% de escolha está claro que há 48% de desaprovação, a mensagem está dita! Cessem essa transferência de culpa, porque se tem uma coisa que TODO mundo deseja é um amanhã melhor – seja por uma visão altruísta ou por puro egoísmo – e, apesar dos pesares, o que se busca incessantemente é algo que dê suporte às nossas utopias cotidianas.

Somos agentes e sobreviventes de pequenas corrupções diárias e, agora, feridos pelos resultados das urnas. Vamos parar com essas lágrimas hipócritas, afinal, não é só o presidente quem tem que carregar a marca da mudança.

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Tudo em vão. Passado pouco mais de 1 ano de uma das maiores manifestações não partidárias que já presenciei no país, chegamos ao fim. Triste fim. Domingo menor.

No último domingo, ainda que do outro lado do Atlântico, lá estava eu na expectativa. Em Katmandu, a exótica capital do Nepal, a internet de um hotel já meio decadente não pegava de modo algum. Apelei para o WhatsApp, onde os amigos iam me atualizando. De repente, com um pouco de sorte (ou, a essas alturas, azar) consegui acessar o Face. Nele me deparo com várias mensagens e manifestações de “luto”, ” vou sair do país” , “separação sul-sudeste já” e assim por diante.

Pronto. Acabou. Fim de papo. Eu não precisava mais lutar contra o login e senha para acessar a internet. Saber em qual estado o Aécio perdeu ou qual percentual de votos ele obteve era curiosidade menor para alguém já desiludida.

Lembrei-me da época do colegial, em que uma pequena manifestação, um tanto quanto desorganizada, surgia na Avenida Paulista na tentativa de promover a saída do então presidente Collor. O jovem promissor, que aos poucos foi mostrando sua cara de inexperiente, de corrupto e muito mal assessorado por PC, Zélia, Magri, Cabral e companhia. Mas aquelas manifestações de jovens caras pintadas já eram algo pós-fato. Collor já havia caído praticamente sozinho.

Após 20 anos, julguei que nós havíamos aprendido ao menos discernir um candidato com boa intenção de outra candidata atuando por um grupo manipulador e corrupto, bem como usuária do poder pelo poder; o poder per se. Mas, infelizmente, ainda somos um país pobre, mal instruído e com todas as mazelas de um país emergente para poder fazer tal discernimento.

De um lado, uma grande parte pobre que vive do assistencialismo e, de outro, uma classe média alta que quer o desenvolvimentismo, mas que é também uma classe egoísta e que ironicamente finge de vez em quando fazer algum tipo de assistencialismo. Esse último lado, muito provavelmente sou eu e é você, caro leitor. Uma classe pouco politizada e pouco participativa nas questões sóciopolíticas brasileiras. Achamos que agora a solução é mudar de país e basta.

Mas não. Não vamos sair do país. Agora, mais do que sempre, devemos ter clareza de que temos mais uma chance nessa década. Há ainda uma Petrobras e um doleiro – espero que esteja vivo – no calcanhar da dona presidenta.

E há uma palavra que aprendi naquela época do colegial com o Collor: impeachment.

Solteirando pelas redes sociais