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traição

Eu sei de várias histórias de traição, já julguei algumas, suportei a ideia de outras, mas nunca cheguei a uma conclusão de quem está certo e quem está completamente errado.

E você, já tem sua opinião?

Vi amigas serem traídas e enlouquecerem, vi outras traírem por estarem morrendo e queriam voltar a vida, também ouvi histórias de amigos dizendo que traíam por necessidade, mas que aquilo não representava nada. Porém, também ouvi outros dizerem que jamais praticariam este ato e, outros tantos, dizerem que pessoa  que traem são a escória do mundo e jamais admitiriam uma traição. Inspirada pela minissérie Justiça, fiquei pensando qual era o lado justo dessa história. São tantas as possibilidades, veja só, e se a(o) sua amiga(o) foi traída(o) por não ser uma pessoa amorosa ou gentil, e sim, ser aquele tipo que sempre tem razão e humilha o(a) parceiro(a)? E, se a pessoa traiu porque o parceiro era tão inseguro que fazia ameaças emocionais pesadas (usa o filho, pais idosos, ameaça suicídio, etc)?

E no caso de um relacionamento aberto, onde o casal combina relações extraconjugais com o objetivo de tornar o casamento mais leve, uma nova descoberta. Será que ambos são réus?

Mas o clímax da traição é aquela motivada por amor, seja amor próprio (talvez tenha se cansado de ser humilhada, ou traída), seja porque ama demais, ama duas pessoas simultaneamente e não consegue viver apenas com uma delas, seja porque precisa muito de amor e de mais de uma relação para que o coração não pare de pulsar.

E como acaba esta história de traição? Não faço a menor ideia! Mas tenho certeza que nunca haverá alguém totalmente puro e nem totalmente culpado para ser o responsável solitário pelos caminhos de um relacionamento…

E qual é a minha posição quando a história está no meu círculo?

Fico como ouvinte! Totalmente em cima do muro, sim! Seja por covardia, seja por dó de quem sofre, seja porque sou blogueira e não estou aqui para julgar ninguém, mas é certo que esta posição me permite continuar apoiando que as pessoas sejam felizes em suas opções e mantenham-se Solteirando intensamente.

 

Ainda com pouca experiência de vida adquiri a percepção de que a palavra puta era um codinome sobre ser mulher.

Vi putas sendo chamadas de putas. Vi minha mãe, dona de casa, sendo assim intitulada pelo meu pai. Vi meus tios falando de mulheres que transavam por dinheiro e de suas mulheres – que trepavam de graça – da mesma forma. Vi situações, com pessoas desconhecidas, em que mulheres, por muito ou por pouco, também assim o eram batizadas.

Eu entendia a falta de requinte do termo, mas já não me ofendia. Éramos todas “mulheres-putas” no mesmo patamar de subgênero, que se diferenciavam apenas pelos centavos a mais  após o coito.

A minha surpresa veio quando me envolvi com um homem casado. Sem perceber, me tornei puta num submundo, onde se deve ser invisível, silenciosa e não se tem direito a argumentos.

As pessoas não entendem que eu não fiz um plano maléfico de destruição de famílias, na verdade eu conheci um homem solteiro e, aparentemente, disponível. Foram trinta e seis meses de relacionamento e, quando comecei a achar estranho ser sempre a minha vida o cenário da nossa relação: os meus amigos, a minha casa, os meus álbuns de família. Descobri que a dele era plano de fundo de um casamento de dez anos e dois filhos!

Ainda assim, passaram-se mais quatro anos de aniversários solitários e compromissos desfeitos para acompanhar sua agenda de escapadas. Eu sou apenas um ser humano que acreditou cegamente que era preciso ter paciência, fé e autocontrole.

Fui julgada pelos meus familiares, amigos e desconhecidos. Acobertei a situação o quanto pude. Até que encontrei, entre as diversas promessas não cumpridas, algumas que fiz a mim mesma. Senti vergonha. Chorei sozinha. Por não poder falar com ninguém, gritei em silêncio.

Eu simplesmente não tinha valor frente àquela família que existia do lado oposto. Amante, por definição, é aquele que ama. E, acima de todos os julgamentos alheios, nunca me envergonhei dessa condição. Mas, decidi dar um basta àquela sequência de humilhações que me tirou o amor-próprio e transformou uma mulher apaixonada em uma espécie de vilã de famílias perfeitas.

Fui condenada por todas as pessoas que souberam da minha história, fiquei por anos em uma solitária esperando ansiosamente pela visita do carcereiro. O meu despertar foi encontrar no bolso a chave que me tirava dessa cela. Não foi fácil, mas decidi ser uma puta livre.

 

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Ao saber que teu beijo foi de outra
Meu coração doeu profundamente
Senti-me traída como louca
Pensei desprezar-te intensamente

Ao sentir que não terei mais teu carinho
Meu coração bateu inconsciente
Senti-me perdida no caminho
Pensei odiar-te cruelmente

Ao querer que tudo fosse engano
Meu coração sofreu solenemente
Senti-me dona de um amor profano
Pensei abandonar-te prontamente

Ao deixar essa dor no meu passado
Meu coração vive calmamente
Sou feliz por já ter amado
E vou buscar o amor novamente

Solteirando pelas redes sociais