Home Opiniões Delicadeza e auxílio ou retrocesso das conquistas femininas?

Delicadeza e auxílio ou retrocesso das conquistas femininas?

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Nos últimos tempos tenho acompanhado de longe a polêmica sobre a Escola de Princesas. Ouvi comentários positivos e negativos, então ficava curiosa sobre o tema, porém sem fazer alguma pesquisa mais aprofundada, não me sentida capaz de emitir minha opinião.

Até que um dia desses na sala de espera de um consultório, peguei uma revista Contigo para passar o tempo. Eis que uma matéria me chamou a atenção. A revista publicou uma entrevista com Silvia Abravanel, a idealizadora da escola.

Como mãe de menina, fiz questão de ler toda a entrevista e entrar no site da escola para poder tirar minhas conclusões. Confesso que ao comparar a entrevista com os propósitos da escola e a grade de cursos, fiquei confusa.

A definição de princesa que a escola publicou em seu site é fantástica e acredito que qualquer mulher moderna aprovaria “Ser uma Princesa de verdade é ter a confiança para ser a melhor versão de si mesma”.

Acredito que a escola queira ajudar meninas que não recebem atenção devida de suas mães, uma vez que aborda em seus cursos temas que uma boa mãe poderia orientar, como higiene pessoal, culinária ou como manter o ambiente de seu castelo limpo.

Concordo com a entrevistada, quando ela diz que hoje em dia, algumas famílias negligenciam a educação que deveria ser dada em casa, que inclui como se portar a mesa, como tratar os mais velhos com respeito, arrumar sua cama ou mesmo manter suas roupas arrumadas.

Porém, a entrevistada se contradiz quando afirma que a menina pode ser o que quer, mas que a escola prepara a menina para estar pronta para vida, para escolher um casamento legal e um marido ideal. Ela não pode escolher ser solteira?

No auge dos meus 20 anos, ocupei um cargo de secretária em um banco, como minha família sempre foi simples, recorri a um curso de etiqueta do Senac para saber como me portar em jantares, qual a melhor roupa para usar em cada ocasião, etc. Sou mãe de menina e sou a favor dessas inciativas, de ensinar um garota a saber se portar em diversos ambientes, saber costurar e ter educação financeira. Porém jamais matricularia uma filha minha no módulo “De princesa a rainha” que inclui temas como: restaurando os valores e os princípios morais do matrimônio, à espera do príncipe (como se guardar), ser a ‘passageira’ ou a ‘eterna’?

Não que eu não possa falar desse tema com minha filha, mas o que me preocupa é a forma que esses temas serão passados, uma vez que na mesma entrevista, ao ser questionada se os mesmos valores passados para as meninas não deveriam ser passados aos meninos, a entrevista afirma que sim e que pretende abrir no futuro uma escola para meninos, pois eles precisam saber tratar as meninas e a ter bons modos para ser um empresário de sucesso, ele terá que saber dar uma entrevista, afinal os meninos são criados para isso.

Sim, há uma demanda para auxiliar crianças e adolescentes, a saberem se portar ou a enfrentar o mundo, além do que é ensinado nas escolas convencionais. Porém, com base na entrevista que li, a forma que esta escola aborda o tema é deficitário, sexista e retrógrado.

Enfim, minha conclusão sobre essa escola é que ela está perdendo a oportunidade de sanar uma deficiência de educação de algumas famílias, tanto para meninas quanto para meninos.

 

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