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Liberdade relativa

O ser humano imagina a conquista da liberdade como uma das coisas mais importantes de sua vida. E é. Mas será que sabemos exatamente o que é esta liberdade pela qual tanto almejamos? Não extrapolamos em idealizações e caímos em utopias?

As restrições são tantas e o cotidiano nos remete à realidade: problemas econômicos são os mais prementes, mas situações emocionais, dificuldades físicas, comportamentos culturais, compromissos profissionais e familiares nos tolhem bastante e, mulheres e homens ficam reféns de limitações várias.

E como jovens imaturos colocamo-nos em amarras ou infelicidades que nos confinam a situações que parecem irreversíveis, escravos das circunstâncias.

Conviver com dificuldades, pois elas nos cercam, e aprender a superar, a extrair delas o melhor, nos fazem mais fortes, racionais, determinadas e, assim, mais livres. São vários exemplos, mas Mandela é bem conhecido. Preso por dezenas de anos, aprendeu a ser livre e a construir a sua e a liberdade de um povo todo. A possível liberdade, muito mais direitos do que os anteriores. Nada absoluto. Sua condição e problemas só serviram como solução. Confinado sim em uma cela, mas pleno em seu eu e produtividade intelectual, não se deixou abater.

Poderíamos citar outras personalidades, mas lembremos de pessoas à nossa volta como mães, avós, tias, vizinhas, amigas. Mesmo com pesados fardos são inquebrantáveis em seus espíritos, aparentemente frágeis, mas que superam e ganham batalhas. A verdadeira liberdade transpassa dificuldades, transforma-se em valentia mesmo entre sorrisos e aparentes derrotas. Dribla ou aguenta subjugações e é uma das artes e armas do mundo feminino. Paciência que não subserviência faz parte do pacote para termos mais liberdade.

Ela é relativa e a cada conquista requer mais luta. Você foca e rala para o vestibular que representa naquele momento tudo o que se precisa. Aprovada, você descobre que sobram mais exigências e tarefas e pensa que terminar vai resolver tudo. Então, você começa a trabalhar e, para ser vencedora, muito, mas muito mais sacrifícios. Vira escrava para ser livre…

A liberdade está dentro de nós e diretamente ligada à nossa autoestima. Não se abata, não desista, resista e vença toda hora, todo dia, para sempre.

Difícil, difícil, mas possível.

 

Hipólita
Hipólita
Paulistana, madura, livre por excelência. Não liga para aplausos ou vaias. É exigente e absolutamente irreverente (viva a rima!). Adora literatura, gosta de escrever, cozinhar, fazer crochê e curtir a natureza: flores, pássaros e a beleza. Acredita que refletir faz parte de aprender a ser mais feliz e que desafios a vencer são fundamentais. Está fora de pessimismos ou tristezas.
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