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Coisa de Brasileiro

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Se tem uma frase que mexe com meus brios, desde muito tempo (e ainda mais agora que estou fora do Brasil), é a famosa frase “isso é coisa de brasileiro”, falada sempre de boca cheia por muitos de nós, brasileiros. Eu faço questão de substituí-la prontamente para “isso é coisa de gente” e gente é capaz de coisas boas e ruins.

No Brasil, por exemplo, existem muitos crimes (impunes ou não) com morte, mas não é porque matar é “coisa de brasileiro”. Eu sou brasileira e nunca matei ninguém, mesmo conhecendo a impunidade que presenteia muita gente do mal ou sem estrutura. Não tenho essa “pegada” e sou totalmente contra a violência gratuita.

Mas não estou aqui pra falar de crime ou de morte, mas de curiosas “coisas de brasileiro” cotidianas, que são vistas aqui no Vale do Silício – (Califórnia – EUA), – vulgo primeiro mundo:

• Aqui você vê carrinhos de supermercado largados em cada esquina, pois as pessoas levam as compras nos carrinhos e largam na rua, bem longe de onde tiraram. Seria a falta de educação uma dádiva de nós tupiniquins?

• Ninguém dá passagem no trânsito. Entre por engano numa faixa de conversão e dê seta pra sair: as pessoas não vão te dar a mínima atenção. Faltam boa vontade e compreensão somente entre nós, reles mortais da América do Sul?

• Dia desses, vi uma mulher de com seus 25 anos, entrando no elevador com algo que me parecia um pijama de bichinho, mas era um macacão com um rabo. Sim, um rabo! Ela não saiu assim porque queria passar despercebida, muito pelo contrário, mas querer aparecer é “coisa de brasileiro”.

• Outra mocinha bonita, de cabelos lisos e olhos puxados, perto de seus 30 anos, andava de carro com um enorme panda inflável no banco do passageiro. Queria passar desapercebida ou inibir um sequestro relâmpago, mostrando sua inflável companhia?

• Como já contei no meu perfil pessoal no Facebook, ao chegar em casa dias atrás aqui na América, ao chegar em casa, havia uma luxuosa Mercedes Benz estacionada em nossa vaga, que é demarcada. No meu conceito, o indivíduo que fez isso é um folgado. Desconfio fortemente de sua não brasilidade, pois havia uma estátua de Shiva em seu carro e usar estátua de Shiva, o que é bastante comum por aqui, mas não me parece “coisa de brasileiro”, apesar de toda a nossa diversidade.

• Vira e mexe encontro a molecada, adolescentes em geral, andando na rua, no trem e compartilhando o som do IPod ou celular com todos que por ali passam a sua volta. Mas DJ do busão não é só no Brasil?

• Fui fazer um teste com uma professora nativa, para ter aulas particulares. Durante nosso papo de meia hora, cujo objetivo era avaliar minha fluência e identificar minhas necessidades, ela falou mal de ao menos 2 alunos estrangeiros. Seria essa fofoqueira, uma brasileira disfarçada de americana?

• Na hora do rush, vejo um carro esperando para sair de um estacionamento. Sua ideia era atravessar todas as pistas sobre a faixa contínua, o que é proibido aqui também, mas antes de fazer sua manobra, ele abriu a porta do carro e jogou seu lixo no chão. Brasileiro esse mal educado, só pode ser!

• Fomos numa festa super bacana em São Francisco no Reveillon. Como estava muito frio, fui de calça e casaco, mas para surpresa dessa brasileira, 95% das mulheres estavam de micro-saias-justas-de-se-ver-o-útero. Me senti uma vovó e me arrependi de não ter levado meu tricô.

• O lixo reciclável do condomínio é muito frequentando por enormes coxas de frango previamente devoradas, colocadas ali sem embalagem, em ambiente aberto mesmo. Seria “coisa de brasileiro” reciclar coxas de frangos e dividir o visual nojento com os vizinhos?

Mas não pensem que as coisas são ruins aqui. Muito pelo contrário! A infraestrutura é excelente, cervejas boas são muito mais baratas que no Brasil, assim como vinhos e espumantes, mesmo quando importados. Trabalha-se muito menos horas que no Brasil e os poucos brasileiros com quem tenho contato saem do trabalho pontualmente às 17h. Aqui existem ciclovias de verdade, e não faixas pintadas de vermelho pra dizer que existe espaço para os ciclistas. Parques, parques e mais parques é o que mais se vê nessa terra, o sonho de qualquer paulistano.
E o melhor: a segurança aqui é infinitamente maior e melhor do que no Brasil! É claro que não é 100% seguro, pois pessoas vivem aqui e, onde há gente, há problemas.

Tetê, Sunnyvale – California

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