Meu corpo como ele é
É difícil lidar com defeitos, ou melhor, pontos fracos como as revistas de moda gostam de chamar. Mas, passar a vida toda (principalmente a partir da adolescência) tentando escondê-los ou disfarçá-los pode se tornar algo tão restritivo quanto torturante.
Lia quase todas as revistas fúteis da minha época, não entendam isso como uma crítica, apenas um apelido. E para ser sincera, até hoje compro algumas para me desligar da realidade. Mas, o ponto é que quase todas as páginas têm o seguinte objetivo: como disfarçar seus pontos fracos, ou então, o que usar ou não usar de acordo com seu tipo de corpo. Não culpo quem escreve, acho que dicas e conselhos são bem-vindos e cabe a cada um decidir se seguirá ou não.
Durante um bom tempo seguia praticamente todos os “evite usar”. Não usava cores claras, listras na diagonal, calças mais folgadas, estampas grandes, vestidos retos, qualquer variação de botas. Resumindo, tinha dois objetivos na vida: marcar a cintura e alongar as pernas.
Começou a me incomodar quando percebi que falava com frequência: “Achei lindo! Pena que não posso usar”. Não posso? Não poder é muito pesado e não consegui me lembrar quando foi que coloquei tantas restrições na minha vida por algo tão besta. Minha libertação foi um par de coturnos marrom que não deixavam minhas pernas alongadas, mas me deixavam muito feliz. Achei que estava na hora de traçar outros objetivos e me importar menos com o “parecer”.
Claro que ainda uso algumas técnicas em ocasiões especiais, mas tirei a figura de vilão de algo tão simples que é se vestir. E como dizia Clarice Lispector: “Já que sou, o jeito é ser”.












