InícioPolêmicaO poder da sedução

O poder da sedução

“Odor di femina”*. Será este o pecado feminino que faz sociedades, religiões e os séculos segregarem, coibirem, matarem e discriminarem as mulheres? Não se esqueçam das burcas, das mortes, do estupro, do menor salário entre outras tantas manifestações.

Mas, enfim, falamos do quê?

A pele jovem de uma mulher encanta, adoça, estremece, oblitera o sexo masculino e os deixa inseguros, provocando neles todas as reações acima lembradas e outras que conhecemos tão bem.

Não há necessidade de beleza estonteante, basta os hormônios de uma pele “no ponto”. E, o pior: a maioria das jovens mulheres nem sequer tem idéia do poder que possui. Elas terão consciência disso só quando já passaram, há tempo, deste período, o que é uma pena. Saibamos usar nossos atributos a nosso favor. Um paralelo é o poder do povo, que não usa essa força em benefício próprio e se prejudica.

Não se fala aqui de sensualidade barata, ou equivalentes, mas de uso da feminilidade a favor de si mesma, jogar com cartas próprias neste mundo masculino, onde as regras só são a favor do time XY.

Aprendemos a subserviência em cada aspecto da educação: a boneca, o príncipe encantado, a paciência, a moderação, a ser bonita mesmo não sendo – na verdade, a princesa do nada, escrava das convenções…

E quem é que nos ensina a ganhar neste perverso jogo marcado? A sermos guerreiras? Difícil. Então, tenhamos desde jovenzinhas a noção exata de quem somos, sem enganos, e o que podemos de fato nesta empreitada, que é a luta pela nossa autonomia e felicidade. Fujamos do cio emocional que aprisiona a imbecis milhões de mulheres.

Estudar muito, informar-se sobre tudo, ter muitas amizades e não ter medo de usar todas as armas para atingir nossos objetivos. O controle próprio é o passaporte para estarmos bem conosco mesmas.

Aprendamos a nos bastar, e ninguém está aqui dizendo para não amarmos, nem abusarmos de nossa sensibilidade, mas sermos mais racionais. Difícil, de novo.

Não somos todas tão inteligentes quanto gostaríamos, ou tão belas ou tão fortes. Usemos toda munição que nosso gênero detém e partamos para um lugar melhor neste mundo injusto para mulheres e homens, mas muito mais para elas.

 

* Cheiro de fêmea (em latim).

 

 

Hipólita
Hipólita
Paulistana, madura, livre por excelência. Não liga para aplausos ou vaias. É exigente e absolutamente irreverente (viva a rima!). Adora literatura, gosta de escrever, cozinhar, fazer crochê e curtir a natureza: flores, pássaros e a beleza. Acredita que refletir faz parte de aprender a ser mais feliz e que desafios a vencer são fundamentais. Está fora de pessimismos ou tristezas.
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