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O Y da questão

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Acompanho o Solteirar desde sua criação e fico muito feliz em ser o primeiro homem a ser convidado a escrever por aqui.

Desde o início, achei a proposta do site muito interessante, especialmente porque ele não  cai na armadilha de uma guerra de gêneros. Ao contrário, em um dos primeiros textos do blog (https://solteirar.com.br/nos-mulheres-queremos-solteirar-2) há um convite para que nós, homens, possamos solteirar junto com vocês, mulheres.

E ao longo de todos esses meses, consegui perceber nos textos publicados uma característica em comum: questionamento dos valores sociais hegemônicos que, ditatorialmente, estabelecem os limites daquilo que seria o comportamento padrão a ser seguido pelas mulheres, como se todas vocês fossem uma só. E só se padroniza aquilo que se quer controlar.

Meninas já nascem com seu “plano de metas e ações” traçado: encontrar o amor da sua vida, casar e ter filhos. Nas últimas décadas, acrescentou-se “sucesso financeiro” na lista de afazeres femininos.  E não é só. A “mulher tem que ser feminina e estar sempre bonita”. “Mas não pode transar com qualquer um, porque vira vagabunda”. “Mas também não pode segurar muito, porque também vira vagabunda”. E no meio de todos esses “podes” e “não podes”, as mulheres foram aos poucos perdendo a voz e, diante do ciclo da vida pré-estabelecido e, portanto, “pre-conceituoso”, dificilmente se livram das expectativas taxadas como “ordem natural do mundo”.

Percebo no Solteirar um movimento que vêm para confrontar esse controle misógino que exige superpoderes das mulheres e mantém o poder do cromossomo Y na sociedade. Os textos das blogueiras promovem um empoderamento feminino, entendido como a retomada da possibilidade de decisão sobre a vida sem que sejam obrigadas a ouvir que são “encalhadas”, “que são egoístas porque não querem ter filhos”, “que a origem de todos os seus problemas é falta de homem”, “que tem que ganhar menos porque podem engravidar”, “que são muito masculinizadas porque não se vestem segundo o padrão” e mais uma infinidade das muito difundidas crenças.

Todos os textos da página mostram facetas femininas que boa parte da sociedade insiste em achar “inadequada”. Boa parte dos homens nunca sequer pensou sobre as questões aqui debatidas. Ainda está muito inscrito no mundo masculino pensamentos como “mulher tem que se dar o respeito”, “tem mulher para casar e mulher para ficar”, “se não quer ser estuprada, não use roupas curtas na rua”, “mulher que não casa fica para titia, é solteirona”.

O discurso machista é tão orgânico, que o universo masculino (e o feminino também) o reproduz sem nem mesmo perceber. Sendo assim, o Solteirar torna-se um espaço que possibilita o despertar da consciência individual para a sociedade que o cerca. A página cumpre uma importante função social de causar incômodo/estranhamento para que os indivíduos saiam das respectivas zonas de conforto e procurem novas formas de pensar.

Antes de finalizar e, sobretudo, na tentativa de manter o diálogo como convidado do blog, faço a seguinte afirmação:  só existe o gênero “feminino” porque existe o gênero “masculino” e vice-versa. São duas nomenclaturas que só tem razão de existir para diferenciar as categorias.

Logo, sendo essa uma página de voz feminina, na opinião de vocês, quais os malefícios que o universo machista traz para os próprios homens?

Nesse contexto, compartilho o discurso da Emma Watson para a ONU no ano passado. A atriz lançou uma campanha em que convida os homens a lutarem pelo fim do pensamento machista, demonstrando os seus malefícios para ambos os gêneros:

https://www.youtube.com/watch?v=LilHa3wC8Uc

Agradeço imensamente a oportunidade de participar da página e espero ter contribuído com o debate. Aceitei mais do que o convite para escrever, mas também para Solteirar com vocês.

Autor: Zigmundo

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