Ser mulher: eis a questão!
Mulher, ser pleno, só se concretiza em uma sociedade civilizada, industrializada e que tenta se livrar do arraigado machismo.
Primitivismo, pobreza, guerra e ignorância são a vez e hora da força bruta, então, hora e vez dos machos de plantão. E a mulher é sufocada de novo a qualquer retrocesso. Isto, se já alguma vez teve alguma autonomia… Pois milhões nunca foram sequer seres humanos. Estão abaixo de muitos animais na escala do reconhecimento. Camelos há que valem várias mulheres.
Voltando ao ser mulher, como pode um homem querer defini-las, taxá-las, interpretá-las?!!! Pode tentar, jamais ser categórico.
“Mulher gosta de apanhar, mulher gosta de dar como sinônimo de subserviência, trair por motivos banais, mulher só gosta do dinheiro do marido, mulher é só coxa ou seios” e aí por diante… Patético!
Quem se perde por pernas, seios e etc. são eles e, por esta dependência do prazer e da raiva, massacram, deturpando tudo. E nesta farra e generalização incluem, portanto, mesmo sem querer, suas mães, suas mulheres e suas filhas.
Então o defeito estaria no gênero todo, e eles seriam inimputáveis? O defeito é só do lado feminino? Hilário ou trágico?
Para mim, um filósofo era sinônimo de sabedoria. Que engano! Um livrinho (“A filosofia da adúltera”*), e uma reputação esvaiu-se. Admiração e respeito foram-se. Uma pretensa inteligência diluiu-se. E não adianta o jogo de palavras, ou a dita provocação, a defesa ou o ataque prévio. Múltiplas citações. Implosão. E só.
Achar que a mulher gosta de ser violada, subjugada, cafajeste é desconhecer o universo feminino. Ter sido gerado, criado, acarinhado por uma fêmea e passar a quilômetros do reconhecimento de seu amor e potencialidade é mostrar o grau de insensibilidade que o acomete. Se outras posturas ocorrem são as exceções de praxe, a esmagadora maioria quer ser respeitada. Mas, temos muitos homens que já fogem deste modelo de machismo pleno.
Quer convencer alguém do que com estas teorias estapafúrdias? Pretensamente mulheres seriam mais facilmente manipuláveis? Com certeza, a maioria não. E este tipo de reação da ala masculina é veneno que dói, mexe com autoestima, personalidade, provoca insegurança… Ah! Se todas fôssemos vagabundas… O céu para trogloditas assumidos ou não.
Seres humanos devem ser respeitados pela sua capacidade de inteligência, sensibilidade, trabalho, talentos e tantos outros dotes. O que há entre suas pernas é só motivo de diferença de suas potencialidades. São diferentes sim. E julgar que a mulher ou o homem seja obsoleto é desconhecer sua própria humanidade. Somos indispensáveis uns aos outros. Não importa o quanto de defeitos tenhamos. Vamos devagar aprendendo a ser melhores para vivermos mais felizes. Vai custar, talvez nunca cheguemos a isto, mas não vamos desistir.
* A blogueira refere-se ao livro “A filosofia da adúltera – Ensaios selvagens”, do filósofo Luiz Felipe Pondé.
Imagem: Agradecimentos a Wall Street Insanity.












