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Sempre ouço amigos dizendo que precisam tirar um período sabático referindo-se a necessidade de se ausentar do mundo corporativo. Alguns já o fizeram e descobriram novos rumos, outros tiveram apenas um período de férias prolongadas. Mas, o que é isso mesmo? Por que as pessoas tomam essa decisão?

O termo sabático tem várias interpretações, entre elas: relativo ao sábado, período ao final de sete anos quando a terra deve descansar (ano sabático na cultura judaica), descanso (hebraico) ou relativo ao sabá (orgia na Idade Média).

Não sei se existe certo ou errado no uso do termo. O fato é que o interpreto como um período em que as pessoas cessam suas atividades para refletirem sobre si mesmo e se continuam seguindo a vida como está ou se devem fazer alguma mudança.

Sendo assim, decidi adotar o conceito de sabático sexual. A vida de sexo fácil e sem restrições não mais me encanta. A prática de transar com quem me dá vontade e quando é possível, talvez precise de um tempo.

Não estou falando de abstinência sexual, pois este conceito está mais vinculada à alguma privação como restrição religiosa, falta de oferta ou opção dos homens. De fato, preciso refletir se quero continuar na pegada.

Tem um momento que até o sexo casual vira rotina e fica chato. Sou movida à paixão e tudo que vira rotina para mim, perde o entusiasmo.

Logo, está na hora de repensar meus padrões sexuais. Sim, digo padrões porque tudo o que se faz rotineiramente cria padrões. Um dia você se pendura no lustre, no outro em um mastro, mas na verdade se pendurou de qualquer forma.

Quero experimentar o novo, o inusitado, quero pensar menos em sexo, focar minha energia em outras coisas e ver o que este período me reserva. Talvez eu precise de beijos que provoquem mais meus sentimentos do que meu corpo, ou pode ser que eu descubra que não consigo viver sem sexo casual.

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Demorei centenas de tentativas frustradas até chegar a essa conclusão.

O sexo tem exigido tanto de nossa atenção, que estamos – todos – quase sempre a prestar declarações e fornecer estatísticas de nossas preferências para exercitar o coito.

Atualmente, parece ser significativo entender quais práticas um indivíduo é capaz de fazer para obter um orgasmo.

Nunca achei necessário ter em mãos essa releitura tão profunda da minha própria sexualidade. Sempre tive curiosidades e desejos, mas, incrivelmente, paciência também. Neste patamar, eu figurava alguém que não sabia tudo o que era capaz de fazer por um pouco de gozo, mas já sabia que o seu ambiente de possibilidades não se limitava pelo gênero.

Com o tempo fui obrigada a buscar as tais respostas e definições que o mundo tanto precisa para diferenciar as pessoas. Foram tantas as decepções que tive e proporcionei, que nunca passei de um objeto nulo na interação com o sexo oposto.

Por fim, me cansei de viver constantemente sob um processo de auto-humilhação.

Alcançada maior consciência sobre meu corpo, passei a vivenciar os temas de cunho sexual longe dos holofotes da sociedade. Tornaram-se íntimos, sem a obrigatoriedade de respostas concretas e pertinentes somente a mim. Um dia aceitei a verdade.

Sim, sou gay.

E, ao contrário do que se pode imaginar, não foi um grande amor que me levou a redenção dos meus preconceitos. Ser homossexual não é uma história de romance, é uma crônica sobre um encontro particular e inevitável.

Depois disso, o mundo permaneceu intacto na plenitude de sua rotina de movimentos rotação-translação, enquanto eu, no meu universo particular, mais do que mudar, pude finalmente, existir.

 

Minhas amigas, a terapeuta e até minha mãe achavam que eu deveria tentar encontrar um companheiro utilizando os famosos aplicativos. Então lá fui eu! A eterna curiosa romântica acreditou que poderia ser uma possibilidade.

Talvez você, assim como eu, conheça algumas histórias muito felizes de pessoas que encontraram um companheiro legal através do uso da tecnologia. Pois bem, eu tenho o dom de escolher os esquisitos!

Já me apareceu de tudo. Desde o infeliz que achou super legal dizer que achou minha amiga interessante na foto que viu do Facebook, até o babaca que achou que se me levasse para almoçar na praça de alimentação do shopping certamente eu diria minhas preferências sexuais com a mesma naturalidade que eu como um pudim de sobremesa. E que na certa eu imploraria para fazer sexo com ele.

Meus caros amigos do sexo oposto, tenho algumas coisas a lhes dizer para que nã o fiquem meses em total celibato. Sim, as atitudes acima os levariam ao total fracasso com qualquer mulher, até aquelas que não tenham nenhuma autoestima! Então, vamos lá:

Lição 1 – Nem todas as mulheres que estão em um aplicativo estão desesperadas para transar com você.

Lição 2 – Quer simplesmente “comer”? Invista! Torne este momento agradável. Nem que seja para ser legal só para você, pois, acredite, a transa não será legal para você se a mulher não sentir o menor prazer.

Lição 3 – Mesmo que todas as estatísticas digam que existe uma disponibilidade maior de mulheres em relação a homens, isto não significa que uma mulher vai topar transar com você! As mulheres já descobriram sexshop com oportunidades incríveis de liberar adrenalina com brinquedinhos.

E para você que parou para ler mais uma das minhas histórias malucas e se sentiu aliviada por não ser a única a passar por isso, não tenha dúvida: mesmo sendo uma experiência de manchar um curriculum para sempre, não perca a esperança de seus sonhos. Viva outras histórias ridículas e ao final de cada uma delas, RIA ALTO! Toda forma de Solteirar vale a pena!

Até a próxima!

 

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Eu passava dos 20 anos e a minha idealização sobre a primeira vez já tinha evoluído de uma visão romântica dos fatos para uma simples expectativa de prazer.

Escolher um parceiro não estava nas minhas prioridades, mas quando ele surgiu, viramos amantes após um longo relacionamento de, aproximadamente, vinte e três horas. A memória desta noite me remete a um hálito de cerveja quente, úmido e precedente a uma gratuita amostra de egoísmo. A atividade passou por curtas etapas preliminares e, de repente, findou-se. Quando o vi se retirar regozijado de cima do meu corpo acreditei que ganharia a minha parte do desfrute, mas não. Ele sorriu, virou e dormiu.

Passei um tempo revivendo cada detalhe daquela cena, tentando achar o átimo do meu erro. Depois de muitas reprises percebi que estava sozinha naquele quarto. Ele cedeu seu corpo para uso, usou o meu e se rendeu ao cansaço. Não estava na sua lista itens de reciprocidade. A frustração me consumia, mas não queria drama sobre isso. Optei por abandonar a minha lembrança e passei a questionar-me sobre as próximas vezes. O que mais elas me trariam?

Nunca tive coragem de abrir tais detalhes a terceiros, mas muitas vezes ouvi histórias parecidas de outras mulheres, que por sinal já estavam  além das suas relações primárias. Uma análise sobre esses episódios me fez acreditar que precisamos evoluir para um estado de maior consciência sobre o nosso corpo enquanto entidade feminina. Algumas exigências mínimas precisam ser cumpridas para nos manterem na cama dispostas ao próximo passo. Se não há erotismo, se não há troca, chegar ao fim vira um item da lista de obrigações. Da minha parte, vou embora e me poupo dessa tortura.

A patética estreia  sexual não me extirpou o desejo e nem a crença que a satisfação mútua é a premissa máxima do sexo, mas sim, me trouxe a lucidez do que eu preciso e interpreto como prazer. E, sinceramente, eu preciso de pele, preciso de tato e preciso estar com alguém disposto a me sentir e a tentar captar as entrelinhas do meu desejo.

Eu:         Como foi o fim de semana?

Ela:         Só lhe conto se você escrever.

Eu:         Aprontou o quê desta vez?

Ela:        Se está interessada lhe aconselho pegar lápis e papel.

“Meu corpo está nu, em êxtase e quase incapaz de abrir os olhos. Assim que eu recuperar o fôlego, poderei confirmar que não conheço o lugar, não conheço a pessoa e não me reconheço, por ora só sinto o prazer me consumindo.

Não quero esperar pela manhã, mas não tenho capacidade de pedir um táxi nem de guiar meu carro, até porque não sei onde ele está. A minha última lembrança revela um ardente beijo que outra mulher acertou na minha boca.

Uma pessoa na cama me beija, acho que é ela. Não tenho força para retribuir nem para recusar, só quero flutuar para a minha casa, não será possível, tem um corpo nu sobre o meu. Minha cabeça gira e naquela confusão de memórias e saliva, uma coisa certa: transei novamente com o álcool.

Não me recordo qual foi a última vez que me envolvi de fato com a pessoa que estava comigo, a embriaguez me usurpou desse momento. Não sei quando aprendi a ser assim. Não sei se sou uma boa amante – provavelmente não. Não sei se tive bons amantes. Eu não me importo, eu sinto o gozo e isso me basta, não existem rostos para identificar o meu clímax.

Meu estado parece uma mescla de ninfomanismo e dependência alcoólica, mas eu sinto paz. Não tenho pudor e, para ser sincera, a sobriedade me enoja.

Publique Glória, essas palavras são suas.”

Eu:         Estou sem ar, você precisa de ajuda?

Ela:        Não, mas se alguém precisar, que me procure, tenho muita vodca!

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Trabalhei 15 horas. Depois do tão esperado banho, só precisava de uma taça de Syrah¹e de uma diversão específica, para garantir que o sono fosse tranquilo: um extenuante orgasmo. Porém, já se foram 60 minutos, não encontro uma cena digna de mim e, infelizmente, meu sono vence o tesão. Boa noite.

O mercado erótico lucra comigo há alguns anos e apesar de realmente acreditar serem bem gastos os meus centavos, também preciso confessar o quanto o cinema ainda me decepciona.

A produção mainstream² representa mulheres plásticas, inertes, irreais. Vende cenas repletas de clichês que não encarnam as nuances e, principalmente, os valores da mulher contemporânea. Pela lente das câmeras, não passamos de um objeto fantasiado, sempre apto à sodomia e receptáculo de sêmen.

Além disso, a pobreza da direção de imagem minimiza o coito a um rotineiro exame
ginecológico. Não há prazer, não há entrega, não há troca. É somente o órgão sexual sendo testado minuciosamente e de forma escancarada, às mais diversas posições, anatomias de objetos e combinações com órgãos sexuais alheios.

Não à toa essas películas despertam nosso desinteresse, pois, apesar da crescente demanda feminina por produtos da indústria, nossa representatividade, no quesito direção e produção, está próxima de 3%.³

Por fim, há mais um ponto a esclarecer: não queremos mais um capítulo da novela das 21h. Quando surge, às vezes, algo propositalmente deslocado das cenas comuns, o play revela um brochante projeto de trepada gospel. Veja bem, o meu lado dama precisa de um pouco de sujeira para manter vívida a messalina que venho desenvolvendo. Ser mulher ainda me faz, apesar do anseio pela ascensão de conceito da produção pornô, desejar que ela preserve os seus subvalores.

Todos esses pontos são também reflexos dos tabus e estigmas do comportamento feminino. Ainda temos vergonha de assumir para nós mesmas os nossos desejos e encará-los como algo natural, assim, eles são tratados e retratados como uma não prioridade.

Essa figura nula, posta de forma ridícula em frente às câmeras, não configura nosso instinto sexual. A indústria pornográfica precisa saber trabalhar sob o ângulo que nós escolhemos reproduzir quando decidimos abrir as pernas e gozar.

 

¹ Syrah – https://pt.wikipedia.org/wiki/Syrah

²Mainstream – http://www.significados.com.br/mainstream/

³Ler mais em:
Pornô Pink
http://revistaglamour.globo.com/Amor-Sexo/noticia/2015/04/porno-pink-conheca-e-se-encante-pela-pornografia-feminista-dja.html

 

 

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