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vida
Não é por nada, mas com qual intensidade as metas que criamos para alcançar um sucesso idealizado nos têm usurpado dos pequenos prazeres da vida?
Abdicamos diariamente da liberdade dos pés descalços pelo requinte e formalidade dos saltos agulha. Almoçamos as atividades que não couberam nas outras 14 horas de expediente e voltamos ao escritório para assistir reuniões de puro engodo.
Reforçamos uma imagem incorruptível e de excelência. Mas, quanto se vive enclausurada no armário? Quanta sede dissimulada por pequenas doses? Quanta opinião em silêncio? Quanta maquiagem retocada?
Dormimos na exaustão das metas até que o despertador nos convoque para sermos a protagonista na fábula de outro slide. Caminhamos como sobreviventes até que a sexta-feira chegue e, com ela, a prerrogativa de poder extravasar nossa crise crônica consumindo o ócio.
Não namoramos durante a semana. Não saímos para dançar. Não vamos ao estádio ver o “timão”.
O algoritmo da rotina nos faz flutuar do apartamento ao carro e do carro ao escritório com pequenas pausas de ambiente sem ar-condicionado. Ao volante, qualquer percurso é de exaustão, as buzinas não nos deixam ouvir o rádio nem os nossos pensamentos.
É um laço, é uma corrente, e também somos um elo para que o ciclo recomece.
É preciso ter ímpeto para fugir dessa cadeia. É preciso dizer sim às aventuras que ficam do outro lado da fronteira cotidiana. É preciso mudar a rota que nos tira e nos devolve ao lar. Alguns dias é preciso por a cara na janela para respirar a vida.
Para ser feliz, me libertei de relacionamentos, atitudes, pessoas, lugares, empregos que me faziam mal, pois não estavam sintonizados com a minha essência.
Para alguns, deixar as situações ruins sem mágoas irem embora é um ato de coragem. Para outros, um ato de covardia. Para mim, foi a única forma de voltar a ser eu mesma, pois deixei para trás a opinião dos outros e resolvi viver minha própria vida.
Assim, penso que para ser feliz, às vezes é necessário “morrer”.
Ao dizer isso, logo me vem à lembrança a história de uma amiga de família, que é do interior da Bahia. Ela tinha um tio que sofria uns desmaios que o deixavam gelado como se estivesse morto. Certa vez, ele ficou algumas horas desacordado, então o deram como morto. Sim, não havia médico na cidadezinha. Pois bem, não é que o morto renasceu no meio do velório??? O morto levantou do caixão jogando as flores para o alto e a maioria das pessoas saíram correndo apavoradas, no meio dos porcos que viviam ao lado do local usado para velórios.
Caras (os) leitoras(es), não quero ver nenhuma (m) de vocês dentro de um caixão para voltar a ser feliz, mas veja como esta história é inspiradora:
“Cada vez que alguém for preconceituoso com suas escolhas, finja-se de morta e assim que o chato der uma brecha, conte uma história cabeluda que faça o fulano correr assustado de medo da sua capacidade de ser feliz.”
Quantas vezes não ficamos enterradas em relacionamentos infelizes porque deixamos morrer nossos sonhos, nossa essência? Enquanto isso, deixamos na testa um letreiro: “Aqui jaz uma pessoa que sonhou ser feliz, engolida pelos preconceitos de uma sociedade mal resolvida.”
Minha (Meu) querida (o), saia deste “caixão”, diga ao mundo que a (o) “morta (o)” acabou de ressuscitar e que irá assombrar todos aqueles que tem um olhar, uma crítica afiada para infernizar sua felicidade. Porque esses sim continuam “mortos” e não sabem respeitar a vida de quem descobriu que o espírito é livre para Solteirar e ser feliz.
A vida acontece por caminhos nem sempre esperados…
Gastamos muita energia na busca pelo controle:
Do tempo, do comportamento das pessoas, da saúde.
E aí a vida escapa:
A chave do carro se perde na bolsa;
O por do sol avermelhado se põe antes do trânsito na volta do trabalho;
O sorriso maroto do filho vira a obrigação pela escovação perfeita.
Para onde corremos?
Buscamos o que mesmo?
Viver cada minuto de forma inesquecível pode trazer o prazer perdido pela obrigação de ser feliz para a sociedade.
Deixar as pessoas serem como elas querem ser, pode ser a melhor maneira de garantir a sua própria liberdade.
Relaxar no silêncio de uma cabeça tranquila poderá trazer ao seu corpo o equilíbrio que ele tanto pede.
Depois de ler isso, não deixe de ir ao médico, mas deixe a sua alma livre para curtir o momento de viver o que a vida oferece.
Às vezes só queria parar de sentir saudades da pessoa que nunca fui, das coisas que nunca fiz e nem vou fazer e dos lugares que nem sequer estarei.
É como se a vida que não levei me fizesse mais falta do que tudo que realmente passei.
Quem sou eu?
Se for tudo uma farsa, por que não se revelar ao menos a mim?
Quem sou eu?
Já não me ponho no preto e branco há tanto tempo que me perdi.
Que confusão, que ilusão. Que encanação, que encarnação?
É o cheiro da chuva que te lembra de alguém.
É o vento nas árvores que te falta.
São os sonhos dos quais já nem me lembro mais.
Se omitir. Deixar passar.
Porque ser o reflexo de quem se queria ser é na verdade um não ser.
Para que simplificar se depois de um pé na bunda é muito mais cinematográfico chorar por horas ao som de todas as músicas de fossa que você conhece no universo?
Às vezes, tenho a sensação que eu e muitas outras pessoas ao meu redor fazemos de nossas vidas um filme de drama digno de Oscar e passamos todos os dias de nossas vidas separando as pessoas em mocinhas e vilões.
Mas, afinal, o que é a vida se não o acúmulo de mentiras e verdades que decidimos contar?
Cena 1, claquete 1, ação! E assim começo mais um dia, cheio de aventuras, vinganças, amores, traições e tudo mais que eu quiser colocar. Minhas decisões de personagem são altamente relacionadas ao meu humor, mas normalmente não me contento com o papel de mero figurante e roteiros “mornos” nunca me agradaram. Então quando a calmaria ameaça rondar minha vida, não abro mão de mexer em algum passado mal resolvido só para cair mais uma vez no drama de esperar uma mensagem de resposta ou quem sabe até, em dias de sorte, mais uma cena da mocinha abandonada.
E os vilões da minha vida? Às vezes são tantos e de repente nenhum. Já fui amiga traída, a irmã destratada, a namorada enganada, a filha preterida e muitas vezes injustiçada. É tanta novela mexicana que não tem como não ter dó de mim, não é? Já passei até por alguns clássicos (alguns a la “Sessão da tarde”: “Meu primeiro amor”, “Carrie, A Estranha” – sem fogos e mortes, por favor, “Sexy and the city”, “Esqueceram de mim”…), mas confesso que quando canso de tudo isso, só quero ser a mocinha contentada que voltou para o campo de “Um porto seguro”.
Por que não sair dessa caixinha de músicas que escolhi viver? Por medo. Medo das coisas lá fora serem sérias demais, chatas demais e que, no final, nossas vidas não passem de um grande e completo tédio. Prefiro assim, com toque de mágica, e claro, com o controle do que quero que seja o roteiro de toda essa história.
Uma só vida.
É o que temos. E ainda sem saber quanto tempo ela durará.
Tendo essa única certeza desde que nascemos, de que vale essa vida se não nos arriscarmos e ousarmos cada dia? Permanecer num emprego que nos causa infelicidade, mas que garante estabilidade, dormir cedo sempre, nunca se atrasar, ir ao mesmo cinema, ao mesmo restaurante, a mesma balada; ter roupas sempre da mesma loja, tomar a mesma marca de cerveja: perda de tempo.
É como a velha e boa música de Chico Buarque: “Todo dia ela faz tudo sempre igual/ me sacode às seis horas da manhã/ me sorri um sorriso pontual/ e me beija com a boca de hortelã”.
Fomos educados à rotina. Acordar cedo para ir à escola, não se atrasar, fazer lição de casa todos os dias, almoçar no horário, não chegar tarde em casa, etc. Gostar de rotina não é ruim. Afinal, é ela que norteia nossas vidas e dá certa diretriz ao nosso dia a dia. Caso contrário, viveríamos num caos e desfocados. A rotina é de certa forma a força motriz que nos faz obedecer às regras e nos manter sãos, sem grandes transtornos psíquicos.
Sair da rotina, às vezes pode ser doloroso. Arriscar-se numa atividade nova, atrasar-se mais que cinco minutos ou experimentar uma comida exótica, nem sempre é fácil alcançar. Principalmente para quem tem sua vida toda cronometrada e disciplinada pelos relógios e suas regras _ acordar às seis, fazer ginástica, tomar banho e se arrumar em meia hora, tomar café lendo jornal, trabalhar incessantemente, voltar pra casa pelo mesmo caminho de sempre, assistir qualquer porcaria na televisão e dormir.
Desse modo, não nos permitimos experimentar algo novo e ousado, por mais simples que seja. Não nos damos o luxo de fazer um programa cultural em plena terça-feira, afinal, amanhã é quarta, dia de acordar cedo e trabalhar. Não nos permitimos nos atrasar um dia sequer, como naquele dia chuvoso e frio que nos faz ficar mais uns minutinhos na cama pela manhã. Não nos permitimos acordar após o meio-dia num domingo preguiçoso. E assim, a vida vai passando, nessa disciplinada, organizada, metódica e chata rotina.
Por muito tempo fui um pouco assim: metódica e intransigente (confesso que ainda sou meio rígida com horários e rotina, mas estou tentando mudar). Reconhecer que meu mundinho é limitado e que a zona de conforto não me oferece nada mais do que conforto, já é o primeiro passo. Num encontro entre amigas, se todas chegam no horário, acho ótimo. Se, algumas chegam atrasadas, me incomodo um pouco, mas hoje já espero as atrasadas feliz, e faço disso um motivo de risadas.
Viver metodicamente é não viver, ou viver pela metade. Partindo do pressuposto que temos uma só vida, melhor não desperdiçá-la.
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