Protagonista na vida

Para que simplificar se depois de um pé na bunda é muito mais cinematográfico chorar por horas ao som de todas as músicas de fossa que você conhece no universo?

Às vezes, tenho a sensação que eu e muitas outras pessoas ao meu redor fazemos de nossas vidas um filme de drama digno de Oscar e passamos todos os dias de nossas vidas separando as pessoas em mocinhas e vilões.

Mas, afinal, o que é a vida se não o acúmulo de mentiras e verdades que decidimos contar?

Cena 1, claquete 1, ação! E assim começo mais um dia, cheio de aventuras, vinganças, amores, traições e tudo mais que eu quiser colocar. Minhas decisões de personagem são altamente relacionadas ao meu humor, mas normalmente não me contento com o papel de mero figurante e roteiros “mornos” nunca me agradaram. Então quando a calmaria ameaça rondar minha vida, não abro mão de mexer em algum passado mal resolvido só para cair mais uma vez no drama de esperar uma mensagem de resposta ou quem sabe até, em dias de sorte, mais uma cena da mocinha abandonada.

E os vilões da minha vida? Às vezes são tantos e de repente nenhum. Já fui amiga traída, a irmã destratada, a namorada enganada, a filha preterida e muitas vezes injustiçada. É tanta novela mexicana que não tem como não ter dó de mim, não é? Já passei até por alguns clássicos (alguns a la “Sessão da tarde”: “Meu primeiro amor”, “Carrie, A Estranha” – sem fogos e mortes, por favor, “Sexy and the city”, “Esqueceram de mim”…), mas confesso que quando canso de tudo isso, só quero ser a mocinha contentada que voltou para o campo de “Um porto seguro”.

Por que não sair dessa caixinha de músicas que escolhi viver? Por medo. Medo das coisas lá fora serem sérias demais, chatas demais e que, no final, nossas vidas não passem de um grande e completo tédio. Prefiro assim, com toque de mágica, e claro, com o controle do que quero que seja o roteiro de toda essa história.

Lana Byron
Lana Byron
Paulistana, 22 anos, DJ, solteira bipolar. Seria trágica se não fosse cômica (assim como sua vida amorosa). Amante do bom e do péssimo rock. Nada de meios-termos, por favor. Hobbies: filmes, séries, HQs e longos e relaxantes passeios por brechós. Seus textos são frutos de suas crises internas e críticas aos padrões sociais.
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