Uniões?

Antes, quando a chance profissional feminina era quase zero, a união era de comunhão total de bens. A mulher na verdade agregava-se ao patrimônio masculino, e se tolerada, até que a morte os separasse, então, poderia desfrutar com mais liberdade desse capital.

Se rejeitada, mesmo dentro da lei, recebia o que conviesse à cabeça do casal, assim, denominado pela constituição até 1988, o marido…

O mundo atual abriu-se mais à mulher, mesmo com as dificuldades que enfrentamos  todos e, hoje, as uniões são partilhadas parcialmente. Em pesquisa recente, a maioria de homens e mulheres exige essa privacidade econômica. As parcerias estão no  trabalho com filhos e tarefas domésticas, reciprocidade físicas, em todas nuances de fruição. Além, da sentimental, como paixão, entrosamentos, gostos e amor, mas há o senão econômico.

Curiosíssimo esse aspecto. Divide-se quase tudo. Quase. Cada parte, já a priori, quer  resguardar-se de deslealdades, interesses diferenciados dos outros, desamor. Na verdade, ficar pronto para sair do barco sem prejuízos.

Uniões já não são tão totais. O ser humano mudou? Ficou melhor ou pior? Mais  realista ou menos romântico? Quem pode mais chora menos? E de ambas as partes se criam armaduras para menos desgastes.

A racionalidade e a independência econômica empurram o ser humano para praticidades e o afastam de estereótipos arcaicos que não cabem mais na vida  moderna. Famílias e amores já não são só os tradicionais. Há um leque de opções diferenciadas.

Individualismos já não soam tão estridentes e bizarros. E encontrar caminhos próprios já é mais natural.

Mudanças comportamentais e tecnologia impactante levam a todos para um futuro desconhecido: profissões, escolhas várias e posturas são incógnitas e tudo é imprevisível. A instabilidade generalizou-se.

Isso interfere em nosso agir. Estamos diferentes, mesmo tentando repetir convenções arraigadas em nós mesmos. E ficamos confusos.

Encontrar caminhos que nos fortaleçam e complementem faz-se preciso. Sem medos, remorsos ou pretensões de acertar sempre.

Há um mundo novo a desbravar, nosso lugar para descobrir e desvencilharmo-nos do que já não presta mais.

Temos mais e muito trabalho à frente.

Hipólita
Hipólita
Paulistana, madura, livre por excelência. Não liga para aplausos ou vaias. É exigente e absolutamente irreverente (viva a rima!). Adora literatura, gosta de escrever, cozinhar, fazer crochê e curtir a natureza: flores, pássaros e a beleza. Acredita que refletir faz parte de aprender a ser mais feliz e que desafios a vencer são fundamentais. Está fora de pessimismos ou tristezas.
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