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Prazer, onde está você?

Mais uma vez em Sampa e não é que conheci um prostituto?!

Calma! Não contratei os serviços, como ouvi uma vez da minha parceira Glória Feler, “ainda me resta um pouco de dignidade”. Claro que a Glória fez esta citação sobre um tema muito mais valioso para a sociedade, mas eu, com este meu jeito pé na jaca, aproveito a belíssima construção da língua portuguesa utilizada por ela para falar de algo mais mundano, prostituição.

Na verdade, do alto do meu não feminismo, nunca imaginei encontrar um homem oferecendo serviços sexuais em uma esquina. Se você está rindo da minha cara e me achando uma quarentona ultrapassada, talvez eu seja mesmo, mas ver aqueles homens de diferentes tipos,  alguns mostrando seus membros e outros fazendo pose tipo James Dean*, me fez pensar o quanto o sexo é necessário e banalizado ao mesmo tempo.

A extrema necessidade por sexo cria um mercado que vai muito além dos produtos, vende pessoas e pessoas compram pessoas para aliviar a energia contida em seus corpos. Mas será que conseguiram comprar o desejado prazer?

Segundo Michaellis prazer é:
pra.zer2
sm (lat placere1 Alegria, contentamento, júbilo. 2 Deleite, gosto, satisfação, sensação agradável. 3 Boa vontade; agrado. 4 Distração, divertimento. 5 Filos Emoção agradável que resulta da atividade satisfeita. Antôn (acepções 1 e 2):tristeza, dor, aflição. Prazeres físicos: prazeres materiais; gozo sensual.

Daquele momento de ridículo completo, olhando a cena como se aquele fosse meu primeiro momento sexual, me voltei para o significado antônimo da palavra prazer e senti aquela sensação de tristeza, quase mutilação do meu desejo sexual. Será que encontrar um parceiro não pode trazer o prazer completo? Será que estamos tão egoístas que os relacionamentos passarão a ser apenas uma relação de negócio?

Eu continuo firme no desejo de encontrar um parceiro para compartilhar prazer na vida e acredito que existam pessoas que estão aptas a Solteirar em par. Podem me chamar de sonhadora, dizer que o mundo está perdido, que não existem mais homens como antigamente, etc. Vou continuar acreditando na liberdade de escolha e que há uma grande maioria entregue a um único objetivo: Ser Feliz!

Agora, que me deu vontade de descer do carro e fazer uma pesquisa antropológica para saber quais mulheres procuram o serviço deles, quais os diferenciais competitivos, valores e claro, saber o tamanho dos membros oferecidos; essa vontade eu senti! Mas fiquei contida dentro do quadrado dos meus medos e preconceitos. Por hora foi melhor seguir para a balada mesmo ao som das risadas da minha amiga que acha os meus pensamentos insanos.

* Gerações Y e Z que me seguem, peço que procurem por ele no Google, a beleza dele vale a pena. E antes que me deem mais idade do que eu tenho, aviso que ele era “um colírio para os olhos” da minha mãe.

Juliette Silva
Juliette Silva
Carioca, 48 anos, executiva, atualmente solteira. Em busca da felicidade sempre. Acredita na justiça e briga com os preconceitos (inclusive os seus). Um tanto atrapalhada, mas muito competente no que se propõe a fazer. Meio mística, meio cética…meio no mundo da lua. Gosta de gente, isto significa, pessoas, animais, natureza, etc. Pensa muito e em várias coisas ao mesmo tempo.
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