Amores platônicos

Gosto do conforto dos amores platônicos.

Simplesmente resumido em “o amor pelo que ainda não é seu” e, pra ser sincera, na maioria das vezes não será mesmo.

Eles não me cobram muita coisa. Não preciso agir, interagir, seduzir ou sorrir; só preciso estar ali, disposta a admirar tudo que não posso ter.

Há sempre esperança, há sempre um “pode ser que dê certo” para nos manter conectados, ou melhor, me manter conectada.

Não comparo a graça da conquista com a dor da possível decepção. Simplesmente não quero tentar. Contento-me com esse “Show de Truman” que montei para nós.

O amor real nunca atingirá toda minha expectativa. Sou bastante criativa e no meu cenário estou feliz, estou completa. O amor platônico é um amor egoísta, é o meu amor por ele e fim. Não existem discussões por melhores caminhos ou entendimentos distorcidos de indiretas mal dadas. Estarei sempre certa, apesar de sempre só.

Se sou feliz? Talvez a felicidade seja a gestão da aceitação de tudo aquilo que não se pode ter e daí minha predisposição a amores já resolvidos, ou para o sim ou para o não. Não corro riscos, já sei o final de tudo isso, mesmo que seja eu sem ele e fim.

*“O Show de Truman” é um filme norte americano de 1998 dirigido por Peter Weir e escrito por Andrew Niccol.

Lana Byron
Lana Byron
Paulistana, 22 anos, DJ, solteira bipolar. Seria trágica se não fosse cômica (assim como sua vida amorosa). Amante do bom e do péssimo rock. Nada de meios-termos, por favor. Hobbies: filmes, séries, HQs e longos e relaxantes passeios por brechós. Seus textos são frutos de suas crises internas e críticas aos padrões sociais.
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