Amores platônicos
Gosto do conforto dos amores platônicos.
Simplesmente resumido em “o amor pelo que ainda não é seu” e, pra ser sincera, na maioria das vezes não será mesmo.
Eles não me cobram muita coisa. Não preciso agir, interagir, seduzir ou sorrir; só preciso estar ali, disposta a admirar tudo que não posso ter.
Há sempre esperança, há sempre um “pode ser que dê certo” para nos manter conectados, ou melhor, me manter conectada.
Não comparo a graça da conquista com a dor da possível decepção. Simplesmente não quero tentar. Contento-me com esse “Show de Truman” que montei para nós.
O amor real nunca atingirá toda minha expectativa. Sou bastante criativa e no meu cenário estou feliz, estou completa. O amor platônico é um amor egoísta, é o meu amor por ele e fim. Não existem discussões por melhores caminhos ou entendimentos distorcidos de indiretas mal dadas. Estarei sempre certa, apesar de sempre só.
Se sou feliz? Talvez a felicidade seja a gestão da aceitação de tudo aquilo que não se pode ter e daí minha predisposição a amores já resolvidos, ou para o sim ou para o não. Não corro riscos, já sei o final de tudo isso, mesmo que seja eu sem ele e fim.
*“O Show de Truman” é um filme norte americano de 1998 dirigido por Peter Weir e escrito por Andrew Niccol.











