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Recado às mulheres que odeiam o feminismo

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Na semana passada um tema relacionado a Solteirar deu o que falar no blog da Regina Navarro:

“Minha mãe foi o meu exemplo. Separou-se de meu pai nos anos 80, logo depois que nasci e foi viajar pelo mundo […]. Fui criada pela minha avó, mas não perdi o contato com ela. Ao criar minha própria família adotei a sua independência. Fiz meu marido perceber que não sou uma mulher ‘do lar’. Ele aceitou porque me ama. Fica com nossos filhos quando saio só e não me impede de viajar também sozinha. Mas, por incrível que pareça, sou criticada por… MULHERES!!! Amigas e parentes dizem que minha atitude vai trazer infelicidade para todos nós […] Será que estou errada?”

A resposta da Regina é imperdível! Leia em: http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2014/11/01/a-liberdade-da-mulher-sob-controle.

E, se tiver oportunidade, confira também os comentários hilários (pra não dizer deprimentes) de alguns homens que parecem ter desembarcado agora da Idade Média. Se quiser rir (ou chorar), dê uma navegada no mesmo link.

Minha posição? Fácil de imaginar: apoio 200% a mulher casada que defende seu direito de “Solteirar”. Para muitos, esse simples apoio já me transformaria automaticamente numa “feminazi”. Imagine se eles me conhecessem um pouco melhor…

Mas o propósito da minha visita por aqui hoje é outro: gostaria de passar um recado a todas as mulheres que, como Mona Charen, odeiam os movimentos feministas e costumam dizer que eles foram um perverso retrocesso. Segundo Charen, “milhões de mulheres seguiram os conselhos feministas, mas eles as levaram a uma miséria sem paralelo.” *

Bem, em primeiro lugar, a base dos diferentes movimentos feministas não é a oposição ao casamento em geral, mas sim a superação da opressão e da submissão ao homem (incluindo o casamento arranjado). E, de fato, por mais que você não concorde com tudo que as representantes do feminismo já disseminaram ao longo de décadas (nem eu concordo), é inegável que eles foram vitais para que grande parte das mulheres ocidentais conquistasse direitos importantíssimos, sendo um dos principais o PODER DE ESCOLHA.

Hoje posso ousar escrever o que realmente penso e quero para minha vida numa comunidade como o Solteirar. Se quiser, posso até bradar aos quatro ventos que o casamento (mesmo o “por amor”) e a maternidade são, para mim, completamente INCOMPATÍVEIS. Note que nunca insisti para que alguém seguisse meus passos.

Se tivesse o infortúnio maldito de ter nascido antes dos movimentos feministas, como minha bisavó, provavelmente seria fadada ao mesmo destino: teria tentado fugir de um casamento arranjado, apanhado do marido que não amava, tido mais de 10 gravidezes e criado 8 filhos “remanescentes” delas.

Também tive a sorte de não ter nascido em um berço muçulmano e tampouco ter tido uma mãe que resistisse à libertação feminina por ela própria ser vítima dos preconceitos contra a mulher. Aliás, preconceitos tão brutalmente entranhados que se propagam através das próprias vítimas e se perpetuam através dos séculos.

Em quaisquer dos cenários acima, minha autoestima estaria em frangalhos pela inexorável inadequação da minha essência à imagem projetada pela minha família para mim (“casar e ter filhos”).

E, apesar de não ser fã da transcendência, considero-me abençoada por ter uma família repleta de mulheres incríveis e corajosas (bisavó, avó, tias divorciadas e solteiras) e de ter a mais extraordinária mãe do universo!

Exigente, ela nos ensinou a importância da superação. Generosa, nos mostrou a beleza da independência e nos fortaleceu com a autoconfiança necessária para conquistá-la. E, com isso, ganhamos mais um presente dos deuses: a oportunidade de trilhar o nosso caminho do jeito que desejamos, por mais torto que ele pareça ao olhar implacável da hipócrita humanidade.

Minha mãe é feminista e adorava sua avó guerreira que fez história antes mesmo do primeiro movimento feminista, mas que não teve a chance de escolher seu caminho.

Aliás, minha mãe é casada até hoje, mas nem por isso nos privou de saber que não é nada fácil ter marido e filhos.

Desejo às mulheres de hoje e das próximas gerações mães como a minha: livres de espírito e livres na prática (independentemente de seu estado civil), fascinantes por terem perseguido seus sonhos e incansáveis lutadoras para amparar suas filhas a seguir os delas. Sejam eles quais forem.

E viva o feminismo!

 

* Mona Charen, colunista conservadora: “Millions of women have taken feminist advice. And it’s led to unparalleled misery.”

Imagem: http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2014/11/01/a-liberdade-da-mulher-sob-controle/ “Ilustração: Lumi Mae

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