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Senso Comum Aturdido

Tantos séculos nos separam da pré-história, mas qualquer pretexto leva o ser, não tão humano quanto pretende, a voltar às origens bestiais.

As desculpas são inúmeras para esse comportamento e as razões tantas outras, mas no fundo mesmo, com a sagrada desculpa da religião, o motivo é sempre o econômico e o poder advindo dele (e não só para assassinatos). A opressão gera desconforto e ele se transforma em violência.

Nós brasileiros dormimos e acordamos com essa, aqui, banal violência e de jeito nenhum por motivos “tão nobres”… A estatística tem números de guerra para o chamado povo “cordial”.

Imaginem, então, o indivíduo que é motivado com a promessa do paraíso, este não enxerga nada, já que deve ter uma vida infernal, e a lavagem cerebral manda o seu bom senso para longe (será que é capaz disso). O desconforto que qualquer indivíduo de qualquer lugar sentiu por este episódio de massacre e suas razões foi pungente. Ah… Pobre Charlie… Ah… Pobre humanidade!

Sobre diferenças, minha sábia avó dizia que, na casa dos outros, seguem-se suas regras. Lembro-me de ir fazer trabalho escolar na casa de dois colegas irmãos, Beth e Beto. A família era admirável, pai, mãe, tantas tias, avós e outros, todos uns doces. A baixela que usavam para o serviço no almoço era linda, muito mais fina que o “colorex” de minha mãe. Mas eles pegavam o tabule e o kibe com as mãos, envoltos na alface romana e arrotavam com desenvoltura. Eram árabes católicos e muito aprendi com eles: o capricho, a união familiar, muitas receitas deliciosas e o respeito para comigo, uma diferente.

Num país que dá guarida a inúmeros seres tão necessitados, pois do contrário não sairiam de sua terra natal – em especial esta França memorável, baluarte do mundo nas questões ainda não alcançadas de respeito e liberdade – como alguém pode querer impor suas normas, costumes, padrões: eles é que são os estrangeiros. No mínimo, se não sabem agradecer, deveriam respeitar, adequar-se… Quer queiram ou não, não têm o mesmo direito dos nativos que os recebem.

Matar em qualquer lugar civilizado é crime, deve ser punido. 

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Hipólita
Hipólita
Paulistana, madura, livre por excelência. Não liga para aplausos ou vaias. É exigente e absolutamente irreverente (viva a rima!). Adora literatura, gosta de escrever, cozinhar, fazer crochê e curtir a natureza: flores, pássaros e a beleza. Acredita que refletir faz parte de aprender a ser mais feliz e que desafios a vencer são fundamentais. Está fora de pessimismos ou tristezas.
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