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Charlie Hebdo

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Nas últimas semanas, vários protestos surgiram pelo mundo. Pequenos, grandes, históricos, políticos, sociais etc. Aqui, no país tupiniquim, houve uma tentativa de reinício dos protestos que vimos em 2013. Com alguns poucos gatos pingados, a vontade de voltar a protestar nas ruas brasileiras parece estar começando.

Sob o argumento do aumento da tarifa do transporte público, o que vimos no noticiário da semana ninguém deu atenção. Tratou-se de uma meia dúzia querendo chamar a atenção para algo que está longe de ser um motivo de protesto público diante de tantos absurdos que estamos assistindo atualmente no país das bananas (ou de bananas?).

Será que o aumento da tarifa é tão relevante diante da roubalheira que estamos conhecendo a cada dia no Petrolão? Pior que as tias Dilma e Graça ainda não se mancaram que essa última já devia ter saído do trono faz tempo. Mas não. Continua lá desmentindo tudo – mais uma que vai falar que não sabia.

E o que falar da nossa ridícula economia? Isso sim seria um real motivo para irmos às ruas. Inflação de 6% – no topo da meta. Crescimento do PIB igual a zero (podia-se economizar a palavra crescimento). Desemprego, só não sobe porque os beneficiários da Bolsa Família estão com a vida mansa e já não querem mais saber de procurar emprego. Porém, já estamos vendo sinais a começar pelas montadoras de veículos.

Ou, então, por que não ir às ruas para reivindicar segurança pública de verdade? São mais de 50 mil assassinatos em um ano. Ficamos em 1º no ranking da OMS com o maior número de homicídios no mundo.

Ah, e a educação precária? Ninguém protesta? Simplesmente meio milhão de estudantes com nota ZERO em redação no último ENEM. Quase 10% dos estudantes não sabem se expressar.  Isso não é motivo para ir para a Av. Paulista?

Engraçado. Há tantos bons e verdadeiros motivos para protestarmos, para irmos às ruas e avenidas, mas o brasileiro é politicamente ignorante e ainda está no jardim de infância quando se trata de reivindicar e se manifestar.

Tomemos como exemplo a manifestação francesa por conta da morte de Charlie e companhia. Não sou Charlie e não acho que a liberdade de expressão deva ser infinita. Ao contrário, acho que foram longe demais e demais continuaram com o exemplar em homenagem aos cartunistas. Talvez até não medindo os riscos que isso pode trazer ao resto do mundo. Mas esse não é o ponto. O ponto é a consciência, a organização, a mobilização e a transformação que fazem quando julgam legítima uma reivindicação e um direito que fazem muita questão de preservar.

Os franceses, já experts em reivindicar, golearam os brasileiros nesse quesito. Quiçá um dia chegamos lá. E, espero que esse dia esteja próximo, pois motivos temos de sobra.

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Tantos séculos nos separam da pré-história, mas qualquer pretexto leva o ser, não tão humano quanto pretende, a voltar às origens bestiais.

As desculpas são inúmeras para esse comportamento e as razões tantas outras, mas no fundo mesmo, com a sagrada desculpa da religião, o motivo é sempre o econômico e o poder advindo dele (e não só para assassinatos). A opressão gera desconforto e ele se transforma em violência.

Nós brasileiros dormimos e acordamos com essa, aqui, banal violência e de jeito nenhum por motivos “tão nobres”… A estatística tem números de guerra para o chamado povo “cordial”.

Imaginem, então, o indivíduo que é motivado com a promessa do paraíso, este não enxerga nada, já que deve ter uma vida infernal, e a lavagem cerebral manda o seu bom senso para longe (será que é capaz disso). O desconforto que qualquer indivíduo de qualquer lugar sentiu por este episódio de massacre e suas razões foi pungente. Ah… Pobre Charlie… Ah… Pobre humanidade!

Sobre diferenças, minha sábia avó dizia que, na casa dos outros, seguem-se suas regras. Lembro-me de ir fazer trabalho escolar na casa de dois colegas irmãos, Beth e Beto. A família era admirável, pai, mãe, tantas tias, avós e outros, todos uns doces. A baixela que usavam para o serviço no almoço era linda, muito mais fina que o “colorex” de minha mãe. Mas eles pegavam o tabule e o kibe com as mãos, envoltos na alface romana e arrotavam com desenvoltura. Eram árabes católicos e muito aprendi com eles: o capricho, a união familiar, muitas receitas deliciosas e o respeito para comigo, uma diferente.

Num país que dá guarida a inúmeros seres tão necessitados, pois do contrário não sairiam de sua terra natal – em especial esta França memorável, baluarte do mundo nas questões ainda não alcançadas de respeito e liberdade – como alguém pode querer impor suas normas, costumes, padrões: eles é que são os estrangeiros. No mínimo, se não sabem agradecer, deveriam respeitar, adequar-se… Quer queiram ou não, não têm o mesmo direito dos nativos que os recebem.

Matar em qualquer lugar civilizado é crime, deve ser punido. 

Solteirando pelas redes sociais