Ainda não teve um filho?
Por que as mulheres sem filhos, especialmente quando amadurecem e passam da idade de tê-los, ainda são consideradas murchas, carentes, de um modo tal que os homens sem filhos raramente não o são?
Enquanto um homem sem filhos continua sendo apenas um homem, a mulher sem filhos é vista como alguém que falhou. É como se ela se tornasse uma “submulher”, tendo falhado no teste mais importante de sua vida.
Para muitas mulheres, a ausência de filhos é realmente a liberdade de filhos. É uma escolha. Devíamos encarar esse fato como tantas outras escolhas. Escolher não casar, escolher casar, escolher sair de casa cedo, ou não sair de casa. Escolher ser workaholic, etc.
Para outras, não foi uma questão de escolha. Pode ter sido o tempo que passou ou o organismo que não permitiu. Mas, de um jeito ou de outro, as pessoas ainda insistem em pensar que uma mulher só é realmente feminina quando realmente gerou um filho. E saudável.
Infelizmente, cada vez mais não somente as pessoas de modo geral, pressionam as mulheres a terem filhos, mas as próprias mulheres quando chegam na fase dos 30, 35 anos já começam a ser preocupar com os argumentos que precisarão montar para responder às inúmeras perguntas e comentários sobre o assunto: “Você não quer ter filhos?”; “Ainda que uma produção independente?” ; “Quando você terá filhos?” ; “Filhos é importante para ter alguém que cuide de você mais pra frente”; “Nem mesmo adotar?” (Aliás, no mundo dos que pensam que mulher para ser completa tem que ter filho, adoção não vale). É impressionante, mas as próprias mulheres ainda se sentem culpadas por não terem tido sua prole.
Falando de modo geral, os homens não sofrem essa pressão constante para explicar sua falta de filhos. E, são geralmente as mulheres sem filhos, que enfrentam as perguntas invasivas, comentários maldosos e piedade humilhante sobre o tema.
Fato é: o interrogatório para uma mulher sem filhos já deveria ter parado há tempos. O útero não utilizado de uma mulher pode ser devido a qualquer coisa, desde uma opção pessoal até um grande drama por não conseguir engravidar, mas pertence somente a ela. Ponto.













Adorei o texto! Solteira, sem filhos e já passei por essas perguntas! Como vc disse um saco!
Nesse mundinho a gente não pode ter a opção que quer fazer com o corpo da gente, sempre tem alguém pra dar pitaco. Até de egoísta fui chamada por uma amiga!
Mas como vc mesmo disse, o corpo pertence a mim e continuo com a opção de não ter filhos (37 anos). Digo que meu relógio biológico bateu por livros! hahahaha não posso entrar em uma biblioteca ficou louca!
Bjs
É isso mesmo, Danielle. A escolha de ser mãe não é nem um pouco trivial e simples. Por isso a escolha final sempre tem que ser nossa.