Amor vs. Diferenças: o confronto que nunca acaba
Imagine a seguinte situação: você conhece uma pessoa muito diferente de você (gostos, pensamentos, crenças, rotina e tudo mais que queira incluir na lista) e ainda assim se apaixona por ela.
Qual é o erro dessa sequência?
Durante muitos anos eu tentei viver meus relacionamentos fora dos clichês, das regras usuais, dos ditos populares. Queria alocar minhas relações fora da expectativa mediana de como ser e como viver.
Passei a gostar das entrelinhas, dos namoros não oficializados, de relações sem expectativa de compromisso, sem cobranças e com bastante oxigênio. O que eu buscava era a partilha de afinidades, a troca de conhecimentos, o aprendizado com a experiência do outro e, confesso, um pouco de paz.
As relações desfizeram-se. A maioria de forma tão natural que nem houve necessidade de alinhamentos. Sempre entendi como um prazo de validade apesar da tristeza do fim.
No entanto, uma regra ainda me restava: relacionamentos não sobrevivem entre diferentes.
– Não?
– Não.
Quando proferi essa resposta, o que eu imaginava era todo o esforço que uma relação exige, sendo redobrado para mantê-la. Imaginei as opiniões que deveriam ser ditas de forma mais delicada ou as diversas brigas a serem superadas caso isso não fosse feito. Imaginei uma lista de supermercado sem consenso. Imaginei shows solitários e livros de um único dono. E, mesmo assim, me apaixonei.
Perceber esse estado fez com que eu me questionasse: vale a pena me antecipar a todas essas frustrações futuras e por um fim à sequência de encontros aos fins de semana ou realmente devo insistir?
Hoje não sou o suficiente para tomar uma decisão consciente, baseada em argumentos, fatos e números. Na verdade, fiz uma aposta em um jogo de azar. Talvez eu esteja errada, mas optei por trocar de estante. Quero receber bem os novos livros que virão – na esperança de que também se deixem estar.











