Home Opiniões Convidadas (os) Cinderelas e príncipes no século XXI

Cinderelas e príncipes no século XXI

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A artista canadense Dina Goldstein produziu um trabalho fotográfico em que expõe seu sentir de como seria a vida das princesas depois do “felizes para sempre”.
http://www.fallenprincesses.com/photos/

Confesso que ver esse trabalho publicado foi a minha singela e discreta vingancinha a todas as princesas que nos bombardearam a infância com a ideia de que um dia chegaria um Príncipe, cheio de encantos, com o pacote completo da nossa felicidade, pendurado no cavalo branco. E pior, só se a gente sofresse muito antes; e ainda essa seria a única fórmula conhecida do “felizes para sempre”.

Eu, de minha parte, preferia as super-heroínas, como a Mônica, dentuça e sabichona, e a Sissi (aquela imperatriz austríaca, que odiava ser princesa e a hipocrisia da corte, e que eu conheci assistindo num só dia a trilogia dos filmes de sua vida, depois do meu primeiro pé na bunda do “grande e eterno amor da minha vida toda aos 16”). Mas, com o bombardeio de cinderelas em nossa cultura, as princesas e príncipes encantados não passam despercebidos por ninguém.k

Só muitas sessões de terapia depois é que compreendi a importância que tiveram na formação do meu caráter. Eram “o meu inimigo necessário” . Elas representavam tudo que eu não queria pra mim e que Dina expõe muito bem em suas fotos. O que vem depois do “felizes para sempre?”.

Eu quero ser titular exclusiva dos contornos dos caminhos da minha vida. A minha felicidade está exclusivamente em minhas mãos; me orgulho imensamente das minhas conquistas pessoais e profissionais e, por isso, não aceito pacotes prontos e fechados de “felizes para sempre”. Abracei a ideia do “antes só, do que mal casada”. E o meu príncipe, apesar de também ter sido criado por princesas encantadas e assistindo Superman, também já questionou tudo isso e quer uma relação que some (pois não está atrás da “outra metade”; ele é inteiro também). Estamos construindo juntos as regras da nossa casa financiada, porque as dos nossos pais não nos servem mais, pois como disse Fernando Pessoa,  “para viver a dois antes é necessário ser um”.

Convidada: Carina Bicalho

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1 COMENTÁRIO

  1. Tenho pensado exaustivamente sobre isso também. Em algum momento eu entendi que eu fazia parte da turma dos sem turma, justamente por não conseguir me encaixar em nenhum padrão pré-estabelecido. A príncípio, confesso, me angustiei, mas então a calmaria veio, pois o meu maior desejo era viver a vida do meu jeito, contar a minha própria história.

    Um beijo pra Carina e para as meninas do Solteirar pelo ótimo conteúdo do site!!

    Roberta

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