Coisa de menino e coisa de menina
Crescemos sempre ouvindo a frase acima.
Nossos pais, conscientes ou não, acabavam generalizando o que podíamos ou não podíamos fazer, ou o que podíamos ou não vestir, do que podíamos e não podíamos brincar, de acordo com nosso sexo.
Sabemos das evidentes diferenças biológicas entre o masculino e o feminino, mas infelizmente as definições que presenciamos estão mais ligadas a crenças e costumes sociais do que fatores meramente biológicos.
Assim, fomos criadas e ainda estamos criando a nova geração usando esse paradigma binário entre “coisas de menino” e “coisas de menina”.
Desse modo, os sentimentos e os verdadeiros gostos das crianças continuam sempre em segundo plano. Além disso, educar dessa maneira só ajuda a disseminar desde cedo estereótipos de gênero e preconceitos, fomentando mais e mais esse mundo homofóbico em que vivemos.
“Meninos têm de vestir azul e meninas, rosa”.
“Filho meu não pode dançar ou fazer ginástica. Isso nem pensar!”
“Proíbo minha filha de jogar futebol.”
“Não incentivamos os meninos a brincarem com bonecas e as meninas, com carrinhos.”
“Homens não choram.”
“Menino tem cabelo curto e menina cabelo comprido.”
“Meninas têm que casar. Homens têm mais é que aproveitar”
“Quando o menino arrota ou solta um pum, achamos graça. Quando a menina o faz, recriminamos.”
“Menina não brinca com menino.”
Quantas vezes você mesmo não ouviu em sua infância ou presenciou alguma mãe
falando com seus filhos as frases ou hábitos acima? Isso só reforça nossos
estereótipos sobre a definição do que é masculino e o que é feminino.
Por trás de tudo isso está a ideia de que cuidar dos filhos e da casa é tarefa feminina.
Está a ideia de que o destino das mulheres é sempre o casamento (a chata ideia da princesa em busca de seu príncipe encantado).
Enquanto que trabalhar, ser produtivo e gostar de carros é exclusividade dos homens.
Além disso, crescemos com a mentalidade de que tudo que é frágil e delicado definitivamente está associado às mulheres, tendo como contrapartida a brutalidade aparentemente sempre nata dos homens.
Ou que determinada atividade física modificará a sexualidade da criança.
Besteira. Balela. Mentira.
Nada disso é verdade na vida real!
A diferença entre o astronauta e a aeromoça está na cabeça dos adultos, não na das crianças. Nós é que continuamos com esses costumes idiotas e preconceituosos.
E depois queremos que o mundo seja mais humano e as pessoas mais tolerantes umas com as outras e com suas escolhas.
Imagem: Filme “Coisas de Meninos e Meninas” [2006]










