Crônica de uma exceção
No cartório, em roupas para aquém do bom gosto, uma exuberância feminina bem ao gosto da exigência de qualquer macho de plantão. Ao lado, discretos, dois armários humanos.
Chega um homem bem arrumado, mas já um tanto passado do vigor masculino. Sem ligar para a platéia, distribuída pelos bancos do salão, em derredor, ele começa um discurso de pedido de desculpas. Que era demais chegarem àquele ponto, tudo rápido demais para ele.
A bela, calmamente, retruca dizendo que não era como as outras que davam tantas chances para se prejudicarem sempre depois. Se ele não tinha entendido que ela merecia ser bem tratada, sem ameaças ou brutalidades, como uma princesa, ela não podia fazer nada.
O homem chora, pedindo compreensão. E, inconsolável, levanta a voz reclamando que não podia se conformar por dividir seus bens.
A jovem indica os guarda-costas e avisa que teria outra vida e endereço.
Ele fica desolado. Senta arrasado em frente à escrevente e assina, enfim, vários papéis. A moça também.
Ela levanta e, com seus anjos da guarda, sai imponente e vencedora.
Olhos e risinhos acompanham o chorão que miudamente some em meio ao povo.
Como suas amigas previram, ela era areia demais para tão reduzido caminhão.













Pobre homem bem arrumado… hahahahaha!