Home Opiniões Polêmica Nem sempre é discriminação. Às vezes é incompetência.

Nem sempre é discriminação. Às vezes é incompetência.

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Ao longo da minha carreira, sempre trabalhei com um público predominantemente masculino. Quando eu era estagiária, o trote não era me fazer pagar mico com um superior ou carregar algo pesado. Como eu era a única mulher, assinaram uma revista masculina em meu nome, ou seja, a playboy era entregue na minha mesa mensalmente.

Sempre enfrentei piadinhas de forma bem humorada, ou quando algum engraçadinho passava dos limites, levava um chega para lá, que nunca mais fazia gracinha novamente.

Mas o que mais me intrigava eram situações que até pouco tempo atrás eu considerava discriminatórias. Eu considerava um absurdo quando em reuniões, o líder, geralmente homem e chefe, me pedia para tomar as anotações, ou fazer a ata, independente do cargo dos demais homens presentes. Sem dúvida, eu poderia prestar atenção no que estava sendo dito e, ao mesmo tempo, redigir um texto compreensível para os demais. Mulheres são multitarefa.

E quando o chefe precisava fazer uma apresentação? Sempre a mulher do time era requisitada, ou seja, eu. Com tanta coisa para fazer, e outros colegas do sexo masculino literalmente coçando o saco, o cara tinha que me chamar. Lógico, a mulher é mais criativa e detalhista.

Na época da faculdade, não era diferente. Em um curso predominantemente masculino, os grupos de trabalho se formavam com homens e uma mulher. Sempre elas apresentavam o trabalho, independente da contribuição deles na construção do material. Obviamente, mulheres são mais comunicativas e falar em público é mais fácil para a maioria delas.

Recentemente, fiz um curso e mais uma vez fui a única representante do gênero feminino no meio da tribo masculina. Adivinhem! Fui eleita representante de sala. Afinal, mulheres são mais organizadas.

Mas só foi possível entender isso, quando meu chefe decidiu fazer um evento com o time. Como de costume, chamou a mulher da equipe e pediu que organizasse o evento. Porém, algo diferente aconteceu que me fez refletir em todo o meu passado, orgulhosamente feminino. Ele me pediu desculpas por estar solicitando tal tarefa, pois ele sabia o quanto eu estava atarefada, mas que também sabia que se pedisse isso para qualquer um dos homens do time, não teria sucesso, pois homens não possuem certas competências para fazer coisas que as mulheres fazem com facilidade. Bom, negociei com ele as outras atividades que os meus colegas poderiam fazer por mim, e fui em frente.

Após esta reflexão, pude perceber que nem sempre a atitude masculina é discriminatória. Às vezes, pode ser a aceitação de uma incompetência para determinados temas. Portanto, sem me sentir incomodada, vou continuar fazendo o que sei fazer melhor: ser mulher.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Adorei!!! Total me identifiquei com o texto e as situações. Mesmo hj casada, acredito q um dos pontos que tornam meu casamento feliz é exatamente a divisão de tarefas em casa…não no famoso genêro 50/50 mas por competência, quem melhor desempenha a tarefa é o responsável por ela. Eu fico feliz e ele tb já que a “tarefa” sai com qualidade, sempre nos empenhamos mais no que gostamos de fazer! Bjs

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