InícioOpiniõesO dia em que o mundo se apequenou

O dia em que o mundo se apequenou

Sim, esta era a capa que sonhei ver estampada na edição de 7 de novembro da Newsweek. Ingenuamente, planejava até como escreveria um texto histórico para comemorar a tão aguardada chegada das mulheres ao cargo mais poderoso do planeta, uma conquista sem precedentes para o feminismo e para a humanidade…

Mas a errática realidade revelada já no início da apuração dos votos me deixou em estado de choque. Minha empolgação adolescente com a expectativa de ver Hillary como presidente ruiu… O que será do mundo pós-Obama? O que pensaram as milhões de mulheres que votaram em um ser abjeto que não as respeita – e tem orgulho disso? Lamentei como se pudesse explicar alguma coisa…

Aliás, a “intelligentsia” mundial e suas previsões furadas erraram, mais uma vez…

Agora, os mesmos intelectuais de plantão, talvez mendigando a atenção dos imbecis como eu que procuram uma resposta, não têm vergonha em divulgar novas teorias para justificar o ocorrido que não anteviram. Alguns até chegaram a discorrer verdadeiros tratados sobre o velho embate entre direita e esquerda.

Ainda não perceberam que a imprevisível vitória do imprevisível Trump nada tem a ver com isso.

Como se ainda houvesse direita e esquerda…

Como se o ser humano tivesse esperança…

Donald Trump ganhou porque nós (vulgares eleitores) queremos a todo custo preservar nossos privilégios, mesmo que isso implique em um punhado de inofensivas ações anti-humanitárias. Ele ganhou porque, apesar de cínico, foi um populista inovador, usando o marketing do discurso politicamente incorreto para entreter as massas. Ele ganhou porque estamos cansados de política e dos políticos tradicionais. Ele ganhou de lavada justamente porque representou melhor do que os demais candidatos a realidade como ela é: somos retardados, inúteis e gananciosos. E com vontade de ser Donald Trump, o machão bilionário.

Moral da história: surpreendente mesmo foi o Obama ter vencido as eleições há 8 anos. Ele sim foi um azarão, já que a vitória da boçalidade é sempre a aposta mais certeira.

Enquanto isso, resta-nos a esperança de que a força das instituições democráticas americanas, talhadas ao longo de alguns séculos para travar o infame espírito humano, controlem esse megalomaníaco tresloucado.

E vale também rezar para que os brasileiros não inventem de colocar o Bolsonaro na presidência do Brasil…

 

Spagofreda
Spagofreda
Paulistana, 38 anos, webdesigner (freelancer), solteira convicta. Só aguenta homens por uma ou duas noites. Gosta de tudo que é alternativo ou fora do padrão. Adora um porre com os amigos e uma boa briga. É autossuficiente e odeia rotina (a única que atura é o futebol aos domingos). Tem um lado irônico que irrita muita gente. Não tem temas preferidos. Gosta mesmo é de polêmica. Qualquer uma.
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1 COMENTÁRIO

  1. Depois de ver que o EUA o pais dito “Desenvolvido” colocar no poder Donald Trump, o nosso Brasil em meio a todo esse caos, brasileiros não se mobilizam e uma grande parte ainda apoia esses dito governantes disfarçado de ladrão, sinceramente nada me assusta, o que resta é rezar mesmo!! Spagofreda seus textos fazem falta! rs

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