Cerveja: um universo muito além de peitos e bundas
Convidado: Roberto G. Aranha
Foi-se o tempo em que tomar uma gelada com os amigos era (só) sinônimo de um bando de homens (casados, solteiros e alguns mal resolvidos) entornando pilsners pavorosas, umas piores que as outras – e todas cheias de milho, em um boteco, cheio de palitos de dente no canto da boca, copos com cheiro de pano sujo e debates em loop eterno sobre desempenho futebolístico.
Na verdade, esse cenário não mudou só por conta das cervejas, que (glória ao deus lúpulo) se ampliaram em tipos e rótulos, mas também pela transferência das mulheres dos cartazes de péssimas cervejas para as mesas de bar.
O mercado de cervejas “especiais” (um universo que engloba importadas e artesanais majoritariamente) – mesmo com todos os empecilhos tributários – vem conquistando cada vez mais adeptos, muitos deles mulheres. E, para desespero de alguns machões de plantão, elas não são poucas e não são fracas. Como disse Sérgio Soares do blog Lupulentos, elas estão dando um show de bola em muito marmanjo que tenta vomitar regra. Muitas delas com um repertório extenso e de deixar muito mestre cervejeiro no chinelo.
É o caso de Lisa Torrano, que gerencia um dos maiores grupos de cervejeiros artesanais e apreciadores no Facebook – que também é um site e virou recentemente um vlog – o Cerveja Artesanal São Paulo. Além de fazer sua própria cerveja, ela organiza eventos junto com seu parceiro, divulgando marcas que vêm tentando se despontar nesse ainda humilde, mas promissor, mercado brasileiro.
Ela não está só, nem no Brasil, nem no mundo. Quem vai à Meca da cerveja artesanal dos EUA – Portland – em busca de novos sabores dificilmente ficará sem conhecer o Brewvana, uma empreitada da divertidíssima Ashley Salvitti, que leva turistas em diversos passeios para conhecer as mais de 30 cervejarias da cidade, entre elas Upright, Deschutes e a lendária Rogue. Lógico, tudo acompanhado de muita degustação e um vasto repertório de conhecimento sobre o assunto.
Das noitadas mais extravagantes, às mesas de confrarias, até degustando em casa sem ninguém para torrar sua paciência, tomar cervejas artesanais nacionais ou importadas, apesar de ainda ser um privilégio monetário (afinal, quem se aventura, gasta entre 10 a 35 reais a garrafa, em média – nada suave para quem quer beber até passar mal), tem ganhado adeptos dos mais variados gêneros.
Das ultra aromáticas IPAs às achocolatadas Stouts, o negócio é sair da caixinha. Afinal, debater qual a melhor entre a cerveja do NA-NA-NA ou aquela redonda, hoje em dia equivale a discutir o que é melhor: tomar um soco no queixo ou um no olho. Sai fora! Vá Solteirar!
Imagem: Agradecimentos a Lupulento/ Folha de São Paulo (2014).












