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“O que faz você feliz? O que faz você feliz, você quem faz”.

Adoro a letra e a musicalidade dessa “poesia” da Clarice Falcão. Dá vontade de ser feliz pra ontem. Está em nossas mãos: o que faz você feliz, você que faz. E o que você faz?

Voltei a refletir sobre isso (na verdade, penso sempre nisso ouvindo a música da Clarice) assistindo a um vídeo bacanérrimo sobre a produção das roupas de “fast fashion”, das roupas de usamos.

Pois bem. O jornal norueguês “Aftenposten” convidou 3 blogueiros de 17 anos, famosos na Noruega, pra participarem de um reality show onde eles tiveram que trabalhar por um mês em uma fábrica na capital do Camboja, onde são feitas as roupas de uma gigante da moda rápida, e viver com esse dinheiro.

Que vida é essa? É o título do 5º e último episódio. O discurso dos personagens muda. Chorei junto. O sentimento muda. O olhar para o outro, para si e para o consumo, mudam. Sinta essa emoção aqui.

Depois de ver esses vídeos, não dá pra entrar numa loja e não pensar: de onde vem essa roupa? Que mãos fizeram essas peças? Qual eu quero que seja a minha postura diante dessa roupa feita no Camboja, na China ou por bolivianos escravizados em São Paulo? Deixar de comprar vai mudar alguma coisa?

O boicote a esse modelo de produção pode fazer a comunidade internacional repensá-lo. Mas aqui, no meu microcosmos, quais decisões posso tomar para conciliar consumo e felicidade, para que a minha alegria não implique a superexploração de outros, para que o consumo não seja fonte de frustração e vazio?

Sob essa perspectiva, reflito se realmente comprar várias peças de roupa, umas bolsas de marca e um sapato de cada cor é o que me faz feliz? Qual o sentido de tudo isso para mim? Conhecer-se é essencial para dar o destino certo a seu dinheiro e fazer dele um instrumento de felicidade.

Convidada: Carina Bicalho

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Fantasticamente, a minha geração e a seguinte só se ocupam em ganhar dinheiro, comprar casas e carros de luxo. Ter uma alimentação saudável e combater as rugas; além de se conectar às redes sociais e falar besteiras quase o tempo todo. Que lamento!

É uma geração de ocupação besta com o cotidiano. De TV a cabo a angústias com previdência privada e preço do dólar. Da manutenção da “brilhante” espécie através das “melhores” escolas para os filhos (detalhe: importante ter filhos, senão sai do estereótipo de família feliz) à necessidade de ostentações constantes.

Compramos dez vezes mais do que precisamos; comemos dez vezes mais que carecemos e somos dez vezes mais vaidosos que Narciso. Somos uns verdadeiros personagens do Admirável Mundo Novo: pretensos felizes e idiotas.

Símbolos de sucesso e felicidade são: carro do ano, férias na Europa, filhos na escola, ser cristã convicta e cidadã modelo. Burguês padrão.

Ridiculamente por trás dessa riqueza material e sabedoria vazia, somos uns verdadeiros ignorantes. Não sabemos votar, temos memória curta e somos absurdamente egoístas. Inacreditavelmente ainda agimos como imortais e vivemos sob a representatividade do que o mundo quer que sejamos.

Como diz a música. “A gente somos inúteu!”

Solteirando pelas redes sociais