No início, o olhar
Depois, a respiração
Difícil de controlar
As batidas do coração
Quando os lábios se encontraram
A pele sentiu o tremor
Os corpos se enroscaram
Num enlace sem pudor
Um desejo desesperado
Duas almas em sintonia
O mundo tinha parado
Para ouvir a sinfonia
Na despedida veio a dor
Mas também a esperança
Na lembrança de um amor
Renovou-se a aliança
A promessa de reviver
Tal emoção, tal fantasia
Traz vontade de viver
Novamente esta euforia
Hoje não te quero mais. Pode ser que você não consiga entender meus motivos, mas também não vou explicá-los. Só posso relatar situações, que talvez você nem tenha percebido, mas que corroeram nossa paixão.
Você sempre soube que não sou do tipo que quer compromisso, mas você nunca me ofereceu sua amizade.
Eu nunca te pedi presentes, mas você nunca me trouxe uma flor apanhada em um jardim.
Brindamos muitas e muitas vezes, mas você nem uma vez me ofertou uma garrafa de vinho.
Muitas vezes discutimos nossos planos individuais, mas você nunca me perguntou se minhas tentativas deram certo.
Em todos os encontros fiz meu corpo arder de prazer, mas quando não tive forças para te saciar, você não me ofereceu afago para me recuperar.
Em nossa paixão avassaladora, éramos únicos. Duas pessoas ligadas por uma energia inesgotável e indestrutível da libido, mas você se esqueceu de me cativar e hoje não te quero mais, pois não foi capaz de me conquistar.

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Quando voltares, estarei mudada.
Não pelas marcas do tempo, pois elas me trouxeram charme.
Não pelos quilos que ganhei, pois eles me deixaram mais formosa.
Foste-te há muito tempo e a minha pele não tem mais a firmeza de outrora, mas sua maciez agora é de veludo.
Mas a principal mudança não se deu pelo tempo passado, mas por um momento exato.
Quando voltares, verás que mudei no momento da despedida.
Que o adeus que deixou ferida, partiu meu coração e transformou meu ser.
Mas verás principalmente que a mudança se deu não pela dor provocada, mas pela descoberta de que nunca precisei de ti.
Foste-te há muito tempo e desejo que, no momento de seu retorno, o vento sussurre aos seus ouvidos pedindo que não volte nunca mais.
Nós éramos amigos e eu frequentava a casa dele para ouvir os desabafos de sobre uma ex-rolinho e eu acabava falando dos meus. Funcionava assim: eu ia pra balada, saía de lá e parava na casa dele, já que ele não curtia baladas. Era muito sério e focado em trabalho. Conversávamos e ia embora, quase todos os fins de semana. Tímido, o beijo só aconteceu após uns seis encontros desses. A sintonia foi total, mágica, e naquela noite acabamos nos estendendo.
Como não assumimos nada sério (e trabalhávamos juntos), os encontros eram sempre na casa dele e nossa sintonia era cada vez maior. A gente assistia TV, falava da vida, jantava ou almoçava, e claro, transávamos. Mesmo assim, eu não conseguia mais viver nessa situação. Na minha cabeça, eu imaginava: “Se estamos juntos e está gostoso, por que não assumir?” Então acabei me distanciando por não suportar esses encontros às escondidas e paramos de nos ver.
Namorei outros rapazes e era sempre assim. Quando eu estava com alguém, ele tratava de me procurar. Ficamos mais três vezes sempre do mesmo jeito: escondidos, na casa dele, e sempre muito gostoso.
Na quarta vez, ele me contou que sonhou comigo. Contou o sonho e todas as maluquices que imaginou. Também contou que a ex havia procurado por ele, mas que não tinha dado bola, afinal, ele não queria retomar o namoro. Não senti firmeza. Acabamos ficando e foi maravilhoso como todas as outras vezes, mas por algum motivo, o tempo todo durante aquela noite, eu tinha certeza de que seria a última vez. Eu beijava sua boca na certeza de que, aquela noite, seria a última. Afinal, os toques, os beijos e o jeito de falar já não eram os mesmos.
Às vezes, penso que ele poderia estar me usando, aproveitando dessa situação. Mas eu, por ser solteira, também me aproveitava. Queria curtir o momento, sem pensar no depois. Quem é que nunca se jogou sem pensar nas consequências? Mas nós, mulheres, às vezes não conseguimos separar, e acabamos nos machucando.
E aquele foi o último beijo, o último toque, a última janta, a última conchinha, a última transa, a última conversa. Eu sabia que seria a última vez.
Anita Duarte
Quando te perdi, você estava ali
Ao alcance do meu olhar e à altura do meu abraço
Quando te perdi, ouvi o silêncio de tuas risadas e o vazio de suas chegadas
Quando te perdi, seu cheiro estava no ar, mas já não se fazia notar
Quando te perdi, seu calar me invadiu tal qual a voz que nunca se despediu
Como posso eu dizer que perdi, se na verdade nada tive de ti?