Hoje vou contar para vocês como tive a coragem para me divorciar. Sim, precisei de muita coragem para isto. Desde pequena sonhava com uma casa com filhos e com um marido que me amasse enlouquecidamente por todos os dias da minha vida. Sonhava com filhos que fossem verdadeiros bonequinhos, obedientes, que não chorassem, que não ficassem doentes, que fossem bem na escola. Que ao final de cada dia eu chegasse em casa e tivesse meu “momento família margarina”.
Fiz de tudo para meu sonho se realizar. Casei cedo com um príncipe encantado, planejei logo ter filhos, pois, vai que eu tivesse problemas para engravidar, teria muito tempo ainda para tentar até que meu objetivo fosse cumprido. Tudo estava perfeito, o casamento com o príncipe tinha se consumado e os principezinhos nasceram perfeitinhos. Tirávamos fotos bonitas estilo “família Angelina e Brad”, postávamos nossa “felicidade” no Facebook. Íamos a festas e todos elogiavam nossa linda família.
Porém, a realidade era outra. Os principezinhos davam muito trabalho, eu sempre exausta de trabalhar perdia facilmente a paciência e o príncipe já não me olhava mais.
Um domingo após todos irem dormir, deitei no escuro no sofá da sala. Comecei a chorar muito, acho que chorei durante umas duas horas sem parar, e pensei “O que é que eu estou fazendo com a minha vida? Para que essa farsa toda? Eu quero uma história real, uma história de amor de verdade, não uma história para postar e ter o máximo de curtidas”.
No dia seguinte comuniquei minha decisão ao príncipe. Foi difícil para ele entender. Mas foi a melhor decisão que já tomei na minha vida. Hoje tenho muito mais paciência com os principezinhos e encontrei o verdadeiro amor da minha vida, EU.
Venho por meio desta, agradecer os bons momentos que você me proporcionou após nossa separação. Quero agradecer por ter tornado minha visão mais ampla, visto que após deixar de olhar só para você e nossos planos de família feliz, eu passei a olhar um mundo que até então era desconhecido. Meu novo mundo é cheio de interações construtivas e aprendizados com pessoas diversificadas.
Quero agradecer-lhe por me mostrar que meu sonho verdadeiro não era me devotar a alguém, e sim, compartilhar momentos.
Gostaria de comunicar-lhe que a convivência contigo, me mostrou quais são os meus limites.
Agora sei o que eu tolero e o que não é mais aceitável para mim. Porém, a nossa separação me mostrou que as banalidades do cotidiano são muito pequenas para a grande mulher que sou.
Logo após o rompimento, fui induzida a uma análise profunda do que eu entendia serem meus defeitos, uma vez que impossibilitaram a continuidade de nosso relacionamento. Descobri que sou imperfeitamente feliz e que essa felicidade não cabia em nosso relacionamento.
Passados os primeiros momentos, descobri que sou mais compreensiva do que eu mesma imaginava, pois compreendi que você não é um cara ruim, apenas não é bom o suficiente para estar comigo.
Agradeço-te imensamente por me deixar livre, por soltar as amarras que nosso relacionamento inseria na minha tão limitada vida.
Hoje sou mais! Sua ausência adicionou nossos atributos à minha personalidade. Sou mais guerreira, forte, sincera, transparente, feliz, sábia, adaptável, sedutora e principalmente solteira.
A frase que muitas mulheres sonham dizer ao pé do altar já foi dita por mim: “ Sim, aceito.”
Sou divorciada e, antes que interpretem que sou a favor do divorcio e contra casamentos, já vou avisando que considero o casamento uma experiência maravilhosa.
Conseguir conviver rotineiramente e compartilhar interesses e ambições é um grande desafio. O segredo é compartilhar para tornar essa relação especial, porém, quando este convívio não supera as diferenças, não respeita o individualismo ou passa a ter sentidos opostos, insistir em mudar o rumo da vida do outro ou impedi-lo de viver, pode ser desastroso.
De acordo com o IBGE, em 2012, a média de duração de casamentos, no Brasil, era de 15 anos, enquanto a expectativa de vida era de 74 anos. Sabemos que não temos um volume expressivo de noivos com 59 anos, certo?
Em pesquisa realizada nos EUA, em 2011, constatou-se que cerca de dois terços dos casos de divorcio eram iniciados por mulheres. No Brasil, segundo o IBGE, já em 2004, as mulheres representavam 52% das requisitantes do divorcio.
Será então que as mulheres perderam a capacidade de obter no casamento a mesma satisfação que as gerações anteriores? Eu que faço parte desta estatística e acredito que não.
O fato é que, possivelmente, os casamentos duradouros de hoje são mais felizes que os do passado, pois são mais autênticos, sem obrigatoriedade de causar boa impressão.
De fato, as barreiras legais e religiosas diminuíram em relação ao tema e isso pode ter contribuído para a formalização de separações de uniões que já não existiam mais.
Hoje, muitas mulheres não aceitam se esconder em casamentos infelizes, levando os casamentos duradouros a seguirem uma fórmula de cumplicidade.
Sou a favor de casamentos. Sou a favor de casais. Só não acredito que existam almas gêmeas que precisam obrigatoriamente ficar juntas por toda a vida.
Não é preciso fugir do casamento, porém, tenha consciência de que o “sim” não significa que você aceita um homem, mas sim, um grande desafio.
Parabéns às mulheres que disseram sim e que conseguem, ou conseguiram, ser felizes no casamento por mais de 15 anos, contrariando todas as estatísticas.