É uma menina!
No último domingo marquei um almoço com minhas amigas da faculdade para colocar as fofocas em dia. Aquele grupo de mulheres todas reunidas conversando alto, bebendo, comendo, rindo, enfim: aqueles momentos em que sinto como é delicioso Solteirar.
Em certo momento, todas se recordavam das respectivas infâncias, comentando as bonecas e as brincadeiras típicas “de menina” com as quais se divertiam.
Para minha surpresa, boa parte do grupo achou estranho quando a Marcela comentou que nunca gostou de brincar de boneca e que gostava mesmo era de andar de bicicleta, jogar futebol e correr na chuva.
Engraçado como boa parte da sociedade já define o comportamento da criança pelo sexo do nascimento.
A Marcela nasceu na década de 70, quando ainda não se usavam os aparelhos de ultrassonografia para visualizar o sexo do bebê. Os pais sonhavam em ter um menino que seguisse a carreira militar do pai, só que nasceu menina! E agora? Os pais já tinham comprado toda a roupinha azul e o quarto estava montado, todo em azul marinho.
Marcela foi assim para casa, com sua roupa azul, para seu quarto azul e viveu uma “vida azul”, como muitas outras mulheres. Brincava na lama, corria, jogava bola, empinava pipa, subia em árvores, marchava a pedido do seu pai em tom de brincadeira e até batia continência para ele. Ela era feliz assim e nunca foi menos mulher por não viver no mundo das panelinhas cor de rosa.
A menina cresceu e se tornou mulher. Fez engenharia para agradar ao pai, já que carreira militar ela não queria. Também casou-se e tornou-se mãe.
Será que papais e mamães não podem segurar a ansiedade e esperar que as meninas cresçam e definam por si só suas brincadeiras e cores favoritas?
Gênero feminino não indica um destino inexorável de padrões de comportamento. Nenhum gênero é homogêneo em gostos, valores e personalidades. Se até quando adultas, por vezes, temos dúvidas na vida, como estranhar nossas amigas que vivem em mundo com uma cor diferente da sua?










